{"id":434,"date":"2016-05-20T16:00:42","date_gmt":"2016-05-20T16:00:42","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=434"},"modified":"2016-05-22T17:06:17","modified_gmt":"2016-05-22T17:06:17","slug":"92-anos-de-vida-muitas-historias-para-contar","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/20\/92-anos-de-vida-muitas-historias-para-contar\/","title":{"rendered":"92 anos de vida: muitas hist\u00f3rias para contar"},"content":{"rendered":"<p>Por Ricardo Maman Millan<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/ricardo-lourdes.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-432\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/ricardo-lourdes-1024x682.jpg\" alt=\"ricardo-lourdes\" width=\"806\" height=\"537\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/ricardo-lourdes-1024x682.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/ricardo-lourdes-300x200.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/ricardo-lourdes-768x512.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lourdes tem 92 anos de vida e \u00e9 minha av\u00f3. Nasceu em 18 de junho de 1924, morou quando pequena em Pirassununga. Tem muitas mem\u00f3rias interessantes, diferentes, malucas e divertidas para nos contar com muita alegria. Ela \u00e9 m\u00e3e do meu pai. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Come\u00e7ou a estudar com quatro anos, no jardim da inf\u00e2ncia, ao lado da casa dela onde morava em S\u00e3o Paulo, quando foram para l\u00e1. Ela ia para a escola junto com seu irm\u00e3o dois anos e meio mais novo. Era uma escola s\u00f3 para brincar. Como a escola era vizinha \u2013 \u00a0com o muro que dava para o quintal da casa dela \u2013 a m\u00e3e de Lourdes passava o lanche por cima do muro. Isso \u00e9 engra\u00e7ado, pois hoje em dia n\u00e3o aconteceria. Tanto que ela guardou como uma mem\u00f3ria marcante. A m\u00e3e dela passava sandu\u00edches e bolachas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi para o Sion aos doze anos. Era uma escola s\u00f3 de meninas. Tinha uniforme que era uma saia azul marinho, uma blusa branca, sapato marrom com meia tr\u00eas quartos branca, chap\u00e9u azul marinho e luva branca de algod\u00e3o. Chegavam na escola, tirava a luva e o chap\u00e9u e colocava um avental. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na escola elas falavam franc\u00eas o dia inteiro, mas o Get\u00falio (Vargas \u2013 presidente do Brasil na \u00e9poca) proibiu isso. Depois dessa decis\u00e3o s\u00f3 podia falar franc\u00eas na aula de idioma, n\u00e3o podia mais falar fora da aula \u2013 isso em todas as escolas que falavam outras l\u00ednguas o tempo todo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A escola era semi-internato e elas ficavam l\u00e1 das oito horas at\u00e9 as quatro da tarde. Elas almo\u00e7avam l\u00e1. N\u00e3o podia conversar no almo\u00e7o e uma das crian\u00e7as da mesa era respons\u00e1vel pelo comportamento das meninas que sentavam naquela mesa: \u201co anjo da mesa\u201d. Ela nunca foi o anjo. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cSabe como as pessoas comiam antigamente a banana? Com garfo e faca! Cortava dos dois lados, abria no meio, afastava a casca para os lados e partia a banana em rodelas\u201d, contou Lourdes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Estudou l\u00e1 at\u00e9 sair para a faculdade Sedes Sapiens, tamb\u00e9m s\u00f3 de meninas. Mas os professores eram todos homens. \u00a0Estudou Hist\u00f3ria e Geografia. Os meninos normalmente iam para col\u00e9gios de padre, s\u00f3 de meninos. Essa \u00e9poca era um pouco machista, pois haviam coisas que s\u00f3 meninos faziam e outras coisas que s\u00f3 meninas podiam fazer.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma lembran\u00e7a boa foi quando ela teve uma filha e queria que fosse menina. \u00a0\u201cQueria ter uma menina para cuidar dela como minha m\u00e3e havia cuidado de mim\u201d, relatou. A m\u00e3e sempre falava \u201cque bom que voc\u00ea teve uma filha, porque a filha fica mais perto dos pais\u201d. O hospital que a sua filha nasceu era o Pro Matre Paulista e l\u00e1 eles tratavam com mais carinho porque era um hospital maternidade e n\u00e3o era muito cheio. A Bia \u2013 sua primeira filha \u2013 \u00a0nasceu de f\u00f3rceps, porque estava sentada. Foi um parto dolorido e sacrificado, mas muito feliz porque vinha ao mundo sua alegria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Lourdes agora \u00e9 uma senhora muito simp\u00e1tica que mora perto da Escola Vera Cruz, na Vila Madalena. \u00c9 muito divertido brincar e fazer companhia a ela, como no dia em que meus pais foram para a reuni\u00e3o na escola. Minha av\u00f3 \u00e9 importante para mim porque ela me d\u00e1 presentes, me faz companhia e sempre ser\u00e1 uma das melhores av\u00f3s. <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Essas foram algumas das grandes mem\u00f3rias de Lourdes, quem sabe algum dia poderei escrever mais algumas.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Ricardo Maman Millan<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[15],"tags":[17,22,21],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-70","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=434"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":502,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/434\/revisions\/502"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=434"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=434"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=434"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}