{"id":303,"date":"2016-06-16T11:08:30","date_gmt":"2016-06-16T11:08:30","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=303"},"modified":"2017-05-15T18:28:03","modified_gmt":"2017-05-15T18:28:03","slug":"5b-leonel-a-coragem-de-um-capixaba","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/06\/16\/5b-leonel-a-coragem-de-um-capixaba\/","title":{"rendered":"5&ordm;B &#8211; Leonel, a coragem de um capixaba"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leo.jpg\"><br \/>\n<\/a>A hist\u00f3ria de Leonel de Oliveira, L\u00e9o, como \u00e9 carinhosamente chamado, come\u00e7a no Esp\u00edrito Santo, na cidade de Vit\u00f3ria, onde nasceu.<\/p>\n<p>Como alguns brasileiros, que foram criados na ro\u00e7a, come\u00e7ou a trabalhar muito cedo, diferente de muitas crian\u00e7as que moram na cidade. Desde pequeno, aprendeu o que \u00e9 ter responsabilidade porque seu pai era ajudante de caminhoneiro e quando saia pelo mundo lhe dizia que \u201csuar \u00e9 bom, suar tira a pregui\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>E foi assim que o pequeno L\u00e9o, na \u00e9poca com quatro anos, aprendeu a trabalhar! Na aus\u00eancia do pai, sua m\u00e3e o carregava para a ro\u00e7a onde colhiam caf\u00e9 &#8211; debaixo dos p\u00e9s- e cortavam cana. Enquanto os trabalhadores enchiam os sacos da colheita, ele lembra que pegava um bule bem grande da cozinha e levava para a planta\u00e7\u00e3o de caf\u00e9, l\u00e1 colocava os gr\u00e3os que colhia; e essa, era a contribui\u00e7\u00e3o do pequeno grande trabalhador. Tamb\u00e9m ordenhava as vacas no terreno do av\u00f4 que criava cabrito, ovelha e outros animais.<\/p>\n<p>A televis\u00e3o havia chegado ao Brasil h\u00e1 uns 15 anos, por\u00e9m n\u00e3o na casa deles, que nem r\u00e1dio a pilha tinham. Dessa forma, seu irm\u00e3o e ele dormiam cedo escutando hist\u00f3rias que sua m\u00e3e contava.<\/p>\n<p>Hoje, recorda-se de uma fase, que ainda pequeno viveu e, mais uma vez, a vida lhe ensinou a superar. Foi quando a m\u00e3e, ele e seu irm\u00e3o foram ao encontro do pai e mudaram-se para o Paran\u00e1 e l\u00e1 viveram por quase dez anos!<\/p>\n<p>Para algu\u00e9m que n\u00e3o teve muita inf\u00e2ncia, entre os tempos de trabalho e a perda do irm\u00e3o, ele conseguia se divertir e, para brincar, constru\u00eda balan\u00e7os e seus pr\u00f3prios carrinhos de m\u00e3o que fazia com lata de \u00f3leo, peda\u00e7o de madeira e para as rodas, recortava chinelos velhos. Em sua lembran\u00e7a era algo que ficava muito bonito. Menino que tinha responsabilidade de gente grande, mas era crian\u00e7a e, do jeito que dava, vivia aprontando, pulava de muro em muro pegando lim\u00f5es, outras frutas e ovos de galinha da vizinhan\u00e7a.<\/p>\n<p>Nesta \u00e9poca, a m\u00e3e que sempre teve uma sa\u00fade fr\u00e1gil, engravidou de sua irm\u00e3. Durante alguns anos, com a m\u00e3e na cama por ter contra\u00eddo uma doen\u00e7a infecciosa &#8211; tuberculose- L\u00e9o recorda-se que ajudava a lavar roupa, lou\u00e7a e, para alcan\u00e7ar a pia, subia em um banquinho.<\/p>\n<p>1974! Ano de tristeza e mudan\u00e7as! Quando a irm\u00e3, que hoje mora em Vit\u00f3ria, completou cinco anos, sua m\u00e3e morre por causa da doen\u00e7a que atacara seu pulm\u00e3o. Dessa forma, outra fase se iniciaria- o retorno \u00e0 cidade natal, Vit\u00f3ria. \u00a0Ele e sua irm\u00e3 foram morar com familiares e vizinhos. A vida tinha que continuar.<\/p>\n<p>Frequentou a escola at\u00e9 a antiga 4\u00aa s\u00e9rie e aprendeu a ler \u201cdepois de velho\u201d- como diz-. Afinal, com quatorze anos, esse menino j\u00e1 tinha vivido muito! \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0A escola era no per\u00edodo noturno e l\u00e1 n\u00e3o tinha ilumina\u00e7\u00e3o. Por isso, todo dia, levava um lampi\u00e3o a g\u00e1s que ele pr\u00f3prio fazia com uma lata para iluminar a sala e a professora com outro lampi\u00e3o iluminava a lousa.<\/p>\n<p>Em 1982, enganado por uma tia que dizia que tinham que tentar uma vida nova, que seria por pouco tempo e que sua vida iria melhorar, chega a S\u00e3o Paulo muito triste e sem nada. Recorda que chorou muito e, claro, tendo que enfrentar outras novas dificuldades. Foi morar numa favela que depois de uma chuva, o barraco onde dormiam desmoronou. Sua tia, num ato de loucura, jogou tudo que era seu fora.<\/p>\n<p>Sem condi\u00e7\u00f5es, com poucas roupas e tendo que sobreviver, resolveu fazer coxinha, porque \u201co povo gostava de fritura\u201d para poder ganhar dinheiro. S\u00e3o Paulo tinha muitas constru\u00e7\u00f5es, obras e era l\u00e1 que vendia seus salgados acompanhados de bolinho, caf\u00e9 e leite para os trabalhadores.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_155536.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-304\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_155536-1024x576.jpg\" alt=\"20160318_155536\" width=\"806\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_155536-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_155536-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As necessidades e a vontade de vencer continuavam a guiar sua vida. Coisas boas tamb\u00e9m aconteciam e, nesse per\u00edodo, conheceu a mulher com quem resolveu formar uma fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Morou na casa de um homem que era muito r\u00edgido e n\u00e3o o tratava bem. Cuidava do jardim e da piscina. A comida era pouca, saiu de l\u00e1 muito magro, \u201cpodia at\u00e9 tocar piano em suas costas\u201d. Essa experi\u00eancia lhe rendeu um aprendizado que utiliza at\u00e9 hoje, a receita de um p\u00e3o maravilhoso que todo ano faz para o Feito por N\u00f3s, festa que acontece anualmente na Escola Vera Cruz onde tudo que \u00e9 arrecadado vai para ajudar uma institui\u00e7\u00e3o. E a\u00ed ele come\u00e7a a ajudar o outro.<\/p>\n<p>Para chegar nessa escola, onde est\u00e1 at\u00e9 hoje, trabalhou num condom\u00ednio como faxineiro e ajudante geral, mas tinha que procurar algo que lhe desse maior tranquilidade porque, muitas vezes, n\u00e3o tinha dinheiro nem para pagar o seu almo\u00e7o. Sofreu muito, por\u00e9m n\u00e3o desistiu.<\/p>\n<p>Em sua busca, o destino lhe coloca na frente um, tamb\u00e9m, migrante que morava com ele na pens\u00e3o. Jo\u00e3o, que trabalhava na escola, lhe sugeriu que fosse fazer uma entrevista porque iria voltar pra Bahia e seu cargo estaria vago.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, esse capixaba construiu sua vida sempre com muito esfor\u00e7o. Hoje, com 55 anos, 35 vividos aqui em S\u00e3o Paulo, diz ser muito feliz e agradecido por ter uma linda fam\u00edlia e trabalho.<\/p>\n<p>\u00c9 casado com sua companheira da juventude, a querida e amada Iolanda, que foi batizada de Orlanda. Afinal, at\u00e9 isso tinha que ser diferente em sua vida. T\u00eam quatro filhos e quatro netos.<\/p>\n<p>Diz que os filhos at\u00e9 sentem ci\u00fames dele com seus netos. Faz quest\u00e3o de dizer que \u201cEu n\u00e3o tive o que eles t\u00eam hoje\u201d, falando com orgulho de suas conquistas. Com certeza, as palavras de seu pai, que vive em Vit\u00f3ria, mas com quem n\u00e3o tem muita rela\u00e7\u00e3o, ajudou-o a chegar onde chegou, afinal continua afirmando at\u00e9 hoje: \u201cPara vencer, n\u00e3o pode ter pregui\u00e7a, tem que ser honesto e trabalhar\u201d.<\/p>\n<p>O menino que nunca teve sonhos, agora tem um: se aposentar com sa\u00fade para curtir cada vez mais seus filhos e netos.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a hist\u00f3ria de Leonel que continua a nos surpreender com sua for\u00e7a e coragem. Um homem guerreiro, positivo que teve e enfrentou todas as dificuldades que a vida colocou em sua frente com muita dignidade e ra\u00e7a.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_160325.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-305\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_160325-1024x576.jpg\" alt=\"20160318_160325\" width=\"806\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_160325-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/20160318_160325-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>V\u00eddeos<\/h3>\n<div class=\"embed-vimeo\" style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/166204823\" width=\"806\" height=\"453\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<div class=\"embed-vimeo\" style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/166205080\" width=\"806\" height=\"453\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria de Leonel de Oliveira, L\u00e9o, como \u00e9 carinhosamente chamado, come\u00e7a no Esp\u00edrito Santo, na cidade de Vit\u00f3ria, onde nasceu. Como alguns brasileiros, que foram criados na ro\u00e7a, come\u00e7ou a trabalhar muito cedo, diferente de muitas crian\u00e7as que moram na cidade. Desde pequeno, aprendeu o que \u00e9 ter responsabilidade porque seu pai era ajudante [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":923,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[13],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/leo-cortado.jpg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-4T","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=303"}],"version-history":[{"count":4,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":826,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/303\/revisions\/826"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/923"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=303"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=303"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=303"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}