{"id":947,"date":"2016-05-25T20:43:40","date_gmt":"2016-05-25T20:43:40","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=947"},"modified":"2016-05-25T20:43:40","modified_gmt":"2016-05-25T20:43:40","slug":"viver-e-perigoso","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/25\/viver-e-perigoso\/","title":{"rendered":"Viver \u00e9 perigoso"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Tomaz Amaral Porto Gon\u00e7alves<\/em><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/TOMAZ.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-948\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/TOMAZ-300x292.png\" alt=\"TOMAZ\" width=\"300\" height=\"292\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/TOMAZ-300x292.png 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/TOMAZ.png 608w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">De todas as frases e versos que j\u00e1 ouvi, a que mais me recordo foi \u201cviver \u00e9 perigoso\u201d. Est\u00e1 frase foi comentada por Mario Gon\u00e7alves \u2013 tamb\u00e9m conhecido como \u201cmeu av\u00f4\u201d \u2013 que est\u00e1 com 83 anos atualmente. Com sua personalidade exc\u00eantrica, engra\u00e7ada passou por v\u00e1rias aventuras ao longo de sua vida, mas as que vou contar agora s\u00e3o como uma gota de acontecimentos, num grande oceano de hist\u00f3rias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quando Palmira e Prud\u00eancio, vindos de Portugal, desembarcaram no porto do Rio de Janeiro \u2013 mal sabiam que l\u00e1 mesmo teriam um filho. No dia 23 de abril de 1933, em pleno outono, nasceu Mario. Palmira deu ordens concretas para Prud\u00eancio e seu irm\u00e3o o nomear Jorge \u2013 pois era dia de S\u00e3o Jorge.\u00a0 O que aconteceu foi exatamente o oposto do que Palmira pensava: ao chegar ao cart\u00f3rio, eles o nomearam Mario; sem mais nem menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o passar dos anos foi para uma escola p\u00fablica chamada Vera Cruz. A decis\u00e3o n\u00e3o foi tomada por seus pais e sim por ele mesmo, ao avistar piscina e quadra poliesportiva. Mas isso n\u00e3o era nada comparado ao que ele mais gostava, o lanche! Havia creme de chocolate, mingau e um monte de outras gostosuras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma \u00e9poca teve uma professora chamada Irene, ela era um doce de pessoa! Um dia na troca de lugares, Irene colocou Mario na frente porque achava que ele tinha problemas de vista. E estava correta, podendo cada dia comprovar mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela recomendou que Mario fosse ao oculista, o que ele fez. Na primeira vez que botou os \u00f3culos, saiu para dar uma olhada na rua e tomou um susto, viu um novo mundo! Formigas, sujeira e coisas que nunca tinha visto! Foi uma revela\u00e7\u00e3o inovadora<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 14 anos, saiu de casa buscando emprego. Achou trabalho de office boy \u2013 pessoa que entrega as papeladas e documentos -, mas l\u00e1 no fundo n\u00e3o gostava muito. Ent\u00e3o, ele tentou fazer um teste para entrar em um cart\u00f3rio, ele ficou muito nervoso e foi mal no teste, mas mesmo assim foi contratado. Hoje em dia ele \u00e9 o titular do lugar, ou seja, nunca desista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Mario se casou duas vezes. Com a primeira mulher teve duas filhas \u2013 Marize e Marcia minhas tias -, depois se casou com Bel \u2013 minha av\u00f3 \u2013 e teve Mariana \u2013 minha m\u00e3e. Bel n\u00e3o morava na cidade do Rio de Janeiro, e sim numa cidade no sul do estado \u2013 onde Mariana iria morar por v\u00e1rios anos \u2013 Resende.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Resende \u00e9 uma cidade calma, cheia de natureza, com gente muito amig\u00e1vel. L\u00e1 eles tinham \u2013 e ainda tem \u2013 uma casa muito grande e bonita com piscina e uma mata que pertence ao terreno. Mas havia um por\u00e9m, cobras. L\u00e1 era infestado de cobras. At\u00e9 uma coral, sim verdadeira e verdadeiramente venenosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No ano letivo, meu av\u00f4 ia para o Rio trabalhar durante a semana \u2013 menos no s\u00e1bado e domingo -, ent\u00e3o Mariana e Bel ficavam sozinhas em casa. Para prevenir roubos, instalaram um alarme com feixe de luz, mas todo bichinho que passava pelo feixe disparava o alarme, e elas duas morriam de medo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Para compensar a semana no Rio, eles ficavam juntos na casa de campo. Essa casa tinha um ribeir\u00e3o que passava dentro do terreno. A casa ficava em uma cidade ao lado de Resende, Penedo. Penedo \u00e9 uma col\u00f4nia de refugiados finlandeses que fugiram durante a segunda guerra mundial. A decora\u00e7\u00e3o, a cultura, as dan\u00e7as tudo \u00e9 incr\u00edvel. Nessa cidade fica o Pico das Agulhas Negras, ele \u00e9 muito \u00edngreme, muito gelado e muito alto! Um dia Mario tentou o imposs\u00edvel, escalar o pico. Depois de muito esfor\u00e7o chegou a uma gruta, e l\u00e1 escreveu seu nome no livro dos escaladores, pensando \u201crealmente viver \u00e9 perigoso!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">As aventuras n\u00e3o ficam s\u00f3 no Brasil, mas tamb\u00e9m nas viagens. Mario teve muitas experi\u00eancias inesquec\u00edveis, como viajar para a cidade natal de seus pais, Baldos \u2013 localizada em Portugal. Nessa viagem conheceu todos os seus parentes. Ainda tem outras duas viagens favoritas, uma delas foi para Londres, onde aconteceu uma coisa marcante \u2013 posso explicar melhor porque presenciei. Est\u00e1vamos no est\u00fadio do Harry Potter, na lojinha para ser exato, e pedi para meu av\u00f4 segurar um sapo de chocolate. S\u00f3 que sem perceber, ele colocou no bolso. Quando chegou na hora de pagar, pedi o sapo, mas ele disse que tinha colocado de volta na estante, ent\u00e3o eu peguei outro. Pagamos e fomos para o hotel. Ao chegar l\u00e1, meu av\u00f4 sentiu uma coisa estranha na cal\u00e7a, quando mexeu tirou do bolso o primeiro sapo de chocolate! Hav\u00edamos roubado! N\u00e3o intencionalmente, mas roubamos! O est\u00fadio ficava a uma hora de \u00f4nibus de Londres, ent\u00e3o eu acabei comendo os dois sapos de chocolate \u2013 foi mal, n\u00e3o deu para resistir e n\u00e3o tinha como voltar para devolver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A outra viagem foi para Disney, quando tivemos uma surpresa no avi\u00e3o. Est\u00e1vamos no ar rumo a Orlando quando de repente aparece uma figura, o mais malfeito Papai Noel do mundo! Eu fiquei morrendo de medo, n\u00e3o queria que ele me visse e eu me escondia debaixo do banco. Mas claro, Mario, exercendo seu papel de av\u00f4, insistiu que eu o encarasse durante a viagem inteira. Por um lado, a situa\u00e7\u00e3o era engra\u00e7ada, mas por outro eu estava aterrorizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">E assim termina essa hist\u00f3ria de uma vida com todo esplendor e gl\u00f3ria, conquistas e descobertas, mas o que nunca muda ser\u00e1 o espa\u00e7o de Mario no cora\u00e7\u00e3o de todos n\u00f3s, leitor e escritor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tomaz Amaral Porto Gon\u00e7alves<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[14],"tags":[80,17,141],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-fh","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=947"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":949,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/947\/revisions\/949"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=947"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=947"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=947"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}