{"id":597,"date":"2016-05-20T17:07:18","date_gmt":"2016-05-20T17:07:18","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=597"},"modified":"2016-05-20T17:07:18","modified_gmt":"2016-05-20T17:07:18","slug":"desde-sempre-aqui","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/20\/desde-sempre-aqui\/","title":{"rendered":"Desde sempre aqui"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Alice Molina Baracui<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-604\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-194x300.png\" alt=\"1\" width=\"194\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1-194x300.png 194w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/1.png 581w\" sizes=\"(max-width: 194px) 100vw, 194px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora ela \u00e9 a pessoa mais feliz que se pode conhecer, por saber reconhecer em quase tudo algo bom e por n\u00e3o desistir. \u00c9 a pessoa que concorda com tudo que n\u00e3o seja \u201cruim\u201d, a pessoa que concordou em contar tantas hist\u00f3rias maravilhosas que ser\u00e3o contadas agora para voc\u00eas. Ent\u00e3o, vamos come\u00e7ar pelo come\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Em1947, na cidade de S\u00e3o Paulo (SP), nasceu Elizabeth, a tempor\u00e3 da fam\u00edlia, nove anos mais nova que sua irm\u00e3. \u00a0Morou at\u00e9 os quatro anos em um apartamento, quando se mudou para um hotel. No momento achou a ideia diferente e surpreendente e at\u00e9 ficou amiga do ascensorista: mexia em uma manivela dourada que abria a porta de ferro, apertava os bot\u00f5es e batia papo com ele.\u00a0 Depois de um tempo, come\u00e7ou a achar que o lugar era meio pequeno e lembrou que estava morando em um hotel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso, em protesto por morar l\u00e1, jogava canecas, panelas, pratos, pires e copos de brinquedo pela janela. \u2013imagine se ca\u00edsse na cabe\u00e7a de algu\u00e9m, n\u00e3o ia dar certo-<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos cinco anos se mudou novamente, mas desta vez para um pr\u00e9dio, grande mesmo, de vinte e quatro andares, com dez apartamentos pequenos em cada andar. E ela morava no d\u00e9cimo terceiro. L\u00e1 ficou at\u00e9 completar 18 anos. Nesse pr\u00e9dio morava uma menina que todos chamavam de Mariolina. Ela virou sua nova amiga e vizinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As duas brincavam de cabaninha com cadeiras, panos, len\u00e7\u00f3is, colchas e travesseiros. Tamb\u00e9m brincavam de se vestir com roupas das m\u00e3es; pegavam vestidos, saias, len\u00e7os, cachec\u00f3is, sapatos de salto alto e desfilavam pelo pr\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aos oito anos e sua irm\u00e3 com dezessete, tiveram a brilhante ideia de fazer um jornal: O Urro. Ele tinha v\u00e1rias sess\u00f5es: quadrinhos, piadas, o cantinho da menina mo\u00e7a, que era como se fosse uma p\u00e1gina de um di\u00e1rio de uma menina de dez ou onze anos e os filmes da semana, que era uma goza\u00e7\u00e3o com algu\u00e9m, por exemplo; se uma velha passasse a morar no pr\u00e9dio, um dos filmes da semana seria: O dinossauro, e se tivesse um vazamento de um cano que inundava o corredor : O N\u00e1ufrago- Zelador. E talvez seja por isso que ele sempre arrancava o exemplar que elas colocavam no elevador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas f\u00e9rias todos os dez primos, incluindo ela e sua irm\u00e3, viajavam para Campos de Jord\u00e3o para brincar de in\u00fameras coisas, mas o que a Beth n\u00e3o brincava era de bicicleta, skate, ou patins. N\u00e3o por sentir medo (isto tamb\u00e9m um pouco), mas s\u00f3 por n\u00e3o saber \u2019\u2019us\u00e1-los\u2019\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma idea genial veio na cabe\u00e7a de Claudio seu \u00fanico primo de mesma idade, \u201c\u2019voc\u00ea sobe na bicicleta do meu pai \u00a0e \u00a0eu vou te segurando enquanto a gente vai descendo a ladeira\u201d. \u00a0Ela confiou e subiu na enorme bicicleta do tio prestes a descer a rampa mais que enorme, mais que \u00edngreme, sem pensar que era de terra e cheia de pedras. \u201dEu seguro, eu n\u00e3o solto\u2019\u2019.- pensava&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Voc\u00eas j\u00e1 sabem o que deve ter acontecido: estava t\u00e3o r\u00e1pido, mais t\u00e3o r\u00e1pido que&#8230; Soltou&#8230; Agora sim estava r\u00e1pido cada vez mais, Beth n\u00e3o sabia o que a arrepiava, se era medo, raiva, susto ou\u00a0 qualquer outra sensa\u00e7\u00e3o. Tanta a\u00e7\u00e3o que ela nem percebeu que estava andando de bicicleta. Um jeito r\u00e1pido e traum\u00e1tico de se aprender.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficava hospedada na casa de Claudio e gostava por muitos motivos. Um deles era a brincadeira da carta enigm\u00e1tica: quando ele ia ao mercado, na padaria ou em algum lugar assim, ele deixava uma carta com desenhos flechas, n\u00fameros e desenhos. Essa era uma de muitas brincadeiras que fazia todos que moravam l\u00e1 ou s\u00f3 estavam um tempo, se divertirem muito. Al\u00e9m de brincar, gostavam de passear pelo cemit\u00e9rio -de dia \u00e9 claro- por medo de fantasmas, bruxas, m\u00famias ou lobisomens.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma de suas paix\u00f5es sempre foi o carnaval: bloco dos primos, todos com fantasias feitas por sua tia. Guerra de lan\u00e7a perfume (um objeto usado para soltar um cheiro que deixa as pessoas tontas &#8211; claro que agora proibiram -), m\u00fasica, carros aleg\u00f3ricos, confete, serpentina, ruas apinhadas de gente animad\u00edssima e com fantasias de todo tipo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quase dezesseis anos depois, ela se casou e se formou em Artes Pl\u00e1sticas, anos muito felizes. Alguns anos depois nasceu Joana, sua filha mais velha, e Pedro, o mais novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante tr\u00eas anos e meio chegavam muito cedo na escola porque Beth era professora de biblioteca. Por vinte e tr\u00eas anos foi professora de Artes e por dez, de teatro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os quatro se mudaram para a Granja Viana quando o mais novo completou sete anos. Naquela \u00e9poca, a Granja era bem \u201crural\u201d, tinha poucas casas, rua de terra e mato, muito mato. Por isso muitas coisas bem diferentes aconteceram. J\u00e1 conheceu algu\u00e9m, qualquer um, que teve uma cobra ou aranha de estima\u00e7\u00e3o? Vai ver ent\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pedro ficava procurando cobras ou aranhas no mato. Um dia achou uma cobra verde, chamou o pai que a levou para o instituto Butant\u00e3.\u00a0 L\u00e1 disserem que ela n\u00e3o era nem venenosa nem agressiva, o que a permitia virar um bichinho de estima\u00e7\u00e3o.\u00a0 Assim feito, ele a colocou em um aqu\u00e1rio e a alimentava com insetos que achava no mato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dia ele voltou de casa e n\u00e3o tinha cobra nenhuma no aqu\u00e1rio, entrou em desespero e ouviu a faxineira gritar \u201cUma cobra, uma cobra!!\u201d. Ele correu para a sala falando para n\u00e3o a matar porque era dele, por pouco <u>\u201cadeus cobra\u201d<\/u>, pois a faxineira j\u00e1 estava com uma vassoura na m\u00e3o prestes a mat\u00e1-la. N\u00e3o foi dessa vez, mas tempos depois, ela fugiu para o mato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mesmo tipo de \u201cca\u00e7a bicho no mato\u201d ele achou v\u00e1rias aranhas, armadeiras e caranguejeiras, tamb\u00e9m ficou com elas, mas desta vez, foi diferente porque elas n\u00e3o eram mansas e tinham veneno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cobra, aranha, s\u00f3 faltava terem um cavalo, uma on\u00e7a, ou uma raposa de estima\u00e7\u00e3o. Um dia Pedro, Joana e Norberto, seu pai, foram para uma festa e Beth ficou sozinha em casa, come\u00e7ou a ouvir ums barulhos, de quando pisamos no mato. \u201cSer\u00e1 um ladr\u00e3o?\u201d pensou ela, e os cachorros come\u00e7aram a latir. Ela chamou a pol\u00edcia, rapidamente chegaram quatro carros da pol\u00edcia. Estavam vasculhando todo o terreno de ponta a ponta, quando os tr\u00eas \u201cfesteiros\u201d chegaram assustados. Os policiais disseram que a \u00fanica coisa que acharam foi um cavalo e pediram um saco de supermercado para catar abacates do p\u00e9. Os policiais ficaram subindo no p\u00e9 de abacate as tr\u00eas da manh\u00e3, atrapalhando o sono dos quatro que queriam dormir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No fundo da casa havia uma porta que dava para um jardim muito grande com um muro que o separava do mato. Um dia encontraram no jardim uma raposa do tamanho de um cachorro m\u00e9dio-grande. Quando tentavam chegar perto dela, por medo, ela amea\u00e7ava avan\u00e7ar. Por isso tiveram que chamar os bombeiros para peg\u00e1-la e a devolver para o mato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente o epis\u00f3dio sobre a on\u00e7a. Quando Pedro estava indo para a faculdade, no caminho do carro, viu uma on\u00e7a h\u00e1 uns trinta metros de dist\u00e2ncia, correu para o carro e foi \u201cfaculdade a fora\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Beth estava indo dar aula de Artes Pl\u00e1sticas quando um guarda a parou s\u00f3 para ver os documentos do carro.\u00a0 Como podem imaginar, nada estava em dia. Teriam que apreender o carro dela se n\u00e3o fosse uma conversinha: \u201ceu sou professora, ganho pouco&#8230;.\u201d \u201cespera, professora aonde?\u201d perguntou o policial \u201cna escola Makenzie, no Butant\u00e3 \u201d o guarda falou que sua noiva estudava l\u00e1 e que o nome dela era Beta. \u201cBeta, ela \u00e9 minha aluna\u201d disse Beth e completou \u201cse voc\u00ea me multar, eu vou dar nota baixa para Beta\u201d . Ele a liberou e os dois ficaram felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por falar das alunas, s\u00f3 as mais bem comportadas ganhavam filhotes. Voc\u00ea deve estar se perguntando que filhotes, os filhotes da cadela da Beth, Preta, que teve uma ninhada de 9 cachorrinhos, uma de 10 e uma de11. Entre os trinta, havia um que era menor, mais magro e n\u00e3o conseguia mamar. Ela o colocava no sof\u00e1 para ele conseguir o leite. Quando eles aprendiam a comer, Beth\u00a0 conprava\u00a0 ra\u00e7\u00e3o , batia no liquidificador com \u00e1gua e colocava em uma bacia para todos comerem de l\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com dois meses os c\u00e3es iam para seus futuros donos, e como era professora, fazia uma lista com o nome dos alunos que queriam ficar com uma das \u201cbolas de pelo\u201d e colocava os maus comportados para o final. Para ter certeza que as casas de alguns n\u00e3o era pequena, ela ia visitar, para fazer a \u201clista final\u201d. Levava de 3 em 3 cachorrinhos para secretaria da escola\u00a0 e no final da aula, as alunas os escolhiam e levavam para casa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente ela tem tr\u00eas netas: uma filha de Joana, a Cecilia e duas filhas do Pedro Dora e Alice . Mora em uma aconchegante casinha, n\u00e3o mais na Granja e desde sempre aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-1.png\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-medium wp-image-605\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-1-176x300.png\" alt=\"2\" width=\"176\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-1-176x300.png 176w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/2-1.png 522w\" sizes=\"(max-width: 176px) 100vw, 176px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alice Molina Baracui<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[33],"tags":[54,63,64],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-9D","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=597"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":606,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/597\/revisions\/606"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=597"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=597"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=597"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}