O PAPEL DAS CONSTRUÇÕES OLÍMPICAS EM UMA SOCIEDADE

 ♦ Rosa Barbara Valentim e Henry Gilad

            Um evento de grande escala mundial, como as Olimpíadas, ultrapassa a importância esportiva intrínseca dos jogos. Grandes investimentos, que no caso do Brasil, atingiram cerca de 2 bilhões de reais, deveriam representar avanços sociais, políticos e especialmente urbanos para as cidades sedes das Olimpíadas. Eventos que, mesmo efêmeros, podem marcar internacionalmente um país, com mudanças duradouras e efetivas nas condições urbanas, como foi o caso emblemático da Olimpíadas de Barcelona em 1992. Ao sediar as Olimpíadas, a cidade partiu das necessidades e prioridades já discutidas e consolidadas para a melhoria da cidade. No caso da China, as Olimpíadas marcaram o resgate de sua cultura milenar e seus avanços econômicos no panorama internacional. A abertura dos jogos em Pequim foi marcante no que diz respeito ao resgate de suas tradições e na recolocação da China contemporânea.

           Os jogos olímpicos do Brasil tiveram um início surpreendente com sua abertura, coordenada por artistas ligados ao cinema e teatro como Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Andrucha Waddington. Contaram com a presença dos maiores artistas brasileiros, sendo eles cantores, dançarinos, modelos, coreógrafos, entre outros. Nesta apresentação foi retratada a urbanização do Brasil, ao mesmo tempo que enfatizou um país com grandes matas e ressaltou a questão ecológica no desenvolvimento mundial. Destacou aspectos da cultura brasileira como a música popular, especialmente o samba e o carnaval.

LOCALIZAÇÃO

             A região onde o parque olímpico é situado corresponde a um dos principais fatores para a definição da qualidade das intervenções. Os grandes investimentos feitos nas obras e a integração de todos os equipamentos dependem de um estudo das necessidades da cidade e dos projetos que ao longo do tempo foram pensados para a melhoria das condições urbanas. As demandas de cidades brasileiras, sempre emergenciais,  requerem uma atenção específicas em grandes eventos como esses. É o caso do Rio de Janeiro, especificamente, ou mesmo de São Paulo, que teve uma experiência bem diversa na postulação dos Jogos Olímpicos de 2012 (com o projeto desenvolvido pelo arquiteto vencedor do Pritzker, Paulo Mendes da Rocha), localizando todos equipamentos às margens dos Rios Tietê e Pinheiros visando a limpeza das águas urbanas e do sistema de transporte metropolitano. Enquanto o Rio de Janeiro não teve uma preocupação urbanística, tendo todos os investimentos em áreas onde a conexão com a cidade existente, mais densamente ocupada e carente de espaços públicos de convívio pudessem ser beneficiados.

 ARQUITETURA

Em um evento de tamanho porte como os Jogos Olímpicos precisa de devida atenção à arquitetura dos equipamentos construídos para tal, já que após este evento tão efêmero, tais projetos deveriam trazer benefícios à cidade sede em que se encontram. O que, infelizmente, não ocorreu no Rio de Janeiro, como visto anteriormente no que diz respeito à localização dos equipamentos, em virtude da sua falta de planejamento.

            A Vila Olímpica, conta com 31 edifícios de 17 andares que contabilizam 3604 apartamentos, com capacidade para receber 17.950 atletas e integrantes  da equipe técnica durante os jogos.

Vila Olímpica FOTO: Rio 2016/ Divulgação

Vila Olímpica FOTO: Rio 2016/ Divulgação

            Vale lembrar que importantes edifícios construídos nas Olimpíadas passadas, marcaram a arquitetura internacional recente. Em Londres, as piscinas projetadas pela arquiteta iraniana Zaha Hadid. Em Pequim, o estádio Olímpico foi o edifício símbolo do evento, conhecido  como “ninho de pássaros”, projetados pelos suíços Herzog&DeMeuron, com a colaboração do artista chinês Ai Weiwei. Em Barcelona, vários edifícios se destacaram, de importantes arquitetos como Álvaro Siza e Norman Foster, que projetou a torre de telecomunicações.

LEGADO

Ao se construir os instrumentos utilizados em uma olimpíada, a primeira coisa a ser pensada são as demandas da cidade em que ocorre, e em como é possível atende-las, trazendo o máximo possível de melhorias para a cidade sede.

            No Rio de Janeiro, as principais obras realizadas para as Olimpíadas estão em um local afastado do centro da cidade, numa região onde os equipamentos construídos não estão articulados suas demandas. Além disso, é notória, a irrelevância dos projetos arquitetônicos, tirando qualquer possibilidade de qualificação do lugar e de relevância dos edifícios para um legado cultural ou urbanístico desses Jogos Olímpicos.

            No entanto, aproveitando o evento das Olimpíadas, mas sem fazer parte das obras obrigatórias, definidas pelo Comitê Olímpico, foi feita uma obra urbana de grande relevância no Rio de Janeiro, chamado de Porto Maravilha. Foi a recuperação de um trecho do antigo porto chamado de Cais Valongo e da remoção de um viaduto, o que possibilitou a criação de novas oportunidades imobiliárias e novos espaços públicos, especialmente o que foi chamado de Boulevar Olímpico. A obra mais conhecida desse grande empreendimento ‘e o Museu do Amanhã projetada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava. Todo o conjunto foi muito criticado pelos elevados custos e pelo superfaturamento.

Oitavo Ano

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