{"id":873,"date":"2016-05-25T17:53:11","date_gmt":"2016-05-25T17:53:11","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=873"},"modified":"2016-05-25T19:59:01","modified_gmt":"2016-05-25T19:59:01","slug":"sonhar-e-bom","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/25\/sonhar-e-bom\/","title":{"rendered":"Sonhar \u00e9 bom"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Marina Heck Eli<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/MARINA.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-874\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/MARINA.jpg\" alt=\"MARINA\" width=\"292\" height=\"219\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUma das coisas mais importantes da vida \u00e9 seguir seus sonhos e persistir neles\u201d, disse Matias Eli, um homem de muita coragem. Tem quarenta e cinco anos e \u00e9 meu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nasceu na Argentina em Buenos Aires, como todos de sua fam\u00edlia. Com tr\u00eas anos de idade j\u00e1 tinha os pais separados\u2015que tempos dif\u00edceis! Morou com sua m\u00e3e durante cinco anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando completou oito anos, recebeu um convite especial de seu pai, que tinha vindo morar no Brasil com sua nova esposa e seu filho Ramiro, que tamb\u00e9m nasceu na Argentina. Seu pai lhe disse: \u201cMeu filho voc\u00ea j\u00e1 mora h\u00e1 cinco anos com sua m\u00e3e. Quer vir morar comigo?\u201d Meu pai que n\u00e3o aguentava mais sua m\u00e3e lhe dizendo: \u201cVai tomar banho!\u201d ou \u201cVoc\u00ea t\u00e1 atrasado pra escola!\u201dou \u201cVoc\u00ea j\u00e1 fez a li\u00e7\u00e3o de casa?!\u201d enquanto ele estava jogando cartas com os amigos, ou no meio de uma partida de rugby\u00a0&#8211; um jogo Argentino que ele admira at\u00e9 hoje. E vendo ali uma oportunidade \u00fanica respondeu mais feliz que algu\u00e9m que acabou de ganhar na loteria: \u201cSim, sim, \u00e9 claro papai!\u201d Ele vinha para c\u00e1 apenas nas f\u00e9rias. Sentia saudades das brincadeiras do irm\u00e3o, do acolhimento do pai e das incompar\u00e1veis sobremesas da madrasta- que se chama Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou em S\u00e3o Paulo estava, apavorado, totalmente fora de si, com um medo terr\u00edvel. Ele pensava: \u201cE minha m\u00e3e, o que deve estar fazendo agora?! Comendo? Cochilando? Ai que medo!\u201d Mas ao mesmo tempo estava, embasbacado, maravilhado, mais feliz que qualquer pessoa poderia estar naquele momento. Tamb\u00e9m existiam bons pensamentos naquela cabecinha: \u201cEu vou morar com meu pai! Eu vou morar com meu pai!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Buenos Aires, naquela cidade de \u201ccongelar a alma\u201d, seus passatempos prediletos eram: jogar v\u00eddeo game, montar pequenos \u201carranha-c\u00e9us\u201d com lego, jogava rugby\u00a0como eu j\u00e1 havia dito, e assistia TV que naquela \u00e9poca era preto e branco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 no Brasil, este pa\u00eds tropical, ele adorava aprontar. Passava o dia andando de bicicleta e skate na rua, mas nunca deixou de jogar o t\u00e3o admirado <em> rugby<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando fez dez anos, aconteceu uma coisa in\u00e9dita em sua vida: sua irm\u00e3 nasceu. Claro que meu pai e seu irm\u00e3o de cinco anos ficaram morrendo de ci\u00fames da irm\u00e3zinha. Ele n\u00e3o tirava da cabe\u00e7a um \u00fanico pensamento: \u201cEssa beb\u00ea nojenta s\u00f3 sabe fazer tr\u00eas coisas: coco, chorar e dormir\u201d Quando ela cresceu um pouco meu pai come\u00e7ou a chantage\u00e1-la: \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o deixar uma fruta no p\u00e9 da minha cama, um monstro terr\u00edvel vai te devorar.\u201d A pobrezinha era pequena e ing\u00eanua e fazia tudo o que o maldoso irm\u00e3o mandava. E o Ramiro s\u00f3 ria das malvadezas de meu pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um pouco mais velho com uns onze, doze anos, ele ia a represa Guarapiranga com seus dois amigos, Lucas e Patrik\u2015 tamb\u00e9m argentinos\u2015 para velejar. Foi assim que ele criou dentro de si um certo \u201camor\u201d por esse esporte. Sua primeira velejada foi em um catamar\u00e3- um barco \u201cduplo\u201d- ele teve medo mas&#8230; Tamb\u00e9m sentiu-se como um aventureiro, prestes a descobrir novas coisas. Este sentimento significava que ele estava dando um passo de sua vida, ele estava prestes a descobrir o que queria para si, isso iria lev\u00e1-lo a fazer grandes coisas&#8230; Uma semente foi plantada dentro dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele casou-se com minha m\u00e3e- Carolina. Depois de um tempo eles perceberam que ela estava gr\u00e1vida- gr\u00e1vida de mim. Ent\u00e3o ele comprou um veleiro&#8230; Quando em uma manha dia 10 de outubro de 2005 eu decidi nascer. Matias estava no trabalho, veio voando assim que soube da not\u00edcia, pegar minha m\u00e3e para ir para a maternidade. Ele sentiu-se de um jeito inexplic\u00e1vel, pois eu sou sua primeira filha. Dois anos depois em plena madrugada, dia 9 de dezembro de 2007 sua segunda filha nasceu- a Sofia- ele se sentiu exatamente igual, por\u00e9m um pouco menos assustado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns meses depois, ele chegou s\u00e9rio para Carolina. (a semente est\u00e1 crescendo) \u201cQuero dar a volta ao mundo velejando.\u201d Minha m\u00e3e, com uma crian\u00e7a de dois anos e um beb\u00ea de colo respondeu, com os olhos marejando: \u201cSe isso vai faz\u00ea-lo, feliz v\u00e1 em frente. Siga seu sonho.\u201d Ele encantado com a resposta inesperada da mulher, come\u00e7ou a lacrimejar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dois meses depois, o barco chamado BRAVO, j\u00e1 estava pronto para partir. Ent\u00e3o Matias se despediu e seguiu em frente. Na viagem ele se sentia livre, \u00a0pronto para fazer qualquer coisa. Ele vinha nos visitar e n\u00f3s \u00edamos visit\u00e1-lo. Agora, leitor, voc\u00ea deve estar perguntando: \u201ce as viagens voc\u00ea n\u00e3o vai falar delas?\u201d Mas as viagens, j\u00e1 s\u00e3o outras hist\u00f3rias&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando ele voltou j\u00e1 tinham se passado dois anos. Desde ent\u00e3o, sua \u00faltima viagem de veleiro foi de Ubatuba at\u00e9 Paraty. Ele diz que a pr\u00f3xima volta ao mundo ir\u00e1 ser com as filhas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E com est\u00e1 hist\u00f3ria, aprendo como \u00e9 bom sonhar e realizar seus sonhos, custe o que custar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Marina Heck Eli<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[14],"tags":[117,46,116],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-e5","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=873"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":922,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions\/922"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}