{"id":635,"date":"2016-05-20T18:01:35","date_gmt":"2016-05-20T18:01:35","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=635"},"modified":"2016-05-24T18:00:42","modified_gmt":"2016-05-24T18:00:42","slug":"viajando-todo-dia","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/20\/viajando-todo-dia\/","title":{"rendered":"Viajando todo dia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Tom\u00e1s Barbara Valentim<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisabeth e seus irm\u00e3os eram t\u00e3o animados, que n\u00e3o conseguiam esperar absolutamente nada. Sempre iam para casa de sua av\u00f3. Como era a mais velha tinha que se controlar mais que os outros. Mas por dentro, se animava como uma bomba prestes a explodir! Al\u00e9m de ser uma garota que gostava muito de falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Tomas.bmp\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-756\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Tomas.bmp\" alt=\"Tomas\" width=\"1755\" height=\"1275\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Iam de trem. Uma alegria e satisfa\u00e7\u00e3o para todos: ela, seus irm\u00e3os Ant\u00f4nio e Margareth, e sua m\u00e3e Juliska. Iam para casa de sua av\u00f3 todas as f\u00e9rias, todos os dias. Sua av\u00f3 n\u00e3o morava sozinha. Morava com seu filho Jos\u00e9 Carlos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como crian\u00e7as comuns, gostavam de um bom doce. Mas n\u00e3o tinha um doce especial e sim um monte de doces, de bolo, o \u201cmil folhas\u201d. Tinha de tudo. Muito mais muito bom. Pois sua av\u00f3 n\u00e3o gostava de cozinhar, amava cozinhar. Mas entre tantos doces, uma fruta marcante foi a melancia. Porque sua av\u00f3 comprava o carrinho inteiro e guardava-as no por\u00e3o com seus irm\u00e3os. E como ela adorava.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fazenda adorava criar brincadeiras. E tamb\u00e9m gostava de fazer deliciosos piqueniques, onde traziam um monte de gostosuras e garrafinhas de guaran\u00e1 ca\u00e7ula de vidro, caminhar bastante e nadar no rio do lado. Como tinha medo, s\u00f3 seus irm\u00e3os andavam a cavalo (nem mesmo tentaria subir em um).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Elisabeth adorava ler. Todo tipo de livro. Trazia consigo seus livros, grossos e grandes. Mas n\u00e3o era s\u00f3 para ela ler, para sua av\u00f3 tamb\u00e9m. E quando acabava a leitura dava os livros para sua av\u00f3 (j\u00e1 que morava em um lugar sem biblioteca).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda com as estrelas no c\u00e9u, sua av\u00f3 j\u00e1 estava de p\u00e9. A quatro horas da Elisabeth trazia v\u00e1rios livros para ler. E quando os terminava dava eles para sua manh\u00e3. Mas n\u00e3o porque queria, mas sim porque tinha seus afazeres, como cozinhar, limpar e arrumar, ainda que tivesse duas pessoas ajudando-a em sua moradia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua av\u00f3 e sua m\u00e3e s\u00e3o imigrantes. Vieram de Budapeste, na Hungria, com cinco filhos: Juliska (sua m\u00e3e), Tereza, Miguel e Mareta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aproximadamente aos dez anos nas f\u00e9rias, Elisabeth foi para a casa de sua av\u00f3, como sempre fazia. Ent\u00e3o, em uma noite qualquer todos foram dormir: Jos\u00e9 Carlos e Ant\u00f4nio em um quarto, Juliska, Margareth e Elisabeth em outro, e sua av\u00f3 no quarto ao lado. As tr\u00eas garotas foram se deitar, quando viram uma aranha, enorme e peluda. Uma confus\u00e3o sem fim. As duas filhas ficaram com medo e come\u00e7aram a berrar estrondosamente! Sua av\u00f3 ouviu os gritos e perguntou o que estava acontecendo. Como sua m\u00e3e sabia que ela ficaria triste, disse que estava tudo bem. N\u00e3o queria deix\u00e1-la sem gra\u00e7a. \u00a0Ent\u00e3o foi at\u00e9 a cozinha, pegou uma vassoura e a matou. Mas n\u00e3o conseguia dormir, nem mesmo se chamasse um g\u00eanio da l\u00e2mpada, pensando: \u201cvai chegar outra, vai chegar outra, vai chegar outra&#8230;\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Tomas2.bmp.bmp\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-758\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/Tomas2.bmp.bmp\" alt=\"Tomas2.bmp\" width=\"1755\" height=\"1275\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos depois, cheios de alegria e divers\u00e3o, acontecimentos e mem\u00f3rias inesquec\u00edveis, Elisabeth se casou e teve um filho chamado Fabio, (que se tornou arquiteto) teve dois filhos, Tom\u00e1s e Rosa. Depois de certo tempo Elisabeth se separou, casou-se novamente e teve mais dois filhos, chamados Guilherme e Rita. Guilherme (que se tornou m\u00e9dico) teve duas filhas, Helena e Isabel. Rita (que tornou -se cozinheira com um programa de televis\u00e3o) teve um filho e uma filha, Dora e Gabriel. Mais tarde, tomou-se uma professora de sociologia na PUC. E para completar, arranjou uma cadela chamada Pipoca, que trouxe muita alegria para essa fam\u00edlia cheia de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sendo professora, inspirou-se para fazer doutorado, e na sua dedicat\u00f3ria ofereceu em homenagem a sua av\u00f3, Margit K\u00e1r\u00e1szt Nagy, por tudo que fez por ela. Foi gra\u00e7as a sua av\u00f3 que ela conseguiu uma boa hist\u00f3ria para ser contada em um texto de mem\u00f3rias. \u201cEntre tantas recorda\u00e7\u00f5es em sua vida, voc\u00ea sempre acha uma para se inspirar no dia-a-dia.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tom\u00e1s Barbara Valentim<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[33],"tags":[65,75,76],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-af","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/635"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=635"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":760,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/635\/revisions\/760"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}