GLOWEE: A REVOLUÇÃO DA ILUMINAÇÃO

♦Aline Watson, Olivia Peralta e Yuri Pollak 

E se já não fosse mais necessário o uso de energia para produzir luz? A startup francesa, Glowee, tem como objetivo usar de luzes bioluminescentes para iluminar vitrines de lojas, fachadas, espaços públicos e locais que não possuem iluminação elétrica, como parques.

O projeto inspira-se em uma lei criada na França em julho de 2013 que proíbe que escritórios e lojas mantenham as luzes de vitrines e fachadas acesas durante o início da manhã para diminuir o consumo de energia e a poluição luminosa. Já que, Glowee emite uma luz mais suave a lei não proíbe o uso deste produto.

Muitas das grandes ideias surgem por acaso, foi assim com a bata
ta frita, a penicilina e até o micro-ondas. No caso do Glowee não foi diferente. Sandra Reys, cofundadora da Glowee afirma “a ideia surgiu após assistirmos a um documentário sobre os peixes das profundezas marinhas que produzem sua própria luz”.

Luz Biológica

O projeto desenvolveu uma fonte de luz biológica que funciona sem a necessidade de infraestrutura ou eletricidade, uma vez que a iluminação ocorre através do uso de bioluminescência, uma reação química regulada por um gene presente no DNA de mais de 90% dos animais marinhos que permite que estes produzam a própria luz. Entre estes, a bactéria que vive no interior de lulas, Aliivibrio fischeri, que emite luz como um método de defesa para fazer com que a sombra da lula desapareça, escondendo o animal.

Há dois fatores que impedem que a própria Aliivibrio fischeri seja utilizada como forma de iluminação. O primeiro é que bioluminescência ocorre na natureza devido a uma função biológica e seria complicado demais ter de esperar que a bactéria precise caçar, se reproduzir ou se esconder para ter luz. O segundo é que estas vivem no fundo do oceano, em condições de temperatura muito bbbbdiferentes das da terra, portanto, ao traze-las para a superfície se tornaria demasiado difícil controla-las.

A solução para estes problemas foi o uso de biologia sintética, ou seja, o gene de bioluminescência presente na bactéria encontrada no interior da lula é introduzido na bactéria mais comuns e simples existente nos laboratórios.

As bactérias, não tóxicas nem patogênicas, são armazenadas em cápsulas transparentes onde se encontra um gel com os nutrientes necessários para que esta sobreviva e produza luz. Esta, apesar de ser mais fraca e mais suave, serve seu propósito, visto que Glowee não possui a intenção de substituir por completo a luz elétrica.

As cápsulas que contêm as bactérias possuem um formato semelhante ao de um envelope, em contrapartida, é feito de um material orgânico costumisável, o que permite que designers e artistas moldem-nas no formato que quiserem, possibilitando que as luzes podem ser usadas para fins decorativos.

Benefícios ecológicos

Tendo como principais objetivos reduzir a fração de 19% de energia elétrica consumida mundialmente dedicada a iluminação e a parcela de 5% da emissão de gás carbônico, responsável pelo uso de energia elétrica e equipar as 1.2 bilhões de pessoas que vivem no escuro, em virtude da energia elétrica ser muito cara ou a instalação muito complicada, Glowee visa mudar a forma como produzimos, compramos e consumimos energia.

Ao inserir luzes biológicas em nossa iluminação, não seria mais necessária a extração de recursos naturais para realizar a produção de luz, já que as bactérias são produzidas espontaneamente, e se dividem em dois a cada 20 minutos. Luz deixaria de ser apenas um produto, mas também um serviço, visto que o fato de estarmos lidando com seres vivos gera a necessidade de determinados cuidados, sendo assim, quando as bactérias parassem de produzir luz elas seriam recolhidas pela Glowee, recicladas e substituídas.  O consumo também mudaria, em virtude de não haver mais a necessidade de uma infraestrutura adicional.

Desafios ao se criar Glowee

Apesar de todos os benefícios ambientais, Glowee apresenta algumas desvantagens e inconveniências. A eficiência e custo do projeto permanece um mistério e Edith Widder, especialista em bioluminescência e atualmente pesquisadora no Ocean Research & Conservation Association em Fort Pierce, Florida, levanta a questão: O quão possível esta ideia se mostrará a longo prazo? A pesquisadora acredita que os custos para produzir e manter uma grande quantidade de bactérias bioluminescentes em um ambiente adequado será alto demais para padrões comerciais. Para manter a bactéria funcionando é necessário adicionar nutrientes e remover outras substâncias produzidas pelo ser vivo. “ Se você fizer os cálculos, não faz nenhum sentido, principalmente se for considerar o quão eficiente a luz de LED se tornou”, afirma Widder.

Para mais, o período de iluminação é de apenas três dias e quando comparado a lâmpadas de LED, que podem emitir luz por dois anos ou mais, três dias parecem quase nada. Em contrapartida, se considerarmos que nos protótipos iniciais a luz biológica se manteve apenas por alguns segundos o Glowee já conquistou muito tendo alcançado a marca de três dias.

Entretanto, a equipe acredita que modificando a consistência do gel de forma a tornar a entrega de nutrientes para a bactéria mais eficiente poderiam estender o período de duração para um mês até 2017, quando eles planejam começar a comercializar o produto, o que não ocorreu até agora devido o curto período em que as bactérias se mantem acesas.

Rey afirma que através de engenharia genética a equipe também está desenvolvendo um interruptor molecular que ativará a bioluminescência apenas a noite, permitindo que a bacteria salve energia durante o dia e fazendo os nutrientes durarem mais. A engenharia genética também poderá fazer com que eles encontrem uma forma de diminuir a velocidade de reprodução. Estes dois fatores poderiam estender o período de duração da luz em até um ano. Também planejam fazer uma bactéria cujo brilho seja mais forte, com luzes de diferentes cores e que sobreviva a uma temperatura a cima de 20º C.

A cofundadora diz que também prevê exportar o sistema de iluminação. “Há países na Europa onde a eletricidade é mais cara do que na França. Também queremos equipar áreas remotas em países emergentes, onde há menos recursos”, diz Sandra Rey.

Apesar dos desafios que a startup tem pela frente, podemos perceber que Glowee visa muito mais do que apenas iluminar fachadas e vitrines nas ruas da França e se os planos que a equipe tem se mostrarem bem-sucedidos podemos estar à frente de uma revolução da iluminação.

Oitavo Ano

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