UMA GAROTA SILENCIOSA COM UMA VOZ MORTAL

♦ Julia Pires Ferreira e Fernanda Mermelstein

Quem disse que sereia tem cauda de peixe e vive nas profundezas? A autora da série “A Seleção” quebra esse estereótipo na republicação de seu primeiro livro. Com base no incrível sucesso dos seus livros anteriores, a expectativa era grande, mas, apesar de ter uma história muito interessante, o desfecho e a protagonista deixam o que desejar.

O livro “A Sereia” mistura a mitologia grega com a realidade. Na narrativa, a autora Kiera Cass, sempre com seu jeito romântico, conta uma história que atravessa gerações, começando nos anos 30 até os dias atuais. Mas como isso seria possível em um livro de apenas 330 páginas?  Kahlen, uma garota de 19 anos, sofre um naufrágio quando viaja com sua família e, misteriosamente, é salva pela própria Água, com a condição de passar 100 anos sendo sua serva em troca da própria vida: sendo uma sereia. Kahlen tem um único dever, conseguir humanos para alimentar sua senhora. As sereias possuem uma beleza inexplicável e tentadora, não envelhecem e têm uma voz inumana e extremamente perigosa, já que, é fatal a quem a escute. Nossa protagonista está determinada a cumprir sua pena o mais obedientemente possível, vivendo solitária com suas irmãs (também sereias). Mas isso pode mudar quando ela conhece Akinli, um garoto doce com um olhar tristemente cativante e um nome exótico… e é amor à primeira vista, uma característica dos textos da Cass que tira a mágica do livro, pois sua graça é ser uma história que poderia ser real e o “amor à primeira vista” foge muito da realidade.

A história é muito boa, Kiera é muito criativa e, com seu estilo detalhado de escrever, nos leva diretamente para dentro do livro. O enredo, bastante cativante, te proporciona uma paleta de emoções. Você se sente junto com as personagens, como se fosse uma delas.

Infelizmente, Kiera foi bastante infeliz ao criar Kahlen, a garota cujo maior sonho é se casar, é muito comportada e meio deprimida, sempre com um ar de coitada. Ou seja, uma personagem que não orna, extremamente forçada e nem um pouco humana. Como se não bastace, o amor dela por Akinli não convence, torando-se superficial. Como é possível alguém que viveu quase um século permanecer tão rasa, não trazer bagagem nenhuma? Por isso, em termos de personagens, o livro se salva pelas irmãs de Kahlen: Miaka, Elizabeth e Padma. As garotas têm personalidade e são o oposto da protagonista: cheias de vida. Para completar, o final: quase impossível. Característica que poderia ser uma vantagem, mas foi usado incorretamente, deixando o enredo sem tempero, monótono e extremante previsível. Por que toda história tem que ser um conto-de-fadas com um felizes para sempre no final?

A leitura flui bem e quando você vê, o livro já acabou. Sua maior qualidade é o jeito como a autora escreve, pois, apesar de ser uma história com mágica e seres sobrenaturais, é possível jurar que as sereias realmente existem, são simples meninas silenciosas. Como um todo, o livro é bom, apesar de desapontar em alguns aspectos, a leitura vale, mas não tente o comparar com “A Seleção”.

Oitavo Ano

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *