{"id":1538,"date":"2018-06-20T19:34:51","date_gmt":"2018-06-20T19:34:51","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=1538"},"modified":"2018-06-21T14:11:30","modified_gmt":"2018-06-21T14:11:30","slug":"minhas-memorias-2","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2018\/06\/20\/minhas-memorias-2\/","title":{"rendered":"Minhas mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\">Hannah Svartz<\/p>\n<p><!--more-->Meu nome \u00e9 Yoram Shvartz, nasci no dia 26 de junho de 1961, numa pequena cidade de Israel, chamada \u201cKiriat Gat&#8221;. Morava em um apartamento com meus dois irm\u00e3os e meu pai, e &#8211; por bem pouco tempo &#8211; minha m\u00e3e.<\/p>\n<p>Quando eu tinha oito meses minha m\u00e3e morreu, no dia 12 de fevereiro, n\u00e3o entendia muito porque s\u00f3 tinha alguns meses e s\u00f3 depois de um temp\u00e3o entendi e fiquei muito triste. Pouco tempo depois, meu pai se casou com uma madrasta muito chata, eu queria muito que minha m\u00e3e estivesse viva at\u00e9 hoje para que minha vida n\u00e3o fosse t\u00e3o chata na minha inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Tenho quatro irm\u00e3os, dois irm\u00e3os mais velhos se chamam Moshe e Cohava, com a morte da minha m\u00e3e fiquei bem triste, mas como meu pai se casou novamente, teve mais dois filhos, Tzvia e Itzhak. Eu adorava brincar com eles e quase nunca brig\u00e1vamos porque eu gostava muito deles.<\/p>\n<p>Minha madrasta nunca gostou de mim, ela tinha um filho da minha idade e sempre fazia diferen\u00e7a entre n\u00f3s. Uma vez ela jogou um cinzeiro na minha dire\u00e7\u00e3o e acertou em cheio minha testa. Ela sempre ficava brava comigo s\u00f3 porque n\u00e3o gostava de mim.<\/p>\n<p>Lembro que uma vez at\u00e9 ficou presa por ter me agredido.<\/p>\n<p>Eu morava em um apartamento, numa cidade pequena de Israel, e a maior parte do tempo ficava<\/p>\n<p>brincando na rua, quando n\u00e3o estava trabalhando no restaurante do meu pai. Adorava brincar na rua, tinha muitos amigos. Tamb\u00e9m assim, ficava longe da minha madrasta chata.<\/p>\n<p>No per\u00edodo que eu n\u00e3o estava trabalhando com meu pai, estava na escola. Um dia, a professora estava nos ensinando a pronuncia das letras e quando chegou na letra \u201cReish\u201d fui o \u00fanico a falar errado e todos riram de mim. Fiquei muito envergonhado.<\/p>\n<p>Adoro futebol desde pequeno, \u00e0s vezes fugia da escola para ir ao jogo de futebol em Jerusal\u00e9m, para ver meu time favorito \u2018Beitar Jerusal\u00e9m\u201d. Sempre assisto futebol na tev\u00ea e algumas vezes no est\u00e1dio. Me lembro de colecionar o \u00e1lbum da copa de 1970, que nem voc\u00eas fazem hoje, e eu amava colecionar os \u00e1lbuns da copa.<\/p>\n<p>Aos doze anos, meu pai me levou para morar em um Kibbutz &#8211; que \u00e9 um lugar comunit\u00e1rio onde as pessoas trabalham para viver \u2013 no sul de Israel, l\u00e1 eles aceitavam crian\u00e7as. Fui para uma nova escola e conheci novos amigos para a vida toda. Meus dois irm\u00e3os mais velhos j\u00e1 moravam em outro Kibbutz, onde moram at\u00e9 hoje. Aos finais de semana meu pai me visitava, e \u00e0s vezes eu que visitava meus irm\u00e3os &#8211; e visito at\u00e9 hoje. No Kibbutz aprendi a trabalhar na terra com trator, tirar leite da vaca e tamb\u00e9m a trabalhar na cozinha.<\/p>\n<p>Falando em cozinha, minhas comidas preferidas s\u00e3o, e sempre ser\u00e3o, &#8220;falafel&#8221; e \u2018\u2019shunt\u2019\u2019, que s\u00e3o pratos t\u00edpicos de Israel. O Shunt \u00e9 como se fosse a feijoada brasileira, mas feito com uma mistura de feij\u00f5es, carne e batatas.<\/p>\n<p>Algumas vezes, hoje em dia, vou comer &#8220;falafel\u00b4\u00b4 com minha filha e fico muito feliz de passar esses momentos com ela.<\/p>\n<p>Aos 18 anos fui para o ex\u00e9rcito de Israel e fui selecionado para o Fronte que s\u00e3o soldados que v\u00e3o na frente do tanque, no caso de guerra. No come\u00e7o fiquei com medo, mas depois criei coragem. Logo quando terminei o ex\u00e9rcito come\u00e7ou a guerra do L\u00edbano de 1982, por isso voltei para o pa\u00eds, pois estava em guerra. Ent\u00e3o servi mais tr\u00eas meses, e infelizmente l\u00e1, perdi muitos amigos, me senti triste e aliviado ao mesmo tempo, porque apesar de ter perdido meus amigos sobrevivi a guerra.<\/p>\n<p>Meu pai faleceu aos 64 anos, eu e meus irm\u00e3os ficamos bem tristes, eu j\u00e1 havia terminado o ex\u00e9rcito e trabalhava em Londres, portanto n\u00e3o pude comparecer ao seu enterro. Mas, em troca, todos os anos eu visito o cemit\u00e9rio e o t\u00famulo da minha verdadeira m\u00e3e e do meu pai, acendo uma vela e fa\u00e7o uma ora\u00e7\u00e3o. Infelizmente minha madrasta vive at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>Comecei trabalhar bem cedo, como viram, no restaurante do meu pai, depois no Kibbutz, quando aprendi a trabalhar no trator, nas terras e amava aquele trabalho, foi meu preferido. Depois do ex\u00e9rcito fui para Londres trabalhar em constru\u00e7\u00e3o, foram tempos dif\u00edceis\u2026 De volta \u00e0 Israel, fui chamado para trabalhar no aeroporto de Israel e de l\u00e1 fui convidado para trabalhar de guarda costas de uma fam\u00edlia muito importante que morava no sul da Fran\u00e7a. Foi esta mesma fam\u00edlia que me trouxe para o Brasil, e ap\u00f3s alguns anos, pude abrir minha pr\u00f3pria empresa de seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Casei aos 43 anos com minha mulher chamada Shaska e logo tivemos dois filhos. Toda vez que conseguimos viajar sem as crian\u00e7as chamamos de \u201cLua de mel&#8221;. Tivemos quatro luas de mel, em Buenos Aires -Argentina, Santiago &#8211; Chile, Lima &#8211; Peru e Nice &#8211; Fran\u00e7a. Hoje temos mais uma filha e ficou mais dif\u00edcil viajar sozinho com minha esposa, mas no ano passado tivemos uma breve lua de mel em Budapeste -Hungria e eu amei. Toda vez que a gente viaja, trazemos presentes para as crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Quando fui fazer o documento dos meus dois filhos mais velhos filhos eu errei o sobrenome e ficou Svartz em vez de Shvartz.<\/p>\n<p>Esse foi o fim de uma parte das minhas mem\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hannah Svartz<\/p>\n","protected":false},"author":20,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[239],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-oO","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1538"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/20"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1538"}],"version-history":[{"count":2,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1538\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1564,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1538\/revisions\/1564"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1538"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1538"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1538"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}