{"id":1792,"date":"2019-06-24T18:59:46","date_gmt":"2019-06-24T18:59:46","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=1792"},"modified":"2019-08-14T15:22:47","modified_gmt":"2019-08-14T15:22:47","slug":"um-mar-de-historias","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2019\/06\/24\/um-mar-de-historias\/","title":{"rendered":"Um mar de hist\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<div id=\"attachment_1799\" style=\"width: 152px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1799\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1799 size-medium\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna_Battaglia_Dias-2-142x300.jpg\" alt=\"\" width=\"142\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna_Battaglia_Dias-2-142x300.jpg 142w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna_Battaglia_Dias-2-768x1625.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna_Battaglia_Dias-2-484x1024.jpg 484w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna_Battaglia_Dias-2.jpg 919w\" sizes=\"(max-width: 142px) 100vw, 142px\" \/><p id=\"caption-attachment-1799\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Marianna Dias<\/p><\/div>\n<h6>Fotografia de Ana Eliza Toledo<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oi, ol\u00e1. Meu nome \u00e9 Tatiane, mas podem me chamar de Tati. Em 23 de setembro farei 32 anos. Hoje em dia moro com os meus pais. Faz 10 anos que voltei a morar com eles na mesma casa onde nasci, em Pirituba. Esse ano decidi aceitar o pedido de casamento do Rafael. Agora somos noivos.<\/p>\n<p>Um belo p\u00f4r do sol me deixa emocionada. Aprecio a natureza, por isso, o aquecimento global me preocupa. Embora n\u00e3o saiba o quanto isso \u00e9 verdade, sinto a diferen\u00e7a nas ondas do mar. Fico chateada com a quest\u00e3o da viol\u00eancia, principalmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as. Tenho receio do poder da tecnologia: \u201cela est\u00e1 comandando o mundo e n\u00e3o as pessoas que a est\u00e3o comandando\u201d. Quem n\u00e3o quiser acreditar tem toda a liberdade de discordar.<\/p>\n<p>&nbsp;Na juventude queria mudar o mundo, por isso me formei em Pedagogia. Sou professora do Ensino Fundamental II da Escola Vera Cruz. Gosto de todas as mat\u00e9rias. A preferida \u00e9 Estudos Sociais. Eu fa\u00e7o o meu trabalho para os outros, por isso tenho que me esfor\u00e7ar \u2013 \u201cfazer direito\u201d. No ano em que entrei nessa escola estava cheia de \u00e2nimo, por\u00e9m, perdi algu\u00e9m muito importante na minha vida: minha av\u00f3 Severina. Naquele momento, senti como se a tristeza estivesse apertando meu cora\u00e7\u00e3o, impedindo meu sangue de correr pelas veias. At\u00e9 hoje esse fato n\u00e3o saiu da minha lembran\u00e7a.<\/p>\n<p>Ela cuidou de mim quando pequenina, na \u00e9poca em que minha m\u00e3e teve minhas irm\u00e3s, Juliane e Liliane. Sou a irm\u00e3 mais velha, temos um ano e meio de diferen\u00e7a. Costum\u00e1vamos passar as f\u00e9rias juntas na praia. Recordo do bolinho que ela preparava: feito de arroz, feij\u00e3o, farinha de rosca, tudo amassado com um tempero \u201cnatural\u201d \u2013 a terra que ficava em suas m\u00e3os nos muitos momentos que cuidava de suas plantas com prazer. Guardo tamb\u00e9m na mem\u00f3ria seu apoio e confian\u00e7a \u2013 sua voz me aquecia mais que todos os cobertores do mundo \u2013 ao ser contratada pelo Vera. Outro desejo que tinha era me ver casar \u2013 infelizmente n\u00e3o deu tempo.<\/p>\n<p>Quando pequena tamb\u00e9m me chamavam de Tatinha. Mas nem todas as emo\u00e7\u00f5es que me lembro foram t\u00e3o boas ou gostosas: Olivia Palito e Pau de Vassoura foram apelidos que fizeram parte da minha inf\u00e2ncia, mas n\u00e3o me agradavam. De fato, eu era \u2013 e ainda sou \u2013 magrela e os meninos aproveitavam para zombar o tempo inteiro, mesmo assim brinc\u00e1vamos na rua at\u00e9 minha m\u00e3e chamar para tomar banho e jantar \u2013 \u201ctomar banho era dif\u00edcil\u201d. Uma coisa que eu gostava era fazer piquenique e outra era pular fogueira.<\/p>\n<p>Certo dia, andando na garupa da <em>bike<\/em>, bobeei, coloquei o p\u00e9 na roda \u2013 que emo\u00e7\u00e3o! p\u00e9 ante p\u00e9, o cora\u00e7\u00e3o aos pulos \u2013 e o quebrei \u2013 nunca mais esqueci a sensa\u00e7\u00e3o daquele momento. Pode ser que para muitos isso seja uma bobagem, pois toda crian\u00e7a se machuca, mas para mim foi um fato marcante de minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n<div id=\"attachment_1797\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1797\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1797 size-medium\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Joaquim_Di_Segni-300x165.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"165\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Joaquim_Di_Segni-300x165.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Joaquim_Di_Segni-768x422.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Joaquim_Di_Segni-1024x562.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1797\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Joaquim Di Segni<\/p><\/div>\n<p>Quando tinha dois anos e meio, uma nova integrante chegou \u00e0 fam\u00edlia: Kita, uma <em>poodle<\/em> branquinha, peludinha e muito ciumenta. Quem se aproximava do papai levava uma mordida no calcanhar, pois era muito apegada a ele. Outra experi\u00eancia marcante com meu pai foi ele me ensinando a nadar de um jeito peculiar: me jogando na piscina. Provavelmente tinha sentido medo ou me assustado, mas ele apostou e deu certo. \u201cSempre admirei meu pai. Ele era o mais fant\u00e1stico, brilhante e deslumbrante de todos. Sempre foi uma refer\u00eancia em minha vida\u201d.<\/p>\n<p>Aproveitando o assunto medo, passei a ter pavor de ficar sozinha no escuro porque em uma noite minha m\u00e3e me levou a um centro esp\u00edrita \u2013 eram tantas coisas que eu n\u00e3o conhecia e n\u00e3o entendia. Lembro que escutei gritos e barulhos e minha m\u00e3e n\u00e3o estava perto, havia entrado em uma sala. Para mim era um espanto. Coisa dif\u00edcil de compreender.<\/p>\n<p>Uma das datas que comemor\u00e1vamos era o Natal. Minha m\u00e3e colocava o mesmo modelo de vestido em mim e nas minhas irm\u00e3s. \u201cEra horr\u00edvel.\u201d Tinha tamb\u00e9m as festas de anivers\u00e1rio. Comemor\u00e1vamos com animadas reuni\u00f5es, no meio de uma grande fam\u00edlia, a casa toda enfeitada. Todos os anos os vizinhos e amigos eram convidados para essa data especial. Colaboravam trazendo doces e salgados. Minha av\u00f3 era sempre respons\u00e1vel pelo bolo. Eram eventos festivos, aguardados com palpitante antecipa\u00e7\u00e3o. Uma das coisas que sempre gostei \u2013 e ainda gosto \u2013 \u00e9 a casa cheia.<\/p>\n<p>Estudei em uma escola que gostava muito: SESI. O espa\u00e7o \u00e9 gigante. Ao entrar, tem uma \u00e1rea arborizada e em seguida um pr\u00e9dio para cada lado: o do Ensino M\u00e9dio \u00e9 redondo e o do Fundamental \u00e9 mais retangular. Ao fundo, ficam as quadras. Descendo tem as piscinas e adiante um parquinho. Ao seu lado, quadras de t\u00eanis e basquete. Tamb\u00e9m tem gin\u00e1sio, restaurantes, sala de trof\u00e9us, sala de teatro, vesti\u00e1rios e tantos outros lugares \u2013 incrivelmente fascinante para qualquer crian\u00e7a.<\/p>\n<div id=\"attachment_1798\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1798\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1798 size-medium\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna-Marianna_Battaglia_Dias-3-300x258.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"258\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna-Marianna_Battaglia_Dias-3-300x258.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna-Marianna_Battaglia_Dias-3-768x660.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Marianna-Marianna_Battaglia_Dias-3-1024x880.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-1798\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de&nbsp; Marianna Dias<\/p><\/div>\n<p>No SESI, como em qualquer outra escola, o estudo era levado muito a s\u00e9rio. Ficar de conversa na sala ou bagun\u00e7ar n\u00e3o era o ideal. Tive v\u00e1rias professoras e gostei de todas, mas n\u00e3o lembro seus nomes. S\u00f3 lembro o nome de uma: professora Magali. Todos os dias vinha de saia longa e usava um coque alto. Certa vez, fui chamada \u00e0 lousa para fazer um c\u00e1lculo de divis\u00e3o. Quase ca\u00ed dura de susto e vergonha por n\u00e3o saber resolver. Ela ficou lembrando disso o tempo todo para o grupo, o que n\u00e3o melhorou nada. Me senti ridicularizada diante da classe inteira. Foi traumatizante. A m\u00e1goa virou raiva e tomei a firme decis\u00e3o de mostrar-lhe do que era capaz: aprendi a solucionar a conta sozinha.<\/p>\n<p>Continuei estudando l\u00e1. Vanessa era minha amiga e era muito bom contar com ela para enfrentar os meninos \u2013 era bem encorpada. Convivi com outras colegas que n\u00e3o eram t\u00e3o \u00edntimas. Teve uma vez que contei um segredo a uma delas \u2013 cometi um erro. Virou uma fofoca: todos ficaram sabendo o nome da pessoa de quem eu gostava, inclusive a pr\u00f3pria. N\u00e3o colocamos as coisas em pratos limpos e, por isso, esse epis\u00f3dio me fez perder, de certo modo, para sempre a confian\u00e7a impl\u00edcita e incondicional que tinha no \u201cg\u00eanero humano\u201d, ou, melhor dizendo, a minha cren\u00e7a na palavra dos amigos.<\/p>\n<p>Ao passar dos anos fui me sentido mais independente, pois comecei a voltar da escola para casa sozinha. Costumava pegar tr\u00eas \u00f4nibus para ir junto com minhas amigas. Poderia pegar s\u00f3 um direto. Certo dia, estava muito cansada e resolvi fazer o trajeto mais curto, mas minhas amigas n\u00e3o gostaram da ideia e, por isso, aprontaram uma pegadinha que me tirou do s\u00e9rio: chamaram a aten\u00e7\u00e3o de todos gritando que eu havia roubado o salgadinho que estava em minha m\u00e3o.<\/p>\n<p>Tenho uma lembran\u00e7a dessa \u00e9poca que hoje sinto vergonha: minhas amigas e eu nos encontr\u00e1vamos para dan\u00e7ar. Us\u00e1vamos uma camiseta que estava escrito \u201c100% ax\u00e9\u201d. Nossa banda preferida era Psirico. Depois da faculdade meu gosto mudou. S\u00f3 o que n\u00e3o mudou \u2013 nada de nada de coisa nenhuma \u2013 foi meu paladar: continuo gostando de hamb\u00farguer e n\u00e3o apreciando bebidas alco\u00f3licas, apesar de pessoas pr\u00f3ximas a mim consumirem com frequ\u00eancia. Tenho trauma, por isso nunca experimentei e continuo sem vontade de experimentar. Prefiro me divertir de outros jeitos: surfar, assistir filmes, ler livros e dan\u00e7ar forr\u00f3.<\/p>\n<p>Assim que terminei o 3<u><sup>o<\/sup><\/u> ano do Ensino M\u00e9dio fui para Araraquara fazer faculdade de Pedagogia. O mais dif\u00edcil dessa mudan\u00e7a foi me despedir dos meus familiares \u2013 houve abra\u00e7os, beijos e l\u00e1grimas. No come\u00e7o tive que morar sozinha e n\u00e3o foi nada f\u00e1cil. Lembro-me da primeira vez que fui comprar comida sem companhia: cheguei ao a\u00e7ougue e pedi 100g de carne, pensando que era o suficiente. O a\u00e7ougueiro perguntou qual tipo de carne eu queria e fiquei sem palavras. Pedi licen\u00e7a e liguei para o meu pai, ardendo de vergonha. Mais uma vez meu pai foi meu \u201cprofessor\u201d: me ensinou a comprar carne, inclusive a quantidade adequada.<\/p>\n<p>Depois desse epis\u00f3dio percebi que n\u00e3o era t\u00e3o independente quanto imaginava, precisava aprender a me virar sozinha. \u201cFoi ruim n\u00e3o ter as coisas prontas, a roupa lavada e a comida feita, mas consegui outras coisas: n\u00e3o ter hora pra chegar, n\u00e3o ter que falar de tudo, poder decidir\u201d. &nbsp;Um bom come\u00e7o foi abrir uma conta no banco sem ajuda. Apesar de ter uma conta, o dinheiro para me manter n\u00e3o era o suficiente. Ent\u00e3o, encontrei sete colegas para dividir as despesas. Morando fora conheci algumas pessoas e sa\u00eda com elas. Quando acabou a faculdade, voltei para S\u00e3o Paulo, para a casa dos meus pais.<\/p>\n<div id=\"attachment_1880\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Sofia-sofia-Tuttoilmondo-Pereira-Leite-e-Gabriela_Fontana.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1880\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1880 size-medium\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Sofia-sofia-Tuttoilmondo-Pereira-Leite-e-Gabriela_Fontana-300x226.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"226\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Sofia-sofia-Tuttoilmondo-Pereira-Leite-e-Gabriela_Fontana-300x226.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Sofia-sofia-Tuttoilmondo-Pereira-Leite-e-Gabriela_Fontana-768x579.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Sofia-sofia-Tuttoilmondo-Pereira-Leite-e-Gabriela_Fontana-1024x772.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-1880\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Sofia Pereira Leite e Gabriela Fontana<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Na juventude o perigo \u00e9 a nossa divers\u00e3o. Queria muito fazer uma viagem para a praia. Convidei a minha amiga, mas est\u00e1vamos sem dinheiro. Tivemos a \u201cinfeliz\u201d ideia de pedir carona na estrada. Fizemos uma placa escrita \u201cSantos\u201d e ficamos no acostamento da estrada esperando algu\u00e9m nos levar. Um gentil caminhoneiro parou e nos deixou l\u00e1. Hoje em dia eu n\u00e3o faria isso porque os perigos n\u00e3o s\u00e3o iguais aos daquela \u00e9poca. Gra\u00e7as a essa experi\u00eancia, eu lhes aconselho: nunca pegue carona na estrada.<\/p>\n<p>Amadureci. Antes achava que o mundo era s\u00f3 o que estava a minha volta. N\u00e3o sabia que ele era t\u00e3o grande assim. Eu n\u00e3o viajava, minha fam\u00edlia n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es. Fiz minha primeira viagem internacional com uma amiga. Fomos para Miami, alugamos um carro e fomos dirigindo at\u00e9 Orlando. A estrada era muito boa, mas dava sono. Quanta coisa curiosa, quantas atra\u00e7\u00f5es aquela estrada tinha para mim e minha amiga&#8230; A gente observava de ponta a ponta. Foi uma \u201cchuva\u201d de aventuras em minha vida. Viajar para mim \u00e9 sempre bom. Tenho uma grande vontade de conhecer a Nova Zel\u00e2ndia e ficar um tempo por l\u00e1.<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea fica adulta se arrepende de algumas coisas. Eu mesma me arrependi. Comprei um carro e fiquei afundada em d\u00edvidas. Tamb\u00e9m fico indecisa, principalmente com coisas s\u00e9rias, como o pedido de casamento que eu recebi do Rafael. Fiquei com \u201cborboletas no est\u00f4mago\u201d, pois era uma decis\u00e3o muito dif\u00edcil de ser tomada. Aceitar o meu corpo foi uma fase dif\u00edcil, levou tempo. Hoje em dia, n\u00e3o me preocupo mais. Deixei os obst\u00e1culos da vida de lado e fui. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n<p>No futuro eu penso em passar um tempo fora do Brasil e j\u00e1 pensei em mexer com investimento. Vou me casar em breve e gostaria de ser m\u00e3e de um menino e uma menina.<\/p>\n<p>N\u00e3o tenho tanta experi\u00eancia para dar conselhos. Tem que ser muito s\u00e1bia. Eu n\u00e3o adquiri tudo isso. No entanto, nunca fiz mal para ningu\u00e9m e me orgulho disso. Expectativa? A curto prazo, continuar no 4<u><sup>o<\/sup><\/u> ano e me tornar professora titular. A longo prazo, ser feliz para sempre, pois gosto muito de contos de fadas desde pequena. Sempre tive muita imagina\u00e7\u00e3o e sonhava em ser como a Ariel: morar embaixo da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Essas s\u00e3o algumas das minhas mem\u00f3rias. Espero que viva muito mais e ganhe novas hist\u00f3rias para contar. Certamente algumas v\u00e3o ser boas, ruins, surpreendentes e marcantes. Todas far\u00e3o parte da vida. Vou seguir em frente com cara, coragem, for\u00e7a e amor.<\/p>\n<div id=\"attachment_1796\" style=\"width: 594px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1796\" decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1796 size-large\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Ana-Reibel-Annenberg-584x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"584\" height=\"1024\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Ana-Reibel-Annenberg.jpg 584w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Ana-Reibel-Annenberg-171x300.jpg 171w\" sizes=\"(max-width: 584px) 100vw, 584px\" \/><p id=\"caption-attachment-1796\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia de Ana Reibel Annenberg<\/p><\/div>\n<p>Texto: Alunos do 5o. ano D.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fotografia de Ana Eliza Toledo &nbsp; Oi, ol\u00e1. 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