{"id":642,"date":"2016-05-22T09:00:04","date_gmt":"2016-05-22T09:00:04","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=642"},"modified":"2016-05-22T16:54:33","modified_gmt":"2016-05-22T16:54:33","slug":"memorias-de-alguem-que-nunca-parou","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/22\/memorias-de-alguem-que-nunca-parou\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de algu\u00e9m que nunca parou"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Beatriz Fran\u00e7a de Azevedo Bittar<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-643 alignleft\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/beatriz-celia-violeta-300x225.jpg\" alt=\"beatriz-celia-violeta\" width=\"300\" height=\"225\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/beatriz-celia-violeta-300x225.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/beatriz-celia-violeta-768x576.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/beatriz-celia-violeta-1024x768.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>Esse algu\u00e9m \u00e9 uma senhora chamada C\u00e9lia Violeta, ela tinha tr\u00eas irm\u00e3os \u2013 Maria Lucia, Augusto e Rui. Ele era a segunda e nasceu em S\u00e3o Paulo em 1924 no dia 22 de agosto. Suas mem\u00f3rias s\u00e3o maravilhosas! E voc\u00eas as conheceram agora, \u00e9 s\u00f3 abrir bem os olhos e ler!<\/p>\n<p>Um dia divertido para C\u00e9lia foi quando foram de bonde para a cidade e o bonde era o n\u00famero 41, mas ela e os irm\u00e3os entraram no n\u00famero 40, ent\u00e3o a m\u00e3e dela entro<a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/beatriz-celia-violeta.jpg\"><br \/>\n<\/a>u no bonde correndo brava, pegou todos pela camiseta e eles tiveram que sair todos pela porta de novo atropelando todo mundo que estava subindo. Nesse dia C\u00e9lia se divertiu muito com seus irm\u00e3os! Enquanto sua m\u00e3e brava gritava com todos, o quarteto ria sem parar! Esse bonde sa\u00eda da Pra\u00e7a do Patriarca e ia para a Pra\u00e7a Roosevelt. Naquela \u00e9poca ainda n\u00e3o existia a avenida Nove de Julho.<\/p>\n<p>A brincadeira preferida da C\u00e9lia Violeta era brincar em cima das \u00e1rvores. Cada irm\u00e3o dela e ela tinham uma \u00e1rvore, uma \u00e1rvore que era como uma casa. Cada um tinha a sua, eles as chamavam de Casuarinas, essas \u00e1rvores possu\u00edam troncos firmes, ent\u00e3o ela e seus irm\u00e3os, amarrando um grande peda\u00e7o de madeira entre as \u00e1rvores, atravessavam tranquilamente para as \u201ccasas\u201d de seus irm\u00e3os, tamb\u00e9m passavam brinquedos e objetos amarrando cordas nos peda\u00e7os de madeira e amarrando essas cordas nos objetos.<\/p>\n<p>Naquela \u00e9poca muita crian\u00e7a brincava na rua e ela tamb\u00e9m brincava. Se divertia muito com os amigos do bairro, e que se lembre brincava de: pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, bolinha de gude etc&#8230; No seu quintal o que ela lembra de brincar \u00e9 de bar. Ela e seus irm\u00e3os pegavam uma t\u00e1bua de madeira e uma pessoa ficava atr\u00e1s, os outros chegavam e diziam com uma voz grossa, dando um soco na mesa: \u201cMe d\u00e1 uma pinga!\u201d E a pessoa atr\u00e1s da t\u00e1bua dava um copo com \u00e1gua, fingindo ser uma pinga. A inf\u00e2ncia de C\u00e9lia foi muito boa.<\/p>\n<p>As escolas antigamente eram parecidas com as de hoje, mas em sua opini\u00e3o eles aprendiam muito menos porque hoje a gente j\u00e1 \u201cnasce sabendo\u201d muito mais coisas.<\/p>\n<p>C\u00e9lia Violeta nunca foi dedicada aos estudos, queria que fosse f\u00e9rias o tempo todo e s\u00f3 nos feriados, que n\u00e3o s\u00e3o muitos, ela iria \u00e0 escola.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a ela disse que n\u00e3o existia esse neg\u00f3cio de brigar com os irm\u00e3os pelo menos em sua casa, era s\u00f3 discuss\u00e3o. Aqui vai um exemplo:<\/p>\n<p>Os dois irm\u00e3os de C\u00e9lia discutiam na mesa batendo a unha do dedo indicador na mesa, ent\u00e3o come\u00e7avam a falar:<\/p>\n<p>&#8211; Pai! Ele est\u00e1 provocando!<\/p>\n<p>A\u00ed o outro:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o estou, n\u00e3o!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o come\u00e7ava a discuss\u00e3o. Disso ela se lembra muito bem, se lembra dando risada. Um dia, cansada, come\u00e7ou a gritar com os irm\u00e3os:<\/p>\n<p>&#8211; PONHA-SE NO RID\u00cdCULO!!!<\/p>\n<p>Ent\u00e3o a pessoa que estava discutindo via que estava sendo rid\u00edcula, que estava discutindo por nada e parava. C\u00e9lia n\u00e3o era de discutir, mas \u00e0s vezes ficava contrariada. Sua irm\u00e3 mais velha L\u00facia, toda vez antes de irem dormir se escondia atr\u00e1s da porta para assustar C\u00e9lia. Ela sabia que a irm\u00e3 estaria l\u00e1, mas, mesmo assim, gritava de susto. Outra coisa que C\u00e9lia ficava contrariada com a irm\u00e3 era porque ela tinha um orat\u00f3rio com uns santinhos bem pequenos que ela deixava em seu criado-mudo, mas sua irm\u00e3 sempre entrava no quarto correndo e derrubava tudo. Ent\u00e3o, C\u00e9lia abria o orat\u00f3rio e arrumava tudo de novo. Logo depois, L\u00facia entrava de novo no quarto e derrubava tudo, novamente. C\u00e9lia arrumava tudo outra vez, e assim por diante.<\/p>\n<p>A primeira vez que foi no cinema, foi com sua av\u00f3. Ela tinha 4 ou 5 anos, o filme que fora assistir era sobre cavalos, mas tudo em preto e branco. Nesse dia ela nem sequer prestou aten\u00e7\u00e3o no filme, pelo contr\u00e1rio, queria que o filme acabasse logo para ir para tr\u00e1s da tela ver e passar a m\u00e3o nos cavalos. Ela pensava que tinham pessoas, animais&#8230; atr\u00e1s da tela e eles que produziam o filme, como num teatro. N\u00e3o tinha nem no\u00e7\u00e3o de como funcionava um cinema.<\/p>\n<p>C\u00e9lia acha que a cidade antigamente era maravilhosa igual \u00e0 de hoje, mas n\u00e3o tinha pr\u00e9dios e em alguns caminhos s\u00f3 havia mato. Por\u00e9m j\u00e1 existia o Viaduto do Ch\u00e1, e o Teatro Municipal.<\/p>\n<p>Quando a televis\u00e3o chegou ela tinha aproximadamente 30 anos, o telefone j\u00e1 existia, mas n\u00e3o era igual ao de hoje, para ligar voc\u00ea tinha que ir at\u00e9 a telefonista para pedir que ela fizesse a liga\u00e7\u00e3o, e o telefone n\u00e3o era de teclado ele era de discar. Ela se lembra das horas que ficava na fila para fazer apenas uma pequena liga\u00e7\u00e3o!<\/p>\n<p>Quando ela era mo\u00e7a, era feio mulher trabalhar porque parecia que os homens eram incompetentes, na opini\u00e3o de C\u00e9lia era um tamanho desperd\u00edcio.<\/p>\n<p>Ela morava na dona Hipolita que era o nome de uma grande fazenda, e agora essa rua \u00e9 Gabriel Monteiro da Silva. As ruas n\u00e3o eram asfaltadas e a rua dela tamb\u00e9m n\u00e3o. Diferente de hoje.<\/p>\n<p>Quando mo\u00e7a, frequentava bailes, onde se divertia muito! \u00a0Ela dan\u00e7ava bastante, mas os bailes eram diferentes dos de hoje.<\/p>\n<p>C\u00e9lia desde pequena vai \u00e0 praia de Itanha\u00e9m. Acordava \u00e0s cinco da manh\u00e3, ia at\u00e9 a esta\u00e7\u00e3o da luz, pegava o trem at\u00e9 Santos e sa\u00eda na esta\u00e7\u00e3o Juqui\u00e1. Chegava em Itanha\u00e9m e descia no arei\u00e3o com sua mala \u00e0s 17:30 da tarde. Um dia inteiro de viagem, o que hoje demora s\u00f3 uma hora.<\/p>\n<p>Hoje, C\u00e9lia \u00e9 uma senhora divertida e engra\u00e7ada, que mora no Tabo\u00e3o da Serra em um s\u00edtio bem legal. Fez Ioga muito tempo, e agora vive fazendo festas, recebendo visitas e passeando por a\u00ed!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Beatriz Fran\u00e7a de Azevedo Bittar<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[15],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-am","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/642"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=642"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/642\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":644,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/642\/revisions\/644"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=642"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=642"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=642"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}