{"id":1284,"date":"2017-05-15T18:36:44","date_gmt":"2017-05-15T18:36:44","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=1284"},"modified":"2017-09-27T13:07:56","modified_gmt":"2017-09-27T13:07:56","slug":"5oc-coletivo","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2017\/05\/15\/5oc-coletivo\/","title":{"rendered":"5&ordm; C- Bud\u00e9 e a professora que levou um tiro no p\u00e9 &#8211; dentre outras mem\u00f3rias"},"content":{"rendered":"<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1338\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_161947-576x1024.jpg\" alt=\"Turma 5C - foto 8\" width=\"576\" height=\"1024\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_161947-576x1024.jpg 576w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_161947-169x300.jpg 169w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_161947-768x1365.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 576px) 100vw, 576px\" \/>Eu sou Jorge de Souza Azevedo, nasci no dia 13 de dezembro de 1978, em uma cidade pequena \u2013 que todos se conhecem \u2013 chamada Maca\u00fabas, no estado da Bahia. Quando meu pai foi ao cart\u00f3rio me registrar, j\u00e1 fazia um tempo que eu tinha nascido. Ele n\u00e3o lembrava o ano de meu nascimento e em meu registro sou do ano de 1977, mas sempre comemoro o anivers\u00e1rio na minha data de nascimento verdadeira e n\u00e3o do documento. Ent\u00e3o esse ano, 2017, comemorarei 39 anos.<\/p>\n<p>Minha casa era muito agitada. Morava em um s\u00edtio com meus pais e irm\u00e3os. Muitos irm\u00e3os! Dez filhos ao todo: sete meninas e tr\u00eas meninos. Sou o antepen\u00faltimo filho. Eu dividia o quarto com meus irm\u00e3os, pois nem havia como eu ter um quarto s\u00f3 para mim. Com eles fazia muitas brincadeiras. Uma que eu gostava muito era me esconder embaixo da cama no escuro \u2013 um esconderijo secreto. Quando os meus irm\u00e3os menos esperavam, pegava no p\u00e9 de quem estivesse ali, dando-lhe um susto enorme, que fazia a pessoa sair correndo e gritando.<\/p>\n<p>Em nosso s\u00edtio cri\u00e1vamos alguns animais e l\u00e1 no Nordeste n\u00e3o havia muita \u00e1gua encanada ou filtrada, ent\u00e3o era preciso caminhar bastante para pegar \u00e1gua. Eu tinha que levar o gado at\u00e9 o lugar que tinha \u00e1gua para matar a sede. Eu ia montado num cavalo, acompanhando o rebanho. Numa tarde, retornando para casa, estava tranquilo na montaria \u2013 pois fazia sempre esse percurso, o cavalo sabia exatamente o caminho \u2013 at\u00e9 que tomei um grande susto. Ele decidiu fazer uma curva para outro lado, desequilibrei e ca\u00ed. O cavalo voltou para casa sozinho, enquanto eu tive que voltar a p\u00e9. Chorei bastante e fiquei com muita dor do tombo.<\/p>\n<p>Outra coisa que eu me lembro que doeu bastante, foi quando eu e a minha irm\u00e3 est\u00e1vamos andando de bicicleta. Tinha uma descida grande, a estrada era de terra, n\u00e3o tinha asfalto. Fomos pegando velocidade. Quando ela viu que l\u00e1 embaixo tinha areia decidiu desviar, no que eu olhei para tr\u00e1s, n\u00f3s derrapamos e ela acabou nos derrubando. Foi um tombo feio, passei por cima da minha irm\u00e3 e ela acabou quebrando o dente.<\/p>\n<p>Na juventude, eu adorava jogar futebol com os meus amigos \u2013 eles me apelidaram de Bud\u00e9. \u00a0Eu saia de casa mais ou menos tr\u00eas da tarde e s\u00f3 voltava \u00e0s oito da noite. O campo de futebol ficava perto de casa. Minha m\u00e3e ficava brava, gritando da janela de casa meu nome, pedindo que eu voltasse. Tamb\u00e9m queria que eu me divertisse, mas n\u00e3o at\u00e9 t\u00e3o tarde.<\/p>\n<p>Uma das hist\u00f3rias mais marcantes para mim, aconteceu no ano de 2001, eu ainda estava na escola, em uma classe com 42 alunos. Eram onze horas da manh\u00e3 e a professora estava prestes a dar as notas. Estava precisando ir ao banheiro, ent\u00e3o pedi a ela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O banheiro n\u00e3o era pr\u00f3ximo da classe, era preciso virar uma esquina e andar uns sete, oito metros para chegar nele. Ao sair da classe e fechar a porta, vi um homem em cima de uma parede alta com as m\u00e3os entre as pernas, eu nem imaginava o que ele fazia ali.<\/p>\n<p>Alguns minutos depois, quando estava voltando do banheiro, ouvi um barulho de tiro e o pessoal gritando. Escutei mais um tiro. Veio todo mundo correndo, desesperadamente, na minha dire\u00e7\u00e3o, para sair da escola. \u201cTem um cara atirando na escola!\u201d gritavam. \u201cComo vou voltar para sala?\u201d logo pensei. Ent\u00e3o corri tamb\u00e9m. Senti medo.<\/p>\n<p>Depois fiquei sabendo que o homem que estava em cima do muro aproveitou minha sa\u00edda da sala e entrou. Em sua m\u00e3o tinha uma espingarda que estava cerrada, bem curta, e mirou na professora, mas na hora em que ele foi atirar nela, a arma pesou na sua m\u00e3o e o tiro \u2013 que demorou para sair \u2013 pegou no p\u00e9 dela. O outro tiro, que saiu pelo p\u00e1tio, acertou outras pessoas, era chumbinho. Dos 42 alunos que estavam na sala, s\u00f3 eu n\u00e3o presenciei essa cena.<\/p>\n<p>De repente vi o homem correndo para fora da classe, onde tinha uma quadra de esportes. Algumas pessoas n\u00e3o sabiam o que fazer. \u201cPega ele para n\u00e3o fugir!\u201d\u00a0 Ele saltou pelo muro e subiu uma serra, apoiando-se na torre de tev\u00ea. Os policiais foram atr\u00e1s dele.<\/p>\n<p>Eu j\u00e1 havia visto ele, pois cidade pequena todo mundo se conhece. O caso saiu no Jornal Nacional. Ele j\u00e1 estava planejando fazer isso, mas s\u00f3 depois que ele se matou \u00e9 que encontraram alguns bilhetes dele falando sobre o acontecido. Por sorte a professora ficou bem, s\u00f3 precisou fazer uma cirurgia no p\u00e9.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1343\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/1495652371043-c876f1b9-4368-4e8e-b0d2-b027e60e9acd-1024x730.jpg\" alt=\"Turma 5C - foto 3\" width=\"806\" height=\"575\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/1495652371043-c876f1b9-4368-4e8e-b0d2-b027e60e9acd-1024x730.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/1495652371043-c876f1b9-4368-4e8e-b0d2-b027e60e9acd-300x214.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/1495652371043-c876f1b9-4368-4e8e-b0d2-b027e60e9acd-768x547.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/1495652371043-c876f1b9-4368-4e8e-b0d2-b027e60e9acd-100x70.jpg 100w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/p>\n<p>Desde pequeno eu tinha o desejo de vir para S\u00e3o Paulo, porque meu tio j\u00e1 vivia por aqui &#8211;\u00a0 ele me influenciou porque falava muito de um time de futebol paulista \u2013 tanto que tor\u00e7o para o S\u00e3o Paulo Futebol Clube, sou s\u00e3o-paulino roxo. Quando minha m\u00e3e faleceu, eu j\u00e1 n\u00e3o tinha mais motivos para ficar na Bahia. Realizei meu desejo me mudando para c\u00e1 como muitos que moram no Nordeste.<\/p>\n<p>Nessa mudan\u00e7a eu precisava de um emprego. Por sorte, a patroa da minha irm\u00e3 \u2013 que j\u00e1 morava aqui em S\u00e3o Paulo \u2013 era a Beth, coordenadora da Escola Vera Cruz, que estava prestes a abrir a nova unidade Alvil\u00e2ndia e precisava de um funcion\u00e1rio. Me convidou para trabalhar com ela, e me fez prometer que iria at\u00e9 a minha terra buscar as minhas coisas e voltaria. Desde que eu voltei trabalho na portaria, manuten\u00e7\u00e3o, faxina e entregando malotes entre as unidades.<\/p>\n<p>Quando vim morar aqui, deixei l\u00e1 no Nordeste algumas pessoas importantes: parte da fam\u00edlia, amigos, e mais recentemente um amor. Em umas f\u00e9rias que fui visitar minha cidade, conheci a Marly, que hoje \u00e9 minha esposa.<\/p>\n<p>Eu a pedi em casamento no dia de Natal, numa surpresa que fiz para ela. Levei-a num passeio, num local que sempre as pessoas da cidade v\u00e3o, perto do rio. Quando fiz o pedido ela se emocionou e chorou, mas eu segurei o choro \u2013 s\u00f3 desta vez, porque choro com bastante facilidade.<\/p>\n<p>Estamos casados h\u00e1 um ano, meu desejo \u00e9 que no futuro eu tenha filhos, quem sabe no final desse ano. E espero conseguir trabalhar na \u00e1rea de seguran\u00e7a do trabalho, pois estou frequentando um curso nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1341\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_165204-1024x576.jpg\" alt=\"Turma 5C - foto 5\" width=\"806\" height=\"453\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_165204-1024x576.jpg 1024w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_165204-300x169.jpg 300w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_165204-768x432.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_165204.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 806px) 100vw, 806px\" \/><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sou Jorge de Souza Azevedo, nasci no dia 13 de dezembro de 1978, em uma cidade pequena \u2013 que todos se conhecem \u2013 chamada Maca\u00fabas, no estado da Bahia. Quando meu pai foi ao cart\u00f3rio me registrar, j\u00e1 fazia um tempo que eu tinha nascido. Ele n\u00e3o lembrava o ano de meu nascimento e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1339,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"ngg_post_thumbnail":0,"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[211,27],"tags":[],"jetpack_featured_media_url":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170407_163233.jpg","jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7wWE5-kI","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1284"}],"collection":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1284"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1284\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1492,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1284\/revisions\/1492"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1339"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1284"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1284"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1284"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}