{"id":689,"date":"2016-05-23T20:12:54","date_gmt":"2016-05-23T20:12:54","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=689"},"modified":"2016-05-24T16:51:00","modified_gmt":"2016-05-24T16:51:00","slug":"689","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/23\/689\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3rias de ontem e hoje"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Dora D\u2019elia Almeida Alc\u00e2ntara Machado <\/em>\u00a0<!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.bmp\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-691\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.bmp\" alt=\"1\" width=\"795\" height=\"1178\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 fil\u00f3sofo, pedagogo e tem 72 anos. Sabe de quem estamos tratando? Sobre o Fernando Jos\u00e9 de Almeida. \u00c9 sua hist\u00f3ria de vida que ser\u00e1 contada agora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando nasceu em Pirai, Rio de Janeiro, em sua casa. Nasceu com uma paralisia facial, no ano de 1943, no meio da segunda guerra mundial. Seu pai dizia que se casou s\u00f3 para n\u00e3o ir \u00e0 guerra, porque antigamente em estado de Guerra quem estava casado era dispensado do alistamento militar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia dele era pequena: tinha apenas uma irm\u00e3 quinze anos mais nova, chamada Cecilia. Entre eles dois a m\u00e3e, Dalvacir Rego Almeida, perdeu quatro filhos. Dalvacir era dona de casa e seu pai, Custodio Jos\u00e9 de Almeida, era contador da prefeitura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele era muito apegado ao tio Manequinho, dentista que tamb\u00e9m criava can\u00e1rio de briga. Manequinho sempre viajava para outras cidades, atr\u00e1s de can\u00e1rios. Uma vez quando estava voltando de viagem, com a sua fam\u00edlia inteira, o carro capotou. Logo depois desse acontecimento ele gritou: \u201cA dona Ab\u00f3bora est\u00e1 bem?\u201d. A mulher do Manequinho tinha esse apelido porque ela era meio gordinha e bem vermelha, por isso era chamada de Dona Ab\u00f3bora. Todos os filhos responderam que ela estava bem. Logo em seguida ele foi ver como estavam os passarinhos que ele tinha comprado!\u00a0 Ele tamb\u00e9m gostava muito de sua av\u00f3, Maria do Espirito Santo de Almeida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando tinha muitos amigos que fez na escola, na vizinhan\u00e7a e at\u00e9 ficou amigo dos amigos dos seus outros amigos. Ele tem um amigo de inf\u00e2ncia at\u00e9 hoje, o Danilo, seu parceiro de muitas hist\u00f3rias, risadas, brincadeiras&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele brincava de muita coisa na rua. Gostava de jogar bola no campinho que tinha em frente a sua casa, tamb\u00e9m de jogar bolinha de gude na cal\u00e7ada, ir ao cinema com os amigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na escola at\u00e9 a 4\u00aa s\u00e9rie ele tirava tudo 10, ent\u00e3o os padres \u2013 ele estudava em uma escola de jesu\u00edtas \u2013 acharam que ele era muito inteligente e o adiantaram de ano da 4\u00aa s\u00e9rie foi para a 6\u00aa. Mas quando ele chegou na 6\u00aa s\u00e9rie os meninos eram muito mais inteligentes que ele, e nessa escola tinha aquilo de \u201cser o melhor aluno da sala\u201d. Como ele tinha pulado de ano, \u00e0s vezes ele ficava em \u00faltimo lugar, por conta de n\u00e3o ter aprendido o que os colegas aprenderam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando pequeno queria uma profiss\u00e3o: ser maquinista da Estrada de Ferro, porque o trem atravessava a cidade levando materiais e pessoas para todos os lugares. Ele achava isso muito fascinante e talvez, pelo mesmo motivo, tamb\u00e9m tenha pensado depois em ser motorista de caminh\u00e3o. Quando mais velho, n\u00e3o tanto assim, aos 12 anos, quis ser padre, porque em seu col\u00e9gio os padres eram \u00f3timos professores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante toda sua inf\u00e2ncia Fernando colecionou uma por\u00e7\u00e3o de traquinagens e uma das mais marcantes que se recorda foi essa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um belo dia, n\u00e3o t\u00e3o belo assim, teve uma \u201cbrilhante\u201d ideia. Queria matar uma galinha, mas n\u00e3o de um jeito comum, ele quis inovar e matar a pobre galinha com uma ratoeira. Foi mais ou menos assim: ele colocou \u201cmilho ante milho\u201d at\u00e9 chegar na ratoeira, e p\u00f4r fim colocou o \u00faltimo milho em cima da ratoeira. S\u00f3 ficou de olho para ver quando a galinha ia acostar-se. Quando a galinha viu a trilha de milhos foi seguindo um por um. A galinha foi andando devagar, mas foi, e quando ela chegou no \u00faltimo milho, a ratoeira fechou no pesco\u00e7o da coitada e ela morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A casa de Fernando era uma casa muito comum com 3 quartos, 1 cozinha, 3 salas. O mais legal da casa inteira era a varanda, porque ao mesmo tempo que era uma varanda tamb\u00e9m era uma garagem. Enquanto o carro n\u00e3o estava l\u00e1 tinha mesas e cadeiras e o Fernando ficava brincando ali, quando o carro chegava, dava umas buzinadas e todo mundo ia ajudar a tirar as coisas para o carro entrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele tinha tamb\u00e9m uma casa de praia em Araruama. L\u00e1 seu pai brincava com ele fazendo barcos de cocos vazios: pegavam- os e colocavam um galho e uma folha no centro. Tamb\u00e9m jogavam bola juntos na areia branquinha da praia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos 15 anos, pela primeira vez veio desacompanhado, de trem, de Friburgo a S\u00e3o Paulo com autoriza\u00e7\u00e3o de viagem (\u00e9 claro). Antigamente s\u00f3 a partir dos 18 anos os jovens ou crian\u00e7as podiam viajar sem autoriza\u00e7\u00e3o de viagem, hoje em dia a partir dos 16 j\u00e1 pode.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando tinha 17 anos, isso era por volta de 1961, fez uma \u201csuper viagem\u201d. Ele fazia parte de um grupo de 3 amigos e 1 padre, seu professor de latim daquela \u00e9poca. Fizeram uma viagem de mais ou menos 1 m\u00eas de dura\u00e7\u00e3o, pela Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquela \u00e9poca eles tinham pouco dinheiro, ent\u00e3o tiveram que fazer essa viagem n\u00e3o apenas de avi\u00e3o como tamb\u00e9m de \u00f4nibus, caminh\u00e3o e trem, al\u00e9m do avi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7aram por Minas em uma cidade chamada Cordisburgo, justamente aonde Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa, o autor do livro: Grande Sert\u00e3o Veredas, nasceu (Fernando amava ler!). Ele j\u00e1 tinha lido o livro ent\u00e3o a cada lugar que passavam Fernando percebia que as paisagens que via tamb\u00e9m estavam descritas no livro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cidade seguinte que eles foram visitar foi Bras\u00edlia- que naquele tempo s\u00f3 tinha 3 anos de inaugurada. Tudo ainda estava em constru\u00e7\u00e3o, todas as ruas eram feitas de um tipo de barro meio avermelhado. De l\u00e1 eles foram para Araguaia, e essa viagem deve ter sido incr\u00edvel, porque eles foram em um lugar diferente, que quase ningu\u00e9m vai, e esse lugar era dentro do avi\u00e3o: eles foram na cabine do piloto!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida foram para Cuiab\u00e1, e l\u00e1 eles tiveram a chance de dormir pela primeira vez em uma rede, era uma cabana meio redonda coberta de capim e l\u00e1 dentro tinha um tronco central aonde cada um pendurava sua rede. Ainda em Mato Grosso foram para Corumb\u00e1, mas n\u00e3o ficaram muito tempo l\u00e1. De l\u00e1 foram para Utiariti na carroceria de um caminh\u00e3o, e nesse caminh\u00e3o tinha um monte de sacos de arroz e feij\u00e3o, al\u00e9m de outros mantimentos para os \u00edndios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem foi seguindo pela Bol\u00edvia, Argentina, Paraguai e Uruguai. E no final dessa viagem eles voltaram para o Brasil e acamparam com os \u00cdndios durante 15 dias. A aldeia era chamada de Utiariti. Nessa aldeia eles tomaram banho de cachoeira, viajaram com os \u00edndios aonde n\u00e3o tinha nem luz, nem pontes, nem cidades, nem nada!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E esses 15 dias foram os \u201c\u00faltimos rastros\u201d da viagem pela qual Fernando teve diferenciadas experi\u00eancias que s\u00e3o muito dif\u00edceis de ter e esquecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando sempre gostou muito de ajudar as pessoas, n\u00e3o s\u00f3 as que conhecia, mas todas, (digamos que o mundo inteiro). Foi justamente por isso que ele quis ser padre, porque ele achava que dessa forma ele iria incentivar as pessoas do mundo a estudar, e estudando as pessoas poderiam viajar e conhecer culturas diferentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando quando mais velho continuou gostando de ajudar a sociedade. E ele acha que tem 2 jeitos \u201cmuito fortes\u201d de fazer a diferen\u00e7a no mundo: o primeiro \u00e9 acreditar e fazer uma sociedade mais justa, um lugar em que n\u00e3o exista Guerra ou fome. O segundo jeito \u00e9 dar aulas, ensinando as coisas importantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda op\u00e7\u00e3o foi a que ele quis seguir, de ser professor, e ele prosseguiu com essa \u201ccarreira\u201d at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando em 1966 veio para S\u00e3o Paulo, fazer um curso de Filosofia. Nesse tempo estudava como jesu\u00edta. Em 1968 ele desistiu de ser padre para estudar Pedagogia e veio novamente para essa cidade, pelo estudo. E depois que veio em 1968, ficou at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando veio morar aqui, manteve s\u00f3 a rela\u00e7\u00e3o com os parentes que estavam no Rio de Janeiro. N\u00e3o manteve com os amigos, porque a maioria deles era daqui mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje em dia \u00e9 professor na Universidade Cat\u00f3lica e tamb\u00e9m \u00e9 coordenador da \u00e1rea internacional da Secretaria Municipal da Educa\u00e7\u00e3o de S.P.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz o que gosta e o que sempre quis fazer e, segundo ele, \u00e9 bem mais do que imaginava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernando pode e deve se orgulhar muito do lugar onde est\u00e1 hoje, e de quando olha para tr\u00e1s. Porque ele vem de um lugar aqui perto, mas que tem muitas hist\u00f3rias incr\u00edveis, que ele conta e at\u00e9 hoje fica, (todos ficamos) fascinados com tudo isso que acontece a nossa volta, que a gente nem sabe, ou percebe, que est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maneira como enfrentamos os desafios que achamos no meio do longo caminho da vida, nos define, mas o modo como contamos o que vivemos tamb\u00e9m \u00e9 revelador da atitude e do car\u00e1ter de algu\u00e9m. O jeito descontra\u00eddo, divertido e \u201csolto\u201d de Fernando permite vislumbrarmos uma daquelas pessoas que n\u00e3o necessitam de aplausos, elas encontram a recompensa em cada momento bom que presenciam, dentro de si. Isso tamb\u00e9m \u00e9 um desafio, uma vit\u00f3ria e tanto. Mas, \u00e9 claro, ele n\u00e3o iria se gabar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-3.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-692\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-3-300x194.png\" alt=\"1\" width=\"300\" height=\"194\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-3-300x194.png 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-3-768x497.png 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-3.png 793w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-4.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-690\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-4-300x236.png\" alt=\"2\" width=\"300\" height=\"236\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-4-300x236.png 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-4.png 713w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dora D\u2019elia Almeida Alc\u00e2ntara Machado \u00a0<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[33],"tags":[94,93,75],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/s7wWE5-689","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=689"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":747,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/689\/revisions\/747"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=689"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=689"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=689"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}