BATE-PAPO COM DOUTORA: H1N1, ZIKA E DENGUE, EPIDEMIAS QUE ESTÃO AFETANDO O BRASIL

♦ Helena Sader Azevedo e Julia Vieira Belickas

Sabemos que o Brasil está passando por um grave período de epidemias, como doenças transmitidas pelo mosquito Aedes-Aegypt e principalmente a gripe H1N1, a Influenza A.  A gripe H1N1 anda afetando muitos brasileiros, que na maioria das vezes, se encontram despreparados para combater  a doença com alguns cuidados que devem ser proporcionados, já que a doença é espalhada por meio de gotas de saliva, tosse e espirros. Já as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes-Aegypt, a dengue e a zika, afetaram, principalmente no verão deste ano e do ano passado, o povo brasileiro. Tais foram espalhadas para enorme parte da população, nas regiões que possuem água parada e limpa, local onde o mosquito se prolifera. Devido á estes fatos, entrevistamos a doutora Kátia de Barros Belickas, a fim de nos aprofundar no assunto e mostrar ao nosso público diferentes maneiras de se prevenir.

VeraCidade: Sabemos que o Brasil está passando por um longo período de epidemias que estão causando grande prejuízo e mortes na sociedade. Qual delas está causando maior índice de mortalidade?

Kátia de Barros Belickas: O Brasil teve 802 mil casos de dengue e 91 mil de zika somente em 2016. Em relação a dengue de 2015 a 2016, tivemos um aumento de quase 14%. Em relação ao vírus H1N1, há apenas uma estimativa do número total, mas varia muito.

VC: Em relação a H1N1, estamos conscientes de que esta doença está afetando um grande número de pessoas. Você sabe nos dizer qual é a população de risco ou a que está sendo mais atingida pela doença?

KBB:  O grupo de risco da gripe H1N1 são pessoas com doenças crônicas (como asma, rinite, bronquite, diabetes), gestantes, bebês e idosos (pessoas com mais de sessenta anos).

VC: A produção da vacina contra a influenza A, foi transferida da Sanofi Pasteur, empresa de medicina e pesquisa da francesa, até o instituto Butantã. Você sabe nos explicar como se dá esta produção?

KBB: O instituto Butantã, usa ovos de galinha para produzir a vacina contra a gripe. A mostra do vírus H1N1 e mais alguns vírus como o H3N2 e influenza B são injetados nos embriões dos ovos e depois de algumas horas o vírus injetado se multiplica no líquido que fica envolta do pintinho.

VC: A base da vacina é ovo. Pessoas alérgicas a este produto podem tomar? Quais os riscos?

Dr. Katia de Barros Belickas, nossa entrevistada

Dr. Katia de Barros Belickas, nossa entrevistada

KBB: Pessoas com alergia a ovo não devem tomar a vacina, assim como aquelas que estejam em tratamento com antibióticos, apresentam febre, gripe ou que tenham tomado alguma outra vacina viral em menos de trinta dias. O risco é ter uma reação alérgica chamada reação anafilática, na qual  a pessoa tem inchaços ou edema em vias respiratórias, podendo parar de respirar e morrer.

VC: Sabendo que o povo brasileiro sofreu com essa gripe. Você está sabendo de algum caso internacional desta doença?

KBB: Eu, particularmente, não sei de casos que foram exportados no mundo.

VC: Você imagina que em algum momento essa doença irá espalhar-se mundialmente?

KBB: Eu acho que os vírus vão mudar e quando eles mudam, a tendência é que tenha epidemias, sim, em outros países. Então, a gente já sabe que têm dois tipos de influenza A, que é H1N1. Só que na influenza A, também tem H2N3, se não me engano e tem a influenza tipo B, que é mais no hemisfério norte. Sabemos que lá no hemisfério norte não tem tanto caso porque eles não estão no inverno, então, está diminuindo (a incidência). Nós estamos no outono-inverno, nosso número está aumentando.

VC: Alguns infectologistas avaliam que há uma certa “histeria coletiva” em relação à gripe. Você acredita que este fato possa reduzir o turismo no Brasil?

KBB: O que eu acho que pode reduzir o turismo no Brasil, não é apenas e tão somente, a gripe H1N1 porque a gente sabe que existe vacina e os outros países já têm a trivalente e tetravalente. Nós, aplicamos as duas. Lá no hemisfério norte, eles usam já a quádrupla.

O problema do Brasil é que a gente tem o zika vírus, a gente tem dengue, então todas essas doenças são de preocupação e as pessoas acabam não vindo para o nosso país pelas manchetes, porque você tem casos de infecção que estão acontecendo ainda. Então eu que prejudica, sim, o turismo no Brasil.

VC: Pior que afetar o turismo, é comprometer a vinda de atletas para o Brasil, no período das Olimpíadas.  Você nos dizer o que a comissão olímpica tem feito para amenizar esse “caos”?

KBB: O Comitê Olímpico foi consultado para saber das epidemias no Brasil e eles falaram que os atletas poderiam vir sem problema. Infelizmente foi essa a postura deles.

Na minha opinião, eu acho que existem riscos sim. Porque, por exemplo, a gripe você tem vacina, mas para o pernilongo a gente não como nos defender. Então, eventualmente, eles podem ser picados, os atletas

VC: Estamos cientes de que o atendimento público brasileiro não é um dos melhores.  Em virtude deste fato, a situação do Brasil em relação à influenza H1N1, tende a piorar?

KBB: Eu acho que a situação da H1N1 tende a piorar, no momento que a gente está vivendo, outono-inverno, aumenta muito a incidência dessa doença.

As gripes começam a complicar, principalmente a vida das gestantes, das crianças que são muito pequenas e das pessoas maiores de 60 anos. Ou pessoas que tratam de doenças crônicas, os diabéticos, pessoas que tratam de problema no rim ou outras insuficiências de órgãos. Então, a gente tende a ter um acúmulo de casos graves na época outono-inverno. Infelizmente, a gente não tem, muitas vezes, as vagas necessárias nem no pronto socorro e nem em UTI. Então, acredito sim que as coisas tendem a piorar.

VC: Considerando os avanços na ciência, por quanto tempo teremos notícias da gripe nessas proporções?

KBB: Eu acho que a gente sempre vai estar sujeito a ter epidemias em qualquer lugar do mundo, porque outros vírus mais fortes podem começar a aparecer, que não conseguimos controlar. Outros vírus aparecem através de uma mutação, então a chance de se ter outras epidemias é muito grande.
VC: Levando em conta a qualidade do atendimento em postos de saúde, hospitais e clínicas, quanto tempo leva-se em média para curar-se da gripe H1N1?

KBB: A gripe H1N1 não depende do atendimento, apenas das complicações que você pode ter, como por exemplo: insuficiência respiratória. Mas  o corpo, independentemente do atendimento, lida bem com o vírus,se estiver saudável, no prazo de uma semana. Existe uma medicação chamada “Tamiflu” que pode ser usada, mas só se tivermos pegado esse quadro no começo, nem sempre as pessoas buscam o atendimento médico no começo da doença.

VC: A Organização Mundial de Saúde (OMS) registou, em 2009, 44 países atingidos pela gripe A. Em que a medicina evoluiu daquela época para cá?  O que estamos passando hoje foi previsto?
KBB: De 2009 pra cá o que melhoramos foi a vacinação (imunização).  A profilaxia de lavar as mãos e passar o álcool em gel, tudo isso nós temos como prevenção. A gente teve uma epidemia no Brasil que foi mais séria, que aconteceu mais cedo, nos estados do Sul e migrou rapidamente para o Sudeste, tivemos vários casos, a vacina demorou para chegar, então infelizmente teve-se uma gravidade maior, porque realmente, no nosso país nós não contemplamos essa coisa de acontecer mais cedo ou de um número de pessoas serem infectadas. Infelizmente apesar de saber que o vírus muda, nem sempre temos essa metodologia. Coletamos as amostras de vírus que estão circulando para fazermos as novas vacinas e esse prazo não foi suficiente na época que precisaríamos.
VC: Sabendo alguns meios de prevenir-se contra estas gripes, como: lavar as mãos com frequência, evitar colocar a mão no rosto e cobrir a boca na hora de tossir e espirrar, muitos cidadãos estão em busca de outros meios de se proteger. Há outros meio de prevenção?
KBB: Outros métodos de prevenção é uma boa alimentação, além da vacina, que também é muito importante. Sempre temos que ter uma boa dieta e fazer atividade física, pois a primeira coisa pra defender o corpo é ter um organismo forte, boa dieta diversificada e boa atividade física.

Oitavo Ano

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