{"id":299,"date":"2016-06-16T11:50:01","date_gmt":"2016-06-16T11:50:01","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=299"},"modified":"2017-05-15T18:27:55","modified_gmt":"2017-05-15T18:27:55","slug":"5-a-memorias-entre-agulhas-de-trico","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2016\/06\/16\/5-a-memorias-entre-agulhas-de-trico\/","title":{"rendered":"5&ordm; A &#8211; Mem\u00f3rias entre agulhas de tric\u00f4"},"content":{"rendered":"<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p>Maria Angela de Moraes Ideriba, mais conhecida como Mari, nasceu no Hospital Pro-Matre Paulista, em S\u00e3o Paulo, capital, no dia 10 de abril de 1962. \u00a0Ela \u00e9 a segunda filha, morava com seus pais, seus av\u00f3s maternos e seus tr\u00eas irm\u00e3os. Sua casa ficava na Avenida Brigadeiro Luiz Ant\u00f4nio que mesmo na d\u00e9cada de 70, era muito movimentada! S\u00e3o Paulo j\u00e1 crescia a cada instante, sem freios. O bairro, Jardim Paulista, fervilhava de trabalhadores e estudantes durante a semana. Aos s\u00e1bados e domingos a paisagem mudava um pouco, pessoas andando mais pregui\u00e7osamente, as padarias e bares com pouco movimento e um n\u00famero reduzido de carros e \u00f4nibus nas ruas.<\/p>\n<p>Suas brincadeiras eram variadas, mas todas fora de casa. N\u00e3o era comum na \u00e9poca, brincar de qualquer coisa \u201cdentro\u201d, como hoje, que praticamente s\u00f3 brincamos entre quatro paredes. Parece esquisito, mas casa era lugar de comer, dormir, ver TV e estar com a fam\u00edlia. Brincadeira de verdade era na rua. Mari, seus amigos e irm\u00e3os andavam frequentemente de bicicleta e desciam ladeiras com carrinho de rolim\u00e3. As brincadeiras de esconde-esconde, pega-pega e queimada eram di\u00e1rias. Gostavam tamb\u00e9m de ir ao Parque do Ibirapuera pertinho de sua casa \u2013 isso acontecia quase todas as tardes.<\/p>\n<p>Seus brinquedos favoritos eram: uma boneca Susy Baiana, com coroa de flores e saia de dan\u00e7arina, e uma bola de borracha com dois puxadores, onde ela se sentava em cima e sa\u00eda pulando. Como todas as crian\u00e7as da rua tinham esse brinquedo, Mari fazia corridas com os vizinhos, se espatifando no ch\u00e3o e sempre se machucando. Ela ficava com a perna ralada, com marcas roxas, \u00e0s vezes sa\u00eda sangue, mas voltava para casa feliz.<\/p>\n<p>Aos seis anos de idade, j\u00e1 ia sozinha a p\u00e9 para escola. Quando chovia, adorava pular e patinar na enxurrada. E como sempre, perdia um p\u00e9 de sapato. A escola exigia uniforme completo e sua m\u00e3e, cansada de comprar novos sapatos todo m\u00eas, brigava com a filha.<\/p>\n<p>Mari tinha muitos cachorros, mas o c\u00e3o que mais recorda\u00e7\u00f5es lhe traz \u00e9 o Lulu que a esperava na frente da porta da escola todos os santos dias. \u201cEu sempre ficava na d\u00favida se Lulu me esperava todo o tempo na porta, ou se ele tinha um reloginho que apitava no final das aulas\u201d, contou.<\/p>\n<p>Nas f\u00e9rias, o comum era ir \u00e0 praia ou para o s\u00edtio de seu tio Berto. Ela e sua fam\u00edlia tinham uma casa em Itanha\u00e9m, os tios em Praia Grande, amigos em Peru\u00edbe. Costumava tomar sorvete, nadar e fazer castelos de areia com palitos de sorvete. O s\u00edtio do tio Berto ficava em Cip\u00f3, pertinho de S\u00e3o Paulo. L\u00e1, Mari passou f\u00e9rias inesquec\u00edveis com primos de todo canto.<\/p>\n<p>Seu sonho de adolesc\u00eancia era ser professora. Como cuidava bem dos cachorros da vizinhan\u00e7a, seus pais achavam que ela seria uma \u00f3tima veterin\u00e1ria, mas deixaram-na seguir sua vontade. Nessa \u00e9poca, Mari foi pela primeira vez para Disney e isso foi muito marcante em sua vida porque foi sua primeira viagem para fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Saiu da casa de seus pais aos 18 anos para se casar e construir uma fam\u00edlia com seu primeiro namorado que tinha 21 anos \u2013 e com quem est\u00e1 at\u00e9 hoje. Eles t\u00eam tr\u00eas filhos: um de 34 anos, outro de 27 e o ca\u00e7ula de 26 anos.<\/p>\n<p>Antes de trabalhar no Vera Cruz, foi professora nas escolas Pueri Domus e Pequen\u00f3polis. Entrou no Vera para substituir uma professora que foi morar na B\u00e9lgica, foi auxiliar da K\u00e1tia que \u00e9 nossa professora atual. Em 2000, passou a ser professora de classe. \u00c9 extrovertida e muito querida por todos. Ela quase nunca fica brava, mas quando fica&#8230; Fechem as portas!<\/p>\n<p>Num certo arrematar de dia de trabalho encontrou, sentadas no p\u00e1tio, tr\u00eas mo\u00e7as que giravam pequenas agulhas de pl\u00e1stico, envoltas em l\u00e3 colorida. Ap\u00f3s contemplar por alguns minutos o trabalho das funcion\u00e1rias, perguntou, ainda fitando o entrela\u00e7ado fofo que as agulhas formavam:<\/p>\n<p>&#8211; O que \u00e9 isso?<\/p>\n<p>Uma das mo\u00e7as respondeu:<\/p>\n<p>&#8211; \u00c9 tric\u00f4, Mari. Se voc\u00ea quiser, posso te ensinar.<\/p>\n<p>E Mari, modesta, disse:<\/p>\n<p>&#8211; N\u00e3o tenho jeito para trabalhos manuais.<\/p>\n<p>Ao chegar em casa, n\u00e3o conseguia parar de pensar naquilo. Pegou seu laptop e procurou no Youtube: \u201ccomo tricotar\u201d. No dia seguinte, comprou um par de agulhas e novelos de l\u00e3. Tricotou, tricotou e n\u00e3o parou mais. Ela faz lindos sapatinhos, casaquinhos, cachec\u00f3is etc. Gosta tanto de fazer tric\u00f4 que, h\u00e1 pouco tempo fez uma tatuagem com duas m\u00e3os tricotando.<\/p>\n<p>E numa tarde de mar\u00e7o, ela veio tricotar suas mem\u00f3rias conosco.<\/p>\n<p>Mari quer ainda tricotar um sonho: conhecer o mundo todo e com um pouquinho mais de l\u00e3, morar em um lugar mais calmo, de prefer\u00eancia em uma linda praia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/mari2.jpg\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-301\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/mari2-1024x682.jpg\" alt=\"mari2\" width=\"806\" height=\"537\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/mari2-1024x682.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/mari2-300x200.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/mari2.jpg 1400w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/a><\/p>\n<h3>V\u00eddeos<\/h3>\n<div class=\"embed-vimeo\" style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/166202493\" width=\"806\" height=\"453\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<div class=\"embed-vimeo\" style=\"text-align: center;\"><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/player.vimeo.com\/video\/166203478\" width=\"806\" height=\"453\" frameborder=\"0\" webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Maria Angela de Moraes Ideriba, mais conhecida como Mari, nasceu no Hospital Pro-Matre Paulista, em S\u00e3o Paulo, capital, no dia 10 de abril de 1962. \u00a0Ela \u00e9 a segunda filha, morava com seus pais, seus av\u00f3s maternos e seus tr\u00eas irm\u00e3os. 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