{"id":145,"date":"2023-03-07T11:53:36","date_gmt":"2023-03-07T14:53:36","guid":{"rendered":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/?post_type=resenha&#038;p=145"},"modified":"2023-04-28T10:12:33","modified_gmt":"2023-04-28T13:12:33","slug":"alfabetos-na-poesia-abecedario-do-corpo-imaginado-encontra-abc-da-literatura","status":"publish","type":"resenha","link":"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/resenha\/alfabetos-na-poesia-abecedario-do-corpo-imaginado-encontra-abc-da-literatura\/","title":{"rendered":"Alfabetos na poesia: Abeced\u00e1rio do corpo imaginado encontra ABC da literatura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\"><strong>Por Emily Stephano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>\u201cO bom da poesia \u00e9 que voc\u00ea pode pular as normas.\u201d Essa \u00e9 a frase final de um dos trechos do rico posf\u00e1cio escrito por Mar Benegas, concluindo seu <em>Abeced\u00e1rio do corpo imaginado<\/em> (MOVpalavras, 2015) depois de vinte e sete haicais ilustrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Benegas apresenta algumas das regras dessa forma curta de poesia &#8211; e como transgrediu v\u00e1rias delas. A autora espanhola mant\u00e9m a busca da m\u00e9trica, por\u00e9m fala de emo\u00e7\u00f5es, utiliza met\u00e1foras e n\u00e3o tem como centro da produ\u00e7\u00e3o elementos da natureza que costumam aparecer nesses poemas &#8211; plantas, animais, lagos. \u201cEscrevi sobre o corpo, sobre as pessoas e seus sentimentos, sobre o que fazemos. Tudo isso, creio, faz parte da natureza e a\u00ed detive o meu olhar para escrever os haicais: um corpo imaginado, o seu, o meu, o do mundo, o dos demais\u201d, alega a poeta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mar Benegas tamb\u00e9m rompe com a expectativa de quem busca em sua obra versos iniciados com cada letra deste abeced\u00e1rio ou em refer\u00eancia a algo que possa ser alfabeticamente ordenado. No in\u00edcio, aparecem <strong>a<\/strong>sas, <strong>b<\/strong>oca, <strong>c<\/strong>aminhos, <strong>d<\/strong>elicadeza &#8211; em versos e destaques diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, a coes\u00e3o e a qualidade da obra po\u00e9tica permitem an\u00e1lises &#8211; que aqui ser\u00e3o feitas com apoio de outro alfabeto &#8211; o \u201cABC da literatura\u201d, de Ezra Pound.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A POESIA ESTRUTURADA NO POEMA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1934, o cr\u00edtico liter\u00e1rio americano Ezra Pound teve publicado seu livro <em>ABC da Literatura<\/em> (no Brasil, editado pela Cultrix). Na obra, o autor define tr\u00eas modos ret\u00f3ricos de an\u00e1lise da poesia, sintetizando aspectos da linguagem que podem ser espelhados nos conceitos de primeiridade, secundidade e terceiridade, vindos da semi\u00f3tica peirceana, e nas matrizes da linguagem como sonora, visual e verbal, estruturadas pela pesquisadora brasileira Lucia Santaella. Pound aponta a melopeia como um destaque da sonoridade, a fanopeia pelo potencial imag\u00e9tico do poema e a logopeia pela combina\u00e7\u00e3o de forma e conte\u00fado como uma estrutura mais mental\/conceitual.<\/p>\n\n\n\n<p>Os haicais, por natureza, podem ser essencialmente classificados como <strong>fanopeia<\/strong>, uma vez que criam imagens de fugacidades da natureza. Como diz Mar Benegas, no posf\u00e1cio de <em>Abeced\u00e1rio do corpo imaginado<\/em>: \u201cS\u00e3o como uma vis\u00e3o de uma paisagem bonita pela janela de um trem a toda velocidade ou como receber uma boa not\u00edcia: beleza intensa e fugaz.\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>No haicai, \u201co poema se converte em uma fotografia feita com palavras\u201d, diz a autora. Essa busca pela imagem, por\u00e9m, \u00e9 transpassada por duas quest\u00f5es: uma \u00e9 a pr\u00f3pria express\u00e3o \u201chaicai\u201d, que se origina dos conceitos \u201cbrincadeira, gracejo\u201d (<em>hai<\/em>) e \u201charmonia\u201d (<em>kai<\/em>). Outra \u00e9 o fato de que as palavras s\u00e3o mat\u00e9ria prima dos poemas, vindas de outro conceito convencionado &#8211; a linguagem. Com isso posto, ao \u201ctransformar imagens em palavras\u201d, invariavelmente conceito (logopeia) e sonoridade (fanopeia) podem ganhar algum destaque em determinados momentos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A FLUIDEZ DA LINGUAGEM NOS HAICAIS DE MAR BENEGAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 foi dito, haicais s\u00e3o como uma imagem congelada, ou seja, na combina\u00e7\u00e3o das palavras, busca-se criar uma cena na mente de quem os l\u00ea. Esse \u00e9 o ponto que, nas defini\u00e7\u00f5es de Ezra Pound, caracteriza o haicai como <strong>fanopeia<\/strong>. Alguns exemplos em <em>Abeced\u00e1rio do corpo imaginado<\/em> s\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Delicadeza:<br>n\u00e3o grites, n\u00e3o a assustes,<br>\u00e9 borboleta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>H\u00e1 esperan\u00e7a:<br>a flor entre o asfalto,<br>a primavera.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>E a ilus\u00e3o\u2026<br>Pequena luz cintila<br>dentro do bosque.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a sonoridade se destaca em alguns casos, remetendo \u00e0 <strong>melopeia<\/strong> &#8211; como o som de x\/ch no haicai da letra Q:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Coaxa a r\u00e3,<br>respondendo a um queixume:<br>a Terra chora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em outros, identifica-se a<strong> logopeia<\/strong> em um trabalho mais conceitual com as palavras, por exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Os japoneses:<br>l\u00e1 acendem o sol<br>toda manh\u00e3.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Kilos de amor,<br>por\u00e9m tamb\u00e9m o \u00f3dio<br>numa balan\u00e7a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>So\u00e7obrar, sim,<br>Zarpado e \u00e0 deriva<br>chega-se a um porto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>A TRADU\u00c7\u00c3O &#8211; TRANSCRIA\u00c7\u00c3O DOS POEMAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na quarta capa do livro, uma imagem indica que dentro dele h\u00e1 \u201c27 haicais\u201d. Sendo um abeced\u00e1rio, o leitor atento ir\u00e1 notar uma letra a mais nesse alfabeto po\u00e9tico. Trata-se do <em>\u00f1<\/em>, t\u00e3o usado e caracter\u00edstico da l\u00edngua espanhola.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao comparar a leitura da edi\u00e7\u00e3o brasileira (MOVpalavras, 2015) com a original espanhola (A buen paso, 2013), nota-se que a tradu\u00e7\u00e3o de F\u00e1bio Aristimunho Vargas buscou fidelidade aos poemas, ainda que perdesse algumas palavras do abeced\u00e1rio da autora &#8211; como no caso de <em>huesos<\/em>, que perdem o H na vers\u00e3o em portugu\u00eas. Seu posf\u00e1cio apresenta parte do processo e explica\u00e7\u00f5es sobre o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>A sonoridade tamb\u00e9m tem perdas na tradu\u00e7\u00e3o, como a<strong> melopeia <\/strong>presente na vers\u00e3o original do haicai da letra espanhola<em> \u00f1<\/em>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u00d1o\u00f1a la ara\u00f1a:<br>una ni\u00f1a sin pan.<br>Teje una cuna.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O tradutor optou por usar a letra como o d\u00edgrafo <em>nh<\/em>, entre chaves, por\u00e9m a tradu\u00e7\u00e3o dos versos n\u00e3o mant\u00e9m a repeti\u00e7\u00e3o do som n\/\u00f1\/nh como no original:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Nhonha aranha:<br>uma jovem sem p\u00e3o.<br>Tece um ber\u00e7o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nota-se outras pequenas altera\u00e7\u00f5es da tradu\u00e7\u00e3o, como \u201cBajo las piedras\u201d (haicai da letra W), traduzido como \u201cpor sob as pedras\u201d, em vez de \u201cabaixo das pedras\u201d, que parece uma escolha para manter a m\u00e9trica do verso. Semelhante recurso ocorre com &nbsp;a substitui\u00e7\u00e3o da v\u00edrgula por \u201c\u00e9\u201d, no verso final do haicai da letra X &#8211; \u201cy \u00e9l, de madera\u201d, traduzido como \u201ce ele \u00e9 madeira\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A IMAGEM NO HAICAI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para al\u00e9m da visualidade dos poemas, as ilustra\u00e7\u00f5es de Guridi exercem na obra o papel de <em>haiga<\/em> &#8211; pintura concisa, de tra\u00e7os simples, por\u00e9m muito expressiva e intensa, como os pr\u00f3prios poemas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em diversos poemas, silhuetas de pessoas aparecem em preto ou branco, pontuadas por cores e formas que refletem o gestual do autor no uso de tintas e pinc\u00e9is e mesclam outros elementos da natureza a essas figuras humanas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por vezes, p\u00e1ginas duplas com fundo em cores semelhantes parecem agrupar poemas sequenciais, enquanto outras criam contrastes, tanto nas cores quanto no conte\u00fado:<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado.png\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1039\" height=\"768\" data-id=\"147\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-147\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado.png 1039w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado-300x222.png 300w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado-1024x757.png 1024w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/haikais-corpo-imaginado-768x568.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1039px) 100vw, 1039px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Abecedario del cuerpo imaginado (A buen paso, 2013)<\/figcaption><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>A capa da edi\u00e7\u00e3o brasileira mostra, em preto, a silhueta de uma pessoa em uma bicicleta. Sobre ela, repousa ou se derrama uma folhagem avermelhada. Na folha de rosto, \u00e9 uma folhagem em tom de azul que aparece, por\u00e9m como se sa\u00edsse da cabe\u00e7a em busca do c\u00e9u. Na edi\u00e7\u00e3o espanhola, essas ilustra\u00e7\u00f5es s\u00e3o invertidas e a cor da capa tamb\u00e9m muda.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ESCREVER HAICAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O posf\u00e1cio escrito pela pr\u00f3pria autora apresenta um pequeno hist\u00f3rico dessa forma po\u00e9tica, a justificativa de escolha em sua escrita, regras e dicas para quem quer escrever. A partir da segunda edi\u00e7\u00e3o espanhola, uma breve antologia de haicais escritos por crian\u00e7as ap\u00f3s a leitura do livro &#8211; o que prova a capacidade de explora\u00e7\u00e3o po\u00e9tica presente na inf\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m que precisa ser alimentada para desenvolver-se.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM NOVO OLHAR SOBRE O CORPO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os 27 haicais de Mar Benegas convidam a repetidas leituras, com novas descobertas ao observar o corpo pelo olhar da linguagem po\u00e9tica. Seja pela pot\u00eancia de liberdade, a capacidade de abarcar detalhes e grandezas do mundo ou de retratar sua dureza, como nos exemplos abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Com nossas m\u00e3os<br>abrir toda gaiola.<br>Voo de aves.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Corpo inocente:<br>seu sangue derramado<br>mancha a Hist\u00f3ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>S\u00e3o s\u00f3 dois olhos<br>e cabe todo o c\u00e9u,<br>como \u00e9 poss\u00edvel?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A beleza dessas imagens fugazes, eternizadas pela palavra, coroam o sentido do livro com os gracejos harm\u00f4nicos que definem o haicai.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:16% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img decoding=\"async\" width=\"297\" height=\"540\" src=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/capa-Abecedario-do-corpo-imaginado.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-146 size-full\" srcset=\"https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/capa-Abecedario-do-corpo-imaginado.png 297w, https:\/\/site.veracruz.edu.br\/blogdaposlcj\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/capa-Abecedario-do-corpo-imaginado-165x300.png 165w\" sizes=\"(max-width: 297px) 100vw, 297px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p>Abeced\u00e1rio do corpo imaginado<br>Escrito por: Mar Benegas<br>Ilustrado por: Guridi<br>Tradu\u00e7\u00e3o: F\u00e1bio Aristimunho Vargas<br>Editora MOVpalavras<br>2015<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>BENEGAS, M. <strong>Abecedario del cuerpo imaginado.<\/strong> 1. ed. Barcelona: A buen paso, 2013.<br>BENEGAS, M. <strong>Abeced\u00e1rio do corpo imaginado.<\/strong> Trad. Fabio Aristimunho Vargas. 1. ed. S\u00e3o Paulo: Mov Palavras, 2015.<br>POUND, E. <strong>Abc da literatura.<\/strong> 12. ed. S\u00e3o Paulo: Cultrix, 2014.<br>SANTAELLA, L. <strong>Matrizes da linguagem e pensamento. <\/strong>3. ed. S\u00e3o Paulo: Iluminuras: FAPESP: 2005<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:50px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Emily Stephano \u201cO bom da poesia \u00e9 que voc\u00ea pode pular as normas.\u201d Essa \u00e9 a frase final de um dos trechos do rico posf\u00e1cio escrito por Mar Benegas, concluindo seu Abeced\u00e1rio do corpo imaginado (MOVpalavras, 2015) depois de vinte e sete haicais ilustrados. 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