{"id":377,"date":"2016-05-06T20:39:14","date_gmt":"2016-05-06T20:39:14","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=377"},"modified":"2016-05-17T13:53:58","modified_gmt":"2016-05-17T13:53:58","slug":"memorias-de-um-pernambucano","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/05\/06\/memorias-de-um-pernambucano\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3rias de um pernambucano"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Carolina Galv\u00e3o\u00a0Xavier<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto1.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-383 alignleft\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto1.jpg\" alt=\"carol-foto1\" width=\"255\" height=\"262\" \/><\/a>Jos\u00e9 Tavares Correia de Lira (ou Zezinho), nasceu em Recife PE, 8 de Janeiro de 1967.<\/p>\n<p>\u00c9 o terceiro filho de sua m\u00e3e, que teve quatro filhos, Ana, Lula, Jos\u00e9 e Cristina, mas depois, ela se divorciou de seu pai, e\u00a0no segundo casamento, teve outra filha, Mariana, quando Jos\u00e9 j\u00e1 havia completado quatorze anos.<\/p>\n<p>A fam\u00edlia era relativamente grande e todos moravam no mesmo bairro, Casa Forte, e a maioria na mesma Rua, Flor de Sant\u2019Ana.<\/p>\n<p>Zezinho morava com seus irm\u00e3os e sua m\u00e3e em uma casa que ela mesma havia projetado (era uma arquiteta).<\/p>\n<p>Todos os primos (entre eles meu pai) brincavam juntos na rua. O lugar era calmo e n\u00e3o havia muito movimento de autom\u00f3veis. O bairro de Casa Forte tinha muitas pra\u00e7as e a cidade onde moravam, Recife, era muito arborizada na \u00e9poca.<\/p>\n<p>A av\u00f3 de Jos\u00e9 e de seus primos, \u201cvov\u00f3 Merc\u00eas\u201d, reunia todos os netos para passarem uma temporada de f\u00e9rias em sua casa de praia em Tamandar\u00e9. Todos os primos dormiam no mesmo quarto (os meninos num, e as meninas n\u2019outro). A farra era grande entre os netos e a av\u00f3. Os pais da crian\u00e7ada, vinham apenas aos fins de semana, \u201ctrazer not\u00edcias da civiliza\u00e7\u00e3o\u201d. De vez em quando, uma tia ou ajudante passava uma ou duas semanas ajudando Dona Merc\u00eas a cuidar daquela \u201ccambada\u201d.<\/p>\n<p>A praia de Tamandar\u00e9 era bem diferente do que \u00e9 agora. A areia era limpa e o espa\u00e7o era praticamente deserto. Havia apenas uns poucos veranistas, moradores e alguns pescadores. E essas poucas pessoas que frequentavam a praia, eram conhecidas de Jos\u00e9 e de seus primos. Na verdade, tudo era literalmente, um para\u00edso, de \u00e1guas cristalinas e conchinhas coloridas&#8230;<\/p>\n<p>As outras temporadas das f\u00e9rias, eram dessa vez, passadas no hotel de Dona Merc\u00eas, o Hotel Tavares Correia, em Garanhuns, lotado de terrenos separados das estalagens onde os hospedes ficavam. Todos podiam jogar bola, jogos, amarelinha, e outros divertimentos naqueles terrenos. Era tamb\u00e9m muito arborizado, e cheio de animais.<\/p>\n<p>O hotel, na verdade, foi fundado pelo av\u00f4 de Jos\u00e9, nos anos 20 como hospital de repouso para tratar de pessoas com problemas card\u00edacos. Esse av\u00f4, morreu muito cedo, e, apesar de n\u00e3o ser m\u00e9dica, dona Merc\u00eas, sua esposa, manteve o hospital em forma de hotel.<\/p>\n<p>O anivers\u00e1rio de Jos\u00e9 era nas f\u00e9rias de ver\u00e3o, na praia de Tamandar\u00e9. N\u00e3o havia como chamar os amigos do col\u00e9gio para fazer uma festa, e n\u00e3o havia com\u00e9rcio (n\u00e3o dava para comprar bolo e presentes de verdade) ent\u00e3o, ao inv\u00e9s de receber brinquedos, ele recebia um gibi usado, uma moeda antiga, uma conchinha da praia, um caramujo&#8230;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 era uma crian\u00e7a calma comparada aos amigos e irm\u00e3os; em seu primeiro dia de aula, n\u00e3o queria de jeito nenhum sair do carro. Ele agarrou-se a janela, enquanto sua m\u00e3e puxava-o pelo tornozelo, tentando faze-lo se redimir: \u201cEu n\u00e3o quero ir! EU N\u00c3O QUERO IR!\u201d esse mesmo comportamento persistiu at\u00e9 Jos\u00e9 deduzir, que ele teria de ir para a escola de qualquer maneira. Desceu do carro, e adentrou o pr\u00e9dio em que colegas desconhecidos e os professores (seriam legais ou chatos?) o aguardavam. A escola era maravilhosa apesar dos colegas estranhos, que mais tarde, tornaram-se seus amigos. As professoras tratavam seus alunos como parentes, amigos. A \u00faltima aula do dia era conhecida como \u201caula de dormir\u201d porque a professora levava os alunos at\u00e9 a sombra de uma \u00e1rvore, armava pequenas espregui\u00e7adeiras na grama, e come\u00e7ava a contar uma hist\u00f3ria, at\u00e9 os alunos adormecerem.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 podia ser aplicado e estudioso, mas brigava muito com seu irm\u00e3o, Lula, um ano e meio mais velho do que ele. Os dois eram completamente diferentes: Jos\u00e9 organizado, Lula bagunceiro; Jos\u00e9 calmo, Lula arteiro;<\/p>\n<p>Um dia, Lula fez alguma coisa com Jos\u00e9. Bateu nele, ou o beliscou, mas devia ser algo bem irritante, porque logo que se deu conta do que havia acontecido, Jos\u00e9 pegou um pequeno ventilador, e arremessou-o contra Lula. O ventilador n\u00e3o atingiu seu alvo, mas cravou bem fundo na porta da sala&#8230;<\/p>\n<p>As casas de Recife, na \u00e9poca eram cercadas por muros, que se interligavam uns nos outros, formando pequenas cal\u00e7adas. Uma das brincadeiras de Jos\u00e9 e de seus primos, era andar em cima daqueles muros, que cercavam todas as casas do bairro: Subiam em uma \u00e1rvore, e saltavam para cima dos muros. O objetivo, era andar o bairro inteiro sem cair.<\/p>\n<p>Outra brincadeira de que Jos\u00e9 gostava muito, funcionava apenas no hotel Tavares Correia, que era andar nas paredes. N\u00e3o era exatamente \u201candar nas paredes\u201d. Era, na verdade, se colocar no espa\u00e7o entre uma parede e outra, e come\u00e7ar a deslizar por todos os corredores do hotel sem cair.<\/p>\n<p>Colher frutas dos p\u00e9s era outro passatempo que Jos\u00e9 curtia em cima das \u00e1rvores do Bairro. Colher uvas, caju, seriguela, banana, laranja e outras frutas que haviam dispon\u00edveis pelas pra\u00e7as e as casas dos amigos e vizinhos.<\/p>\n<p>Casinha era uma outra brincadeira de maior valor. Era assim: Virava-se todos os m\u00f3veis da casa de cabe\u00e7a para baixo, formando uma estrutura boa, e firme. Depois, pegava-se colchas, len\u00e7\u00f3is e edredons por cima daquela estrutura, formando a tal casinha. Jos\u00e9 passava horas e horas montando aquela cabaninha com os irm\u00e3os, e depois daquele trabalh\u00e3o todo, deitavam-se no interior da casinha, e ficavam l\u00e1 cochilando, at\u00e9 a m\u00e3e encontrar os m\u00f3veis virados, e todos os tecidos e len\u00e7\u00f3is da casa servindo de telhado, e distribuir broncas e gritos para os pequenos respons\u00e1veis por aquele fuzu\u00ea.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 e o resto da garotada do Bairro brincavam todos juntos tamb\u00e9m de Roda, cantando cantigas enquanto giravam de m\u00e3os dadas. Brincadeiras de carnaval, como dan\u00e7a de frevo, Bumba-meu-Boi no S\u00e3o-Jo\u00e3o, e Pastoril: Menininhas pequenas, que usavam roupinhas de pastora, azuis ou vermelhas, e seguravam cord\u00f5es da mesma cor de sua roupa, tentando conquistar a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico, cantando cantigas bem bonitas. De vez em quando, uma pastorinha jogava pelos dois lados, tentando confundir o p\u00fablico para a indecis\u00e3o. Borboletas eram outras menininhas pequenas que dan\u00e7avam cantando bem baixinho: \u201cBorboleta pequenina venha c\u00e1 pro meu cord\u00e3o. Venha ver quanta beleza que hoje \u00e9 noite de natal!\u201d.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 n\u00e3o era t\u00e3o bom em esportes. Gostava mais de brincadeiras. Os \u00fanicos esportes de que gostava eram nata\u00e7\u00e3o, pingue-pongue, e baralho (se \u00e9 que isso pode ser chamado de esporte). Sua tia dizia que Jos\u00e9 era t\u00e3o bom em baralho, que ela o levaria para Las-Vegas. Sua maior parceira de jogo, era sua av\u00f3, que acompanhava todas as suas jogadas.<\/p>\n<p>Uma lembran\u00e7a marcante da sua inf\u00e2ncia, foi uma viagem que fez com seu tio L\u00edvio, e sua tia L\u00facia, (meu av\u00f3s) que tinham outros tr\u00eas filhos, Isabel, Daniel (meu pai) e Adriano. Eles foram ao Cear\u00e1, visitar os parentes que moravam por l\u00e1. O carro de \u201ctio L\u00edvio\u201d, era uma Variante amarela que tinha um porta malas imenso, em que cabiam todas as seis crian\u00e7as \u2013 Ana, Lula, Jos\u00e9, Isabel, Daniel e Adriano \u2013, e elas viajaram l\u00e1. A viagem de Recife para o Cear\u00e1 era muito longa, t\u00e3o longa, que \u201ctia L\u00facia\u201d deu a todas as crian\u00e7as calmantes para que dormissem todo o percurso. Ao acordarem, estavam em meio a um rio de \u00e1guas cristalinas e t\u00e3o brancas, que pareciam as \u00e1guas de uma piscina. Cascalhos lisos cobriam o ch\u00e3o do riozinho raso.<\/p>\n<p>N\u00e3o tardaram a conhecer a regi\u00e3o. Foram a Fortaleza e para a granja onde morou \u201dtio L\u00edvio\u201d. Ficaram hospedados em uma casa maravilhosa, onde em seu terreno, tinha um galinheiro, e todos os dias, tinham novos ovos. Atr\u00e1s do terreno da casa, havia uma f\u00e1brica de cera (que fabricava velas, e coisas do tipo).<\/p>\n<p>Depois de um tempo por l\u00e1, foram a um lugar chamado \u201cParazinho\u201d, onde a fam\u00edlia de \u201ctio L\u00edvio\u201d se reunia. Cada h\u00f3spede da casa tinha uma rede onde se dormia comia e conversava.<\/p>\n<p>L\u00e1, havia uma feira que ocupava todo o espa\u00e7o da cidade. Era uma feira livre, que vendia de tudo: Bonecos de palha, tecido, origami prata, ferro, chumbo, bronze, cobre, ceda madeira, alimentos, porcelana, cer\u00e2mica&#8230;<\/p>\n<p>Um dia, ainda no Cear\u00e1, Jos\u00e9 foi caminhar perto do rio acompanhado do resto da turma. Assim que chegaram perto do rio, foram surpreendidos por uma tribo de \u00edndios, que vinham tomar banho e lavar roupas. Entre crian\u00e7as e adultos, havia uma senhora, t\u00e3o velhinha, mais t\u00e3o velhinha, que Jos\u00e9 julgou ela ter 120 anos de idade. Ela despiu a pouca roupa que vestia, e entrou na \u00e1gua. Foi a primeira que Jos\u00e9 viu uma mulher nua&#8230;<\/p>\n<p>Mas agora voltando \u00e0 Recife e ao Bairro Casa Forte, Jos\u00e9 e seus irm\u00e3os tiveram uma cadelinha chamada Laia, que morreu. Logo depois de Laia, os meninos adotaram um cachorr\u00e3o chamado Toni, que infelizmente n\u00e3o era muito simp\u00e1tico com ele&#8230; Jos\u00e9 sempre quis ter um coelhinho, mais nunca realizou seu desejo, embora sua tia tivesse uma cria\u00e7\u00e3o de coelhos, e ele sempre quisesse levar um daqueles para casa. Uma tarde, ele e sua irm\u00e3, Ana, receberam o convite de uma das amigas de Ana para irem almo\u00e7ar em sua casa. Ao entrarem em seu quarto, Jos\u00e9 deparou com um coelhinho de Pel\u00facia. Agarrou o coelhinho, e assim permaneceu at\u00e9 a hora das despedidas, quando ele conseguiu convencer Ana e sua amiga a deixa-lo ficar com o bonequinho.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 demorou a entrar na adolesc\u00eancia. Era um adolescente meio menino, baixinho, sem barba ou bigode. Os seus colegas iam ao cinema com garotas, namorar, e ele j\u00e1 era mais solit\u00e1rio, apesar de ser apaixonado pela menina que o fazia companhia na sa\u00edda da escola&#8230; Sua m\u00e3e e o pai dela iam buscar os meninos uma hora depois do final da aula, e os deixavam esperando no port\u00e3o do col\u00e9gio, conversando. Uma tarde Jos\u00e9 tomou coragem, e a convidou para ir ao cinema.<\/p>\n<p>No grande dia, Jos\u00e9 fez a si mesmo uma promessa: \u201cEu vou pegar na m\u00e3o dela! EU VOU PEGAR NA M\u00c3O DELA!\u201d. Ao chegar na porta do cinema, ela j\u00e1 estava l\u00e1, muito bonita, usando batom (adolescentes estavam come\u00e7ando a adquirir o h\u00e1bito de usar batom, isso ent\u00e3o em 1982, ou menos at\u00e9) e um belo vestido.<\/p>\n<p>Ao entrarem na sala onde o filme era reproduzido, encontraram os colegas da escola l\u00e1, sentados nas poltronas aguardando o in\u00edcio do filme. O nome do filme era \u201cO Campe\u00e3o\u201d, e n\u00e3o era l\u00e1 muito rom\u00e2ntico, pois relatava a hist\u00f3ria de um div\u00f3rcio, e de um garoto que ficava ouvindo as brigas dos pais. Jos\u00e9 chorou tanto, que nem se lembrou de pegar na m\u00e3o de ningu\u00e9m, e al\u00e9m do mais, ela chorava ao seu lado.<\/p>\n<p>N\u00e3o viajava muito na adolesc\u00eancia, mas uma de suas poucas viagens, durou um m\u00eas inteiro. Jos\u00e9 viajou, acompanhado de duas amigas, a quatro estados: Rio Grande do Norte, Maranh\u00e3o, Cear\u00e1 e Piau\u00ed. Cada um levou uma mochila de roupas, uma rede e uma barraca.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dois dias da viagem, os tr\u00eas tinham apenas alguns trocados, e com esse pouco dinheiro, compraram uma passagem de \u00f4nibus para o Maranh\u00e3o, que n\u00e3o haviam planejado conhecer quando decidiram viajar. Conheceram Teresina, foram para a casa do pai de uma das meninas, ficaram abastecidos de comida e com um pouco de dinheiro para comprar outra passagem de \u00f4nibus de volta para Recife.<\/p>\n<p>Ao chegarem na casa do pai de uma dessas duas amigas, estavam mortos de fome, mas ao mesmo tempo envergonhados de pedir um prato de comida para os anfitri\u00f5es.<\/p>\n<p>Puseram algumas cadeiras no jardim, e come\u00e7aram a conversar com o pai da amiga, a contar sobre a viagem, e nesse meio tempo, avistaram uma bananeira, com um cacho de bananas imenso, carregado de frutos. Os tr\u00eas amigos, famintos e sozinhos, devoraram o cacho inteiro, sem deixar uma \u00fanica banana&#8230;<\/p>\n<p>Jos\u00e9 estudou arquitetura em Recife como sua m\u00e3e, veio morar em S\u00e3o Paulo com vinte tr\u00eas anos e fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em arquitetura. Fez outra gradua\u00e7\u00e3o em filosofia, e hoje \u00e9 professor no Departamento de Hist\u00f3ria da Arquitetura e Est\u00e9tica do Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 viajou e ainda viaja muito. J\u00e1 foi para quase todos os estados do Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Morou duas vezes nos EUA, viajou pela Europa, morou um ano na Fran\u00e7a, Israel, Marrocos, Cingapura, M\u00e9xico, Espanha, Pol\u00f4nia e Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p>Durante o ano em que passou morando em Paris, no final da sua estadia, por acaso, encontrou tr\u00eas ex-alunos seus, que estavam de passagem. Como n\u00e3o se viam h\u00e1 muito tempo, foram jantar juntos num restaurante ali por perto, e quando j\u00e1 estavam terminando de comer, homens mascarados e armados entraram no restaurante atirando balas para todos os lados. Jos\u00e9 conseguiu se esconder dos terroristas, e voltou imediatamente para o Brasil.<\/p>\n<p>Uma coisa que ele considera importante, \u00e9 um conjunto de bonecos de cer\u00e2mica\u00a0fabricado por uma artista popular de Alto do Moura, perto de Caruaru. Representa um grupo\u00a0de retirantes. O conjunto lhe foi dado por sua m\u00e3e, pouco depois de ele ter se mudado para\u00a0S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-384\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto2.jpg\" alt=\"carol-foto2\" width=\"544\" height=\"419\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto2.jpg 544w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto2-300x231.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Outro objeto que ele considera importante, \u00e9 uma matriz de xilogravura que\u00a0representa um fabricante de lou\u00e7as. A matriz pertencia a sua tia Cristina, que mais tarde,\u00a0inspirou o nome de sua irm\u00e3, Maria Cristina, Quica como \u00e9 chamada.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto3.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-385\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto3.jpg\" alt=\"carol-foto3\" width=\"574\" height=\"407\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto3.jpg 574w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto3-300x213.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/carol-foto3-100x70.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 574px) 100vw, 574px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carolina Galv\u00e3o\u00a0Xavier<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[12],"tags":[22,21,23],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-65","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=377"}],"version-history":[{"count":3,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":387,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/377\/revisions\/387"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=377"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=377"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=377"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}