{"id":1655,"date":"2018-06-22T01:43:42","date_gmt":"2018-06-22T01:43:42","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=1655"},"modified":"2018-08-31T19:33:25","modified_gmt":"2018-08-31T19:33:25","slug":"minhas-memorias-elisa-kijner-gutt","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2018\/06\/22\/minhas-memorias-elisa-kijner-gutt\/","title":{"rendered":"Minhas mem\u00f3rias,  Elisa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Sofia Gutt Mateus<\/p>\n<p><!--more-->Eu me chamo Elisa, meu nome foi escolhido pela minha m\u00e3e, em homenagem a tia dela, que havia falecido um ano antes de eu nascer, em 1972.<\/p>\n<p>Quando crian\u00e7a eu tinha medo de escuro, ficava parada na porta do quarto dos meus pais, at\u00e9 o medo passar.<a href=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2018\/06\/18\/primeira-vez\/fotomemoria-sofia\/\" rel=\"attachment wp-att-1519\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\" wp-image-1519 alignright\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fotomemoria-Sofia-300x262.jpg\" alt=\"\" width=\"358\" height=\"313\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fotomemoria-Sofia-300x262.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fotomemoria-Sofia-768x670.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fotomemoria-Sofia-1024x894.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/fotomemoria-Sofia.jpg 1187w\" sizes=\"(max-width: 358px) 100vw, 358px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Todas as f\u00e9rias eu ia passar pelo menos uma semana em Ubatuba, porque meu pai adorava o lugar. Me lembro de aproveitar a praia e de jogar bola com ele, era muito divertido! Outro lugar que eu ia muito, era a casa do meu tio. Era uma casa grande, com um jardim, uma del\u00edcia. L\u00e1 haviam muitos arbustos com dama da noite, at\u00e9 hoje, quando sinto o cheiro dessa flor, lembro do meu tio e de sua casa.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m ia muito \u00e0 pra\u00e7a Buenos Aires, lembro que l\u00e1 havia uma est\u00e1tua, e minha m\u00e3e me falou que, na \u00e9poca em que eu havia acabado de aprender a andar, eu ficava correndo em volta dela. Algumas brincadeiras que eu brincava muito eram amarelinha, esconde-esconde e gato mia.<\/p>\n<p>Na minha inf\u00e2ncia, estudei em v\u00e1rias escolas. Quando pequenina, entrei em uma chamada Serelepe, onde fiquei at\u00e9 meus 4 anos de idade. Quando sa\u00ed de l\u00e1 fui para o Vera Cruz, e fiquei l\u00e1 at\u00e9 o nono ano, pois no Vera ainda n\u00e3o tinha ensino m\u00e9dio. Depois fui para o Logos \u2014 uma escola que nem existe mais\u2014com 15 anos.<\/p>\n<p>Normalmente, quando somos crian\u00e7as, sonhamos com muitas profiss\u00f5es, eu n\u00e3o fui exce\u00e7\u00e3o disso. Primeiro quis ser professora de ballet, depois de nata\u00e7\u00e3o e depois professora, mas sempre amei a<\/p>\n<p>ideia de ser m\u00e9dica. Uma grande influ\u00eancia para eu escolher minha profiss\u00e3o, foi meu tio, que j\u00e1 a seguia, mas isso \u00e9 mais para frente, n\u00e3o vou me adiantar.<\/p>\n<p>Fui son\u00e2mbula, e isso me fez pagar alguns micos. Um dia \u2014 ou melhor, uma noite \u2014 eu estava em um acampamento, e de repente comecei a sonambular, eu andei e deitei em uma cama, que n\u00e3o era a minha, mas por sorte n\u00e3o havia ningu\u00e9m dormindo nela. Tirei tudo o que tinha na cama e dormi. No dia seguinte, acordei ouvindo algu\u00e9m reclamar que suas coisas estavam no ch\u00e3o, fiquei morrendo de vergonha. Outra vez, tamb\u00e9m em um acampamento, eu, enquanto todos dormiam, comecei a andar por cima das camas, com pessoas nelas, tamb\u00e9m foi muito vergonhoso.<\/p>\n<p>Uma vez fui ao s\u00edtio de uma amiga, junto com mais uma amiga \u2014ou seja, \u00e9ramos tr\u00eas \u2014e l\u00e1 havia um caseiro que nos contou hist\u00f3rias de terror, n\u00f3s ficamos com muito medo. Quando fomos dormir, juntamos nossas camas e dormimos juntinhas. No meio da noite, ouvimos um barulho, e sa\u00edmos correndo, desesperadas. Foi muito engra\u00e7ado.<\/p>\n<p>Muitos anos depois, quando cresci, resolvi ser m\u00e9dica. A faculdade de medicina \u00e9 bem dif\u00edcil, e para mim, que nunca havia ficado de recupera\u00e7\u00e3o no colegial, foi um grande choque ser reprovada em uma mat\u00e9ria. Eu fiquei muito brava e disse para a professora que iria fazer direito (para ser advogada), e at\u00e9 hoje quando eu encontro essa professora ela me diz &#8220;ah, t\u00e1 bom, vai fazer direito&#8221; s\u00f3 que em um sentido diferente do que eu havia dito&#8230;<\/p>\n<p>Em meu quinto ano da faculdade, eu estava de plant\u00e3o, quando apareceu um homem com v\u00e1rias machadadas na cabe\u00e7a. Ele havia discutido com a namorada e ela havia ficado t\u00e3o brava que bateu nele com um machado. Por sorte as batidas n\u00e3o tinham sido muito fortes, ent\u00e3o os machucados n\u00e3o eram t\u00e3o profundos, mas a gente levou um temp\u00e3o para fechar todos.<\/p>\n<p>Ainda nessa \u00e9poca, quando est\u00e1vamos de plant\u00e3o, t\u00ednhamos que cuidar de mendigos no pronto-socorro do lugar em que eu fiz faculdade \u2013 a Santa Casa. Eles chegavam muito sujos, cheirando muito mal, com piolho, mas n\u00e3o podiam tomar banho, pois tamb\u00e9m chegavam morrendo de frio, e se tomassem banho, perderiam o pouco calor que tinham no corpo. Ent\u00e3o esper\u00e1vamos eles se esquentarem, e enquanto isso, n\u00f3s fic\u00e1vamos sentindo aquele cheiro ruim.<\/p>\n<p>A mem\u00f3ria mais triste que eu tenho foi quando meu pai morreu. Eu tinha entre 28 e 27 anos. Ele fumava muito, ent\u00e3o ficou doente, perdeu o emprego e acabou falecendo. Meu pai, era muito importante para mim, fico muito triste quando lembro disso.<\/p>\n<p>Desde meu nascimento, at\u00e9 hoje eu morei em diversas casas. A primeira foi na rua Sabar\u00e1, era um pr\u00e9dio, ele tinha um parquinho bem legal, uma piscina, morei l\u00e1 at\u00e9 os sete anos, porque a\u00ed meu irm\u00e3o nasceu e a gente precisou de uma casa maior. Fomos para a rua Dr. Lu\u00eds Augusto de Queiroz Aranha, era uma casa, grande, no come\u00e7o eu dividi o quarto com minha irm\u00e3, mas depois cada uma ficou com um quarto. Era bem perto da escola ent\u00e3o eu ia e voltava a p\u00e9.<\/p>\n<p>Depois meu pai adoeceu, e nos mudamos para uma casa alugada, pois ele perdeu o emprego e n\u00f3s ficamos sem dinheiro suficiente para comprar uma. Essa casa ficava na rua T\u00falio Ascareli, foi uma parte bem dif\u00edcil da minha vida, a casa era pequena e ficamos mal acomodados. Meu pai foi piorando, e fomos morar na rua Caiov\u00e1 pois l\u00e1 ele n\u00e3o precisaria subir escada, apesar disso o lugar era bom, e ficava perto do metr\u00f4.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s morar nessa casa eu me casei, e fui para um apartamento na rua Caravelas, n\u00f3s o decoramos bem e ficou bem bonito. A minha pr\u00f3xima casa foi o apartamento em que fomos morar quando fiquei gr\u00e1vida de minha primeira filha, Sofia, pois achamos que com ela precisar\u00edamos de mais espa\u00e7o. Ele ficava na rua Dr. Bacelar, tinha uma varanda, uma churrasqueira, foi muito bom. Minha filha aproveitou muito a piscina e o parquinho do pr\u00e9dio, l\u00e1 tinha um sal\u00e3o de festas, fizemos diversas festas l\u00e1.<\/p>\n<p>O \u00fanico problema era que aquele pr\u00e9dio ficava muito longe do meu trabalho e da escola da Sofia, por isso nos mudamos para o pr\u00e9dio em que moro at\u00e9 hoje, na alameda Ja\u00fa. Mor\u00e1vamos aqui quando nasceu minha segunda filha, Manoela. Gosto daqui, n\u00f3s vivemos bem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sofia Gutt Mateus<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[239],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-qH","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1655"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1655"}],"version-history":[{"count":5,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1731,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1655\/revisions\/1731"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}