{"id":424,"date":"2016-05-21T18:00:12","date_gmt":"2016-05-21T18:00:12","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=424"},"modified":"2016-06-08T16:43:39","modified_gmt":"2016-06-08T16:43:39","slug":"91-anos-de-benedita-da-silva","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/21\/91-anos-de-benedita-da-silva\/","title":{"rendered":"91 anos de Benedita da Silva"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Joana Storto<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joana-5.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-425 size-large\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joana-5-1024x819.jpg\" alt=\"joana (5)\" width=\"806\" height=\"645\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joana-5-1024x819.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joana-5-300x240.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/joana-5-768x614.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Benedita da Silva foi bab\u00e1 de minha av\u00f3 e do meu pai quando era jovem. Agora tem 91 anos, mas \u00e9 muito saud\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ded\u00e9 (como a chamamos) nasceu em Santa Rita do Sapuca\u00ed no sul de Minas. Vivia com sua m\u00e3e e seus dois irm\u00e3os, em uma rua s\u00f3 de casa de gente pobre, casinhas iguais a dela que s\u00f3 tinha uma porta para entrar, ch\u00e3o batido, uma cozinha e um quarto.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todos os seus parentes eram legais e felizes, o seu av\u00f4, j\u00e1 de idade, que era carreiro, puxava carro de boi. Quando crian\u00e7a, brincava o dia inteiro na rua. Sua brincadeira preferida era roda, uma que fala \u201cEu sou pobre, pobre, pobre vou morar aqui. Eu sou rica, rica, rica&#8230;\u201d Quando chegava a noite, sua m\u00e3e a chamava para entrar, mas ela queria ficar mais e suas amigas pediam para a sua m\u00e3e deixar, ela olhava para a Ded\u00e9 e falava \u201cPode ir!\u201d Ai ela via que n\u00e3o era para ir.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mas a m\u00e3e dela morreu cedo quando ela tinha sete anos. Ela morreu de pneumonia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Conheceu uma mo\u00e7a na sua terra que era de S\u00e3o Paulo e fez amizade com ela e pediu para arrumar um emprego para ela porque na casa que trabalhava, trabalhava a troco de comida e roupa n\u00e3o tinha salario, ela deu o endere\u00e7o de uma amiga para a mulher escrever porque se eles soubessem n\u00e3o iam deixar ela vir, ela veio escondida, muito ansiosa. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">De manh\u00e3 cedo pegou sua malinha e foi. Pegou o trem e quando chegou na primeira esta\u00e7\u00e3o e com muito medo de ser achada, encontrou a pol\u00edcia que estava l\u00e1 esperando ela para levar de volta. Mas falou assim \u201cN\u00e3o vou mais ficar aqui, chamem meu av\u00f4!\u201d O av\u00f4 dela foi, conversou e falou \u201cSe ela tem lugar para trabalhar e quer ir para S\u00e3o Paulo eu autorizo! Pode ir!\u201d Ela tinha 18 anos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Telefonou para a pessoa que ia para a casa dessa mulher e l\u00e1 tiveram que mandar dinheiro para ela. Essa mulher que deu dinheiro para ela foi na esta\u00e7\u00e3o busc\u00e1-la. Chegou l\u00e1, n\u00e3o encontrou esta mulher. Veio um rapaz que perguntou \u201cA senhora est\u00e1 perdida?\u201d E ela disse \u201cCompletamente!\u201d \u201cQuer que eu leve a mala para a senhora?\u201d \u201cQuero! Olha eu tenho que ir para Pinheiros, voc\u00ea poderia me levar at\u00e9 l\u00e1?\u201d Ele a levou no lugar onde se pegava o \u00f4nibus para Pinheiros. Quando chegou l\u00e1, estava l\u00e1 a mo\u00e7a que tinha ido buscar ela na esta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a tinha achado. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi trabalhar na casa de uma mulher de Pinheiros. Ela achava a mulher com quem trabalhava chata. Um dia estava na feira e encontrou uma senhora da terra dela que disse \u201cNossa voc\u00ea aqui!?\u201d \u201c\u00c9 estou trabalhando com essa senhora!\u201d Ela falou \u201cAh vai no hospital S\u00e3o Lucas que a Carminha esta l\u00e1, est\u00e1 cheio de gente de Santa Rita.\u201d <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ai ela foi para o hospital. Quando chegou l\u00e1, a Carminha falou assim \u201cBenedita eu vou levar voc\u00ea para trabalhar na casa da sobrinha do Jo\u00e3o ela tem um filho e est\u00e1 precisando de uma bab\u00e1. Se ele gostar de voc\u00ea, voc\u00ea est\u00e1 feita!\u201d Era o Gilberto (o irm\u00e3o de minha av\u00f3) ele tinha um ano e cinco meses. Ai ela foi l\u00e1 na Dona Netinha (a m\u00e3e de minha av\u00f3) tratou e cuidou dele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Foi trabalhar com minha av\u00f3 Cristina, ficou l\u00e1 at\u00e9 casar. Mas nunca se afastou. Ia sempre l\u00e1. Mas depois seu marido morreu e escolheu a gente como fam\u00edlia. E sempre a tratamos e vamos tratar como nossa fam\u00edlia. <\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Joana Storto<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[15],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-6Q","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=424"}],"version-history":[{"count":1,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":426,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/424\/revisions\/426"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=424"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=424"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=424"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}