{"id":1275,"date":"2017-05-15T18:34:11","date_gmt":"2017-05-15T18:34:11","guid":{"rendered":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/?p=1275"},"modified":"2017-06-09T18:32:04","modified_gmt":"2017-06-09T18:32:04","slug":"5-f-mil-e-um-livros-e-infinitos-alunos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/2017\/05\/15\/5-f-mil-e-um-livros-e-infinitos-alunos\/","title":{"rendered":"5&ordm; F &#8211; Mil e um livros e infinitos alunos"},"content":{"rendered":"<p>Sempre fui uma menina muito brincalhona, nasci em S\u00e3o Paulo, no dia 25 de mar\u00e7o de 1965. Na rua, divertia-me com meus vizinhos brincando de beijo, abra\u00e7o ou aperto de m\u00e3o, mam\u00e3e e filhinha, pega-pega e balan\u00e7a caix\u00e3o, porque naquele tempo ainda era seguro brincar nas ruas da nossa cidade. Brincava tamb\u00e9m dentro de casa com meus quatro irm\u00e3os; era a segunda mais velha entre as crian\u00e7as de casa. Tive grandes amigos na inf\u00e2ncia: T\u00falio, Fl\u00e1vio, Mara, J\u00falio, Sandra e M\u00e1rcia. Alguns deles encontro at\u00e9 hoje nos meus momentos de lazer.<\/p>\n<p>Entrei na escola Casa de Inf\u00e2ncia do Menino Jesus com seis anos e com sete j\u00e1 sabia ler e escrever. Era um col\u00e9gio \u00a0montessoriano , de freiras, com m\u00e9todos diferentes de estudar, havia alunos internos e externos e \u00a0me lembro muito bem de um aluno chamado Porfiro, que jogava pedrinhas em mim, ca\u00e7oava chamando-me de feia quando fiquei banguela.<\/p>\n<p>Na minha vida tive dois professores que me marcaram muito: na inf\u00e2ncia foi a Tia Marli, que me ensinou a ler e a escrever, e do sexto ao nono ano foi o professor Jos\u00e9 Carlos de L\u00edngua Portuguesa, que era muito exigente e me deixou de recupera\u00e7\u00e3o em todos os anos. Esse professor trabalhava com cr\u00f4nicas e teatro e me elogiava, dizendo que poderia ser atriz porque eu me expressava bem. Hoje eu o agrade\u00e7o porque aprendi muito durante suas aulas.Nesse tempo, j\u00e1 queria ser professora ou m\u00e9dica pediatra, porque gostava muito de ajudar as crian\u00e7as, mesmo sendo uma delas. Em casa eu gostava de ajudar meus irm\u00e3os, principalmente minha irm\u00e3 menor.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignleft wp-image-1277 size-medium\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_2591-169x300.jpg\" alt=\"IMG_2591\" width=\"169\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_2591-169x300.jpg 169w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_2591-768x1365.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_2591-576x1024.jpg 576w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/IMG_2591.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/>Em todas as f\u00e9rias, eu e minha fam\u00edlia, nos divert\u00edamos na casa de praia da minha av\u00f3, em Mongagu\u00e1, no litoral Sul. Tinha muita vontade de ter um patins e um dia pedi para\u00a0 meu av\u00f4 que tinha uma f\u00e1brica de fornos duas t\u00e1buas de madeira do tamanho dos meus p\u00e9s e v\u00e1rios el\u00e1sticos. Estava ansiosa para experimentar meu novo brinquedo. Fui tomar banho com minha irm\u00e3 e comecei a patinar pelo banheiro. Estava tudo bem at\u00e9 que escorreguei no piso liso e ca\u00ed de testa na pia. Senti muita dor, saiu muito sangue e sim, tinha aberto a minha testa. Minha irm\u00e3 ficou apavorada, saiu correndo e chamou meus av\u00f3s, fui para o pronto socorro e levei dez pontos. Imagine voc\u00ea se divertindo, e tem a brilhante ideia de criar uma nova brincadeira e acontece o inesperado: um curativo grande e vergonhoso na testa, que me incomodou por semanas, justo nas f\u00e9rias! Nunca mais fiz uma traquinagem t\u00e3o grande, mas acidentes fazem parte da inf\u00e2ncia!<\/p>\n<p>Lembro-me bem da minha primeira paix\u00e3o aos oito anos. Era um amor plat\u00f4nico. N\u00f3s apenas nos olh\u00e1vamos. Eu estava no terceiro ano e ele no quarto, era amigo do meu irm\u00e3o. Minha fam\u00edlia \u00e0s vezes fazia festas e eu gostava muito. Em um desses bailes, n\u00f3s dan\u00e7amos juntos e durante uma m\u00fasica lenta ele apoiou sua testa na minha e foi assim que me apaixonei dos oito \u00a0aos quatorze anos.<\/p>\n<p>Na minha adolesc\u00eancia n\u00e3o era rebelde, muito pelo contr\u00e1rio, bastante sens\u00edvel e sofria muito com relacionamentos.<\/p>\n<p>Era popular na escola, e tamb\u00e9m generosa porque brincava sempre com meninos e meninas, tinha amizade com pessoas dos outros grupos, ajudando quem n\u00e3o tinha com quem conversar.<\/p>\n<p>Comecei a ajudar minha m\u00e3e na cozinha, tirava os pratos da mesa e\u00a0 arrumava as camas. Meus pais nunca precisaram me mandar estudar porque era estudiosa, boa aluna e organizada. Pensavam muito na educa\u00e7\u00e3o dos filhos, compravam raramente roupas e sapatos. Minha fam\u00edlia investia muitos em livros.<\/p>\n<p>Mudei de opini\u00e3o sobre o que eu queria ser, n\u00e3o queria mais ser m\u00e9dica pediatra, at\u00e9 pensei em ser atriz por incentivo do meu professor, fiz vestibular e passei em rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas. Parei ap\u00f3s seis meses e fiz um novo vestibular para pedagogia. Como havia feito magist\u00e9rio, pude trabalhar com crian\u00e7as pequenas e assim aos 18 anos, me tornei bab\u00e1 durante um curto per\u00edodo de tempo para ganhar meu pr\u00f3prio dinheiro.<\/p>\n<p>Com 19 anos fui trabalhar num banco como escritur\u00e1ria e com o sal\u00e1rio que recebia planejava minhas viagens.Poucos amigos tinham dinheiro para me acompanhar, pois eu era uma das \u00fanicas que tinha um emprego.<\/p>\n<p>Adorava festas, minha fam\u00edlia era muito festeira, quase todos os fins de semana tinha festa em casa, porque meu pai n\u00e3o gostava que \u00a0fossemos em discoteca. Quando \u00edamos, minha m\u00e3e logo na entrada via que tinha luz negra e me perguntava se eu gostaria mesmo de ficar e como era medrosa decidia voltar para casa. Assim perdia muitas festas com amigos divertidos.\u00a0 Gostei muito da minha adolesc\u00eancia, sofria muito quando me apaixonava e n\u00e3o era correspondida.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-1276\" src=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170503132130_00001-desenho-Laura-memorias-212x300.jpg\" alt=\"20170503132130_00001 desenho Laura memorias\" width=\"212\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170503132130_00001-desenho-Laura-memorias-212x300.jpg 212w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170503132130_00001-desenho-Laura-memorias-768x1086.jpg 768w, http:\/\/site.veracruz.edu.br:8087\/historias\/wp-content\/uploads\/2017\/05\/20170503132130_00001-desenho-Laura-memorias-724x1024.jpg 724w\" sizes=\"(max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/>Nunca morei sozinha antes de casar, s\u00f3 sai de casa quando casei com Ricardo que \u00e9 meu marido at\u00e9 hoje. Ricardo n\u00e3o foi meu primeiro namorado, mas foi o meu grande amor. Namoramos cinco anos e foi o \u00fanico que me pediu em namoro. Eu me casei com vinte e nove anos Tive uma filha, Natasha, aos trinta e cinco anos e meu filho, Ricardo, com quarenta anos. Meu marido escolheu Natasha e logo achei o nome diferente, foi quando meu marido me disse que esse era um nome feminino muito forte. Depois de um tempo fui me acostumando e quando ela nasceu percebi que ele estava certo. Natasha era realmente uma menina muito forte e corajosa. Eles s\u00e3o minha grande alegria porque sempre quis ter filhos.<\/p>\n<p>A primeira escola que trabalhei chama-se Carand\u00e1, dei aula durante tr\u00eas anos l\u00e1 Era uma escola muito interessante e eles compravam os materiais de Matem\u00e1tica do \u00a0Vera Cruz, \u00a0eu gostava muito do m\u00e9todo \u00a0e fiquei interessada pelo projeto. Mandei meu curr\u00edculo e participei da sele\u00e7\u00e3o para estagi\u00e1ria. Fui contratada como auxiliar de classe e depois como professora. Iniciei o trabalho na biblioteca h\u00e1 dois anos atr\u00e1s, porque me apaixonei pelos livros a partir dos 17 anos. Fui estudar Literatura e quando a Marta saiu, fui convidada\u00a0 a dar aulas na biblioteca e aceitei rapidamente.<\/p>\n<p>Hoje em dia, planejo as aulas pensando em livros de assuntos diferentes, leio primeiro na minha casa e se gostei e achei apropriado leio\u00a0\u00a0 ou indico para meus alunos.<\/p>\n<p>Senti-me muito feliz e emocionada por ter sido escolhida pelos alunos do 5 F . O projeto de mem\u00f3rias era familiar porque ajudei a criar as atividades e tamb\u00e9m trabalhei com essa sequ\u00eancia de aulas na\u00a0 minha \u00faltima classe.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre fui uma menina muito brincalhona, nasci em S\u00e3o Paulo, no dia 25 de mar\u00e7o de 1965. 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