Pós-graduação - Formação de Escritores

Programa

Panorama da Literatura com Ricardo Azevedo - Pós-graduação Formação de Escritores

Formação em Ficção ou Não Ficção

O curso é composto por seis disciplinas temáticas optativas + uma oficina introdutória de criação literária + três oficinas intermediárias de criação literária + quatro oficinas avançadas de criação literária, num total de 14 disciplinas. Além das disciplinas e oficinas, compõem a grade curricular palestras, conferências e diálogos dos quais participam especialistas, escritores, editores e professores convidados pelo curso para tratar de temas de interesse do escritor em formação.

Ao longo dos dois anos, o estudante faz uma oficina de criação literária por bimestre, em encontros semanais, com oito oficinas de criação literária ao todo.

As disciplinas temáticas optativas são selecionadas pelos alunos e cursadas, também semanalmente, a cada bimestre. O estudante deve cursar um mínimo de seis disciplinas temáticas para se graduar. Não há, contudo, limite máximo para o número de disciplinas optativas. A partir da sétima disciplina elas são incorporadas ao histórico do estudante como enriquecimento curricular.

As aulas ocorrem, em geral, duas vezes na semana, às segundas-feiras e às quartas ou quintas-feiras, sempre das 19h às 22h. As oficinas são realizadas às segundas-feiras, e as disciplinas temáticas são ministradas às quartas e quintas-feiras. Os eventos – palestras, conferências e diálogos, de seis a oito ao ano – poderão ocorrer em qualquer dia da semana, de segunda a quinta, no mesmo horário de aula. A presença é obrigatória para quem está matriculado.

Como trabalho de conclusão os estudantes devem apresentar uma obra literária planejada e escrita durante sua formação, que será lida e comentada criticamente por dois professores do curso.

Antologia literária

No final do curso, uma antologia impressa reúne textos dos alunos produzidos durante os anos de formação. Essa seleção de textos de ficção e não ficção é uma apresentação pública do trabalho que os escritores formados pelo curso realizam. Os alunos recebem cópias impressas da antologia, que é também distribuída para editoras e agentes literários brasileiros.

 

Ficção

Sala de aula da pós-graduação Formação de Escritores

Escrever ficção significa colocar em prosa uma história inventada, marcada pelas referências dos escritores e seus contextos de vida. Um texto em prosa mantém muitas vezes um vínculo muito estreito com a realidade, porém não se confunde com ela. Como autor de ficção, o aluno escreve narrativas breves ou longas que, lidas, produzem efeitos de sentido no leitor e com ele dialogam. Um projeto de autoria é que orienta a produção literária de cada escritor. É nesse aspecto que o curso atua, auxiliando o escritor na descoberta de um estilo próprio, um projeto literário pessoal. Essa perspectiva autoral é fundamental no curso.

Os estudantes de Ficção terão aulas duas vezes por semana. Eles cursam ao menos duas disciplinas por bimestre: uma oficina de criação literária, ministrada às segundas, e uma disciplina temática optativa, escolhida dentre as oferecidas a cada bimestre, geralmente ministradas às quartas e quintas-feiras.

O trabalho de conclusão do curso do aluno de ficção é uma livro em um dos gêneros consagrados da prosa ficcional, como romances, novelas, contos e crônicas, ou dialogando com eles, experimentando possibilidades híbridas de escrita ficcional.

 

Não Ficção

Sala de aula da pós-graduação Formação de Escritores

Escrever sobre um acontecimento, contar a vida de alguém, colocar em palavras a própria vida, refletir sobre o que vemos e vivemos são matérias que ocupam um escritor de não ficção. Como o próprio nome sugere, esses textos tratam de fatos, histórias, fenômenos reais observados. Um texto não ficcional não está, nem deve estar, longe da literatura. Basta pensar que em qualquer relato real há sempre o ponto de vista de quem o conta. Há o modo como se conta. E a impressão subjetiva, nesses casos, pode ser tão ou mais importante que o fato objetivo. É o caso do ensaio pessoal, em que a tese do autor, a reflexão ensaiada, é marcada por seu ponto de vista e sua linguagem, tão estilizada como em uma peça ficcional.
Outros textos dão menos margem à subjetividade e dependem de pesquisa, de apuração dos fatos, do relacionamento com fontes, da análise de dados, do estabelecimento da verdade, como vemos na reportagem, no perfil e na biografia. Mas a condição não impede que o texto seja literariamente elaborado, já que o ponto de vista do narrador, por exemplo, pode importar tanto quanto em um romance.

Os estudantes de Não Ficção terão aulas duas vezes por semana. Eles cursam ao menos duas disciplinas por bimestre: uma oficina de criação literária, ministrada às segundas-feiras, e uma disciplina temática optativa, escolhida dentre as oferecidas no bimestre, ministradas às quartas e  quintas-feiras.

Para concluir o curso o aluno deve entregar um livro em diálogo com gêneros não ficcionais tradicionais, como a biografia, ensaio, memória, reportagem e crônica, dentre outros.

 

 

Segunda formação

O aluno matriculado em uma primeira formação, seja ela Ficção ou Não Ficção, poderá optar por uma segunda formação em Tradução Literária, Literatura para Crianças e Jovens, ou Professor de Criação Literária, feita em um terceiro ano de curso.
Assim como na primeira formação, a conclusão de uma segunda formação supõe a entrega de uma obra literária planejada e escrita durante a formação. Essa obra será lida e comentada criticamente por professores do curso.

 

Oficinas de Criação Literária

Oficina avançada pós-graduação Formação de Escritores

 

As oficinas de criação literária analisam a produção dos estudantes. No total de oito, elas acontecem em todos os bimestres do curso. Os estudantes, em grupos de 15 a 20, se reúnem para comentar textos de sua autoria oferecidos ao grupo a partir de um calendário de entrega de textos estabelecido no início dos encontros. Todos têm seus textos lidos e comentados, e os professores intervêm orientando a conversa do grupo, esclarecem dúvidas técnicas e fazem exposições sobre conteúdos que possam ajudar o grupo na leitura crítica dos textos.

Durante essas oficinas, os múltiplos olhares, dos colegas e do professor, promovem uma crítica atenta aos textos apresentados, ao mesmo tempo que se respeitam princípios e propostas manifestados no projeto de cada autor. Baseado no modelo de Oficinas de Escrita de Iowa (EUA), esse exercício possibilita ao estudante aprender, na prática, como aliar conteúdo e forma para ajustar seus textos às suas intenções e aos valores estéticos que fundamentam seu projeto.

Há, no curso, três tipos de oficinas de criação literária.

Oficinas introdutórias de criação literária

São oficinas iniciais que introduzem os estudantes no curso e os aproximam da dinâmica de leitura e escrita que se desenvolverá nas oficinas seguintes. Elas têm como foco a postura desejada de escritor, a constituição da autoria e a importância da leitura crítica para a construção dos projetos literários de cada escritor em formação. A partir da apreciação crítica dos textos produzidos pelos estudantes, a oficina elegerá temas específicos para se aprofundar e discutir, de acordo com as necessidades dos grupos.

Oficinas intermediárias de criação literária

Instituem a dinâmica de leitura e apreciação crítica de textos dos alunos pelos colegas e professores, conforme será praticada nas Oficinas Avançadas posteriores. A partir da apreciação crítica dos textos produzidos pelos estudantes, as oficinas elegerão temas específicos para se aprofundar e discutir, de acordo com as necessidades dos grupos. Elas visam auxiliar os estudantes no amadurecimento de seus projetos literários e prepará-los para o desempenho mais produtivo nas oficinas a seguir, tornando possível que os trabalhos finais se apresentem mais completos e mais bem acabados.

Oficinas avançadas de criação literária

Arquitetadas para dar suporte ao estudante para a realização do trabalho mais importante do curso – o livro de conclusão de curso –, essas oficinas também desenvolvem o exercício profissional e estimulam a prática da escrita e a autonomia para a pesquisa, o planejamento, a revisão, a avaliação e a reescrita de seus textos.

 

Disciplinas temáticas optativas

As disciplinas temáticas optativas exploram os temas propostos e promovem a leitura crítica de exemplares de literatura que ilustram as questões e conteúdos em discussão. Um total de seis disciplinas temáticas optativas deverá ser feito ao longo dos dois anos correspondentes à primeira formação. Os estudantes escolhem os temas livremente, a partir da variedade oferecida ao longo do curso. O conjunto dessas disciplinas é renovado a cada bimestre, com o objetivo de dar ampla possibilidade de escolha para os estudantes. Enriquecidos por abordagens teóricas e leitura crítica de literatura, os estudantes ampliam seu repertório enquanto são estimulados ao exercício da escrita crítica ou literária.

 

Algumas disciplinas temáticas já oferecidas anteriormente

 

A Escrita Literária de Não Ficção

Aqui, discutem-se teorias a respeito da arte e da literatura, apontam-se, caracterizam-se e tratam-se dos elementos constituintes e recursos do discurso literário, bem como da relação entre ficção e não ficção. Além disso, pretende-se levantar aspectos da criação literária, propor a existência de certos patamares construtivos como bases para a criação e o desenvolvimento de discursos literários, e tratar da questão da neutralidade do discurso e do envolvimento do ponto de vista de quem narra na construção do universo não ficcional.

As Crises do Romance

O curso propõe uma releitura da história do romance, a partir dos textos teóricos e críticos dos próprios romancistas. Depois de conhecerem as principais teorizações sobre o gênero, os alunos percorrerão uma série de ensaios, artigos, prefácios, cartas e trechos de alguns romancistas canônicos, para acompanhar como a ideia de romance vai se transformando amplamente ao longo dos séculos. Entre outros autores, o curso abordará alguns textos críticos de Defoe, Balzac, Flaubert, Dostoievski, Proust, Joyce, Woolf, Macedonio Fernández, Beckett, Sarraute, Sebald e Coetzee. Nesse breve percurso pelas circunvoluções do gênero, o romance se revela sempre instável e indeterminado, tendo sua própria crise como um de seus elementos constitutivos. Explora-se a história do romance, então, como a história de suas sucessivas crises.

Biografia

Nessa disciplina, os objetivos são refletir sobre o gênero biográfico, suas especificidades, seus desafios, como se dá a recepção de leitores e crítica, bem como o debate ético e estético que o envolve; promover exercícios para a leitura crítica dos mais variados títulos, de modo que se compreendam as escolhas de biógrafos e a permanência (ou não) de suas obras; preparar os estudantes para decidirem sobre o personagem a biografar,  sua abordagem, extensão e texto; e exercitar a elaboração de projetos biográficos em todas as etapas.

Breves Relatos de Vida

O perfil literário é uma das formas jornalísticas mais valorizadas, presentes em revistas e jornais de diferentes matizes, além de ser a forma preferida de inúmeros escritores, e presente também em contos, poemas e romances. Para produzi-lo, é preciso que o autor utilize técnicas de entrevista e pesquisa, a fim de se aproximar não apenas da figura pública do personagem perfilado, mas também de sua essência.
 

Crônica: Gênero Livre

A crônica é um gênero híbrido que pede uma abordagem abrangente. Na disciplina, é traçado um panorama histórico da crônica, com foco na produção nacional. Também se reflete sobre sua evolução, procurando diferenciá-la de outros gêneros como o conto, a reportagem e a canção popular. Questões de linguagem, tom e estilo recebem atenção especial. Os alunos são estimulados a produzir crônicas, analisadas e discutidas em classe.

Da Palavra Escrita à Imagem em Movimento

Essa disciplina introduz os alunos aos fundamentos da narrativa cinematográfica de ficção, com foco em conceitos como estrutura, personagem, enredo, conflito e tom. Além da discussão teórica e da análise de filmes, os alunos passam por todas as etapas da criação de um roteiro de curta-metragem, da premissa ao texto final.

Do Fato à Ficção

No ensaio “A arte como procedimento”, Victor Chklóvski propõe que compreendamos a arte como um deslocamento da percepção. Para ele, há, no dia a dia, uma automatização das nossas ações e, aliada a ela, uma automatização no reconhecimento dos objetos. A arte em geral, e a literatura em particular, seria aquela capaz de produzir um estranhamento nessa percepção, isto é, criar um distanciamento entre o objeto e sua percepção corriqueira. Nessa disciplina, à luz das observações de Chklóvski, aproximadas das de outros autores, como Roland Barthes, buscamos examinar certos aspectos que fazem de um texto um texto literário. Nossa ideia é trabalhar na fronteira entre o fato e a ficção, a realidade e a literatura.
 

Ensaios de Escrita Ensaística

A partir de aulas teóricas e exercícios, desenvolve-se a prática da escrita de ensaios em sua forma mais livre e reflexiva, acerca de temas diversos, explorando recursos de estilo autorais e uma fundamentação teórica que situa a singularidade do ensaio tanto em relação à crônica quanto em relação à crítica jornalística e aos textos de caráter acadêmico ou científico. A disciplina pretende distinguir o ensaio em sua acepção original (de caráter mais pessoal, de reflexão livre) do ensaio acadêmico, teórico ou científico.

Ensinar a Escrever

Como ensinar criação literária? Esse é o grande tema da disciplina. Para compreender os princípios norteadores da atividade docente e as possibilidades didáticas dessa prática, a disciplina trata dos processos cognitivos envolvidos no ato de escrita, dos procedimentos utilizados pelos escritores e dos estágios de aprendizagem da escrita, assim como da diferença entre o ensino de criação literária na escola, durante a formação do indivíduo, e fora dela, para adultos que desejam escrever literatura, procurando distinguir o ensino de criação literária e a escrita de textos de outras esferas da comunicação humana.

Escritos Híbridos

A disciplina pretende introduzir os autores e as questões de fronteira entre a literatura, a filosofia, a psicanálise e a mística. Leremos textos em que o caráter híbrido e indecidível é patente, produções de autores como Gombrowicz, Musil, Cioran, Sloterdijk, Dostoiévski e Nietzsche. Os alunos são convidados a produzir textos autorais a partir das discussões em sala.

Introdução à Criação Literária

Como o livro se inscreve no mundo atual? De que maneira a produção contemporânea dialoga com a tradição literária ocidental? Por meio de exercícios de criação, a disciplina promove uma reflexão sobre a escrita contemporânea e os estilos como marcas de autoria, reflete sobre a pertinência dos gêneros literários e suas tênues fronteiras, e procura entender os movimentos que conectam a obra literária ao mundo físico e cultural. A escrita, ademais, será vislumbrada em conexão com seu elo fundamental: o leitor.

Livro Ilustrado: Escrever para Imagens

Como entender e exercitar o mecanismo de escrita e leitura do livro ilustrado? Esse objeto nasceu editorialmente no século 19 dentro do universo infantil, mas, hoje, vem se cristalizando como um gênero particular, não definido por faixa etária. Ao lado de um pequeno panorama dessas obras no Brasil e no mundo, pretende-se estimular os escritores a produzir textos pensando em sua relação com a imagem e buscando um conteúdo em que a narrativa é criada na relação entre as duas.

Literatura para Crianças e Jovens

Essa disciplina destina-se à criação de textos relativos à chamada literatura infantil e juvenil e destaca alguns componentes específicos desse gênero e tipo de produção, com respaldo teórico em estudos sobre o universo das crianças e jovens, no sentido de nortear e apontar caminhos para a criação literária individual e reforçar o conhecimento e o domínio da singularidade da literatura de modo geral.

Memória: o Eu na Não Ficção

A disciplina introduz as questões relativas à memória, à experiência e ao testemunho, bem como as várias modalidades da escrita de si, dentre elas a autobiografia e o diário. De um lado, ela apresenta e busca compreender o que já foi feito por alguns escritores dedicados a essa temática; por outro, acompanha e comenta a escrita dos alunos ao longo das aulas.

Nos Arredores do Conto

O curso faz um panorama do conto e da narrativa curta do ponto de vista histórico e estrutural, apresentando as características principais do gênero, contrapondo-o a outras formas literárias, como o drama e a lírica, e a modalidades narrativas como a novela e o romance. O fio condutor histórico não pressupõe uma evolução do gênero, mas problematiza as transformações do conto a partir da noção de aventura e ação narrativa e de sua crise de representação. São apresentados textos fundamentais da teoria do conto, concentrando-se na produção e nas questões críticas em torno do conto moderno – consolidado no século XIX, com desdobramentos no século XX –, em autores como Gustave Flaubert, Herman Melville, Edgar Allan Poe, Anton Tchekhov, Machado de Assis, Virginia Woolf, Franz Kafka, Jorge Luis Borges e Julio Cortazar, entre outros.

O Escritor como Professor

O objetivo dessa disciplina é orientar os estudantes a ocupar o lugar de docentes na elaboração de projetos de oficinas de criação literária. Para fundamentar essa prática, discutem-se métodos e procedimentos didáticos que podem ajudar a planejar e desenvolver atividades docentes, conduzir a interação com os alunos e avaliar suas produções.

O Factual e o Literário

Como o fato e a literatura convergem no texto de não ficção? O que se conhece por jornalismo literário? Quais as técnicas comuns à ficção utilizadas no jornalismo? Nessa disciplina, discutem-se técnicas de reportagem, entrevista, pesquisa de informação e levantamento de dados, atividades corriqueiras no jornalismo, que podem ajudar o escritor no planejamento de textos e projetos literários de maior fôlego.
 

Oficina de Poesia

Essa oficina pretende colocar o estudante em contato com temas específicos do trabalho poético: construção do verso, formação da voz, concisão, formas fixas, verso livre, ritmo, figuras de linguagem, correlato objetivo e manifestos literários dos alunos, com estímulo à produção de textos e à leitura de poemas em sala. O estudante é orientado em experimentações que têm como fim a apropriação da palavra como matéria-prima e elemento constitutivo de um texto, o qual costuma ser expressão de limites em constante transformação.

Os Desafios do Narrador Contemporâneo

Este curso mescla teoria literária e exercícios práticos para aprimorar a escrita e a leitura. A partir da experiência como editora da Companhia das Letras, Vanessa Ferrari analisa os principais erros dos autores estreantes e desconstrói os mitos contemporâneos do que seria uma boa narrativa, propondo uma reflexão no modo como escrevemos e interpretamos a literatura. Para ajudar o autor estreante a ser mais assertivo na publicação do seu primeiro livro, os critérios na seleção de originais e um panorama do mercado editorial abrem o ciclo.

Poesia para Prosadores

Muitos escritores de ficção e não ficção começaram escrevendo poesia. Alguns deles jamais abandonaram o gênero, outros o incorporaram em seus livros, seja no ritmo, na intensidade da linguagem, ou mesmo na composição de obras híbridas. Nessa disciplina, alunos dos cursos de Ficção e Não Ficção são convidados a trabalhar as formas tradicionais da poesia, além de ritmo, metro, figuras de linguagem e repetições, bem como a refletir sobre os alcances da poesia e dos poemas em prosa na produção contemporânea.
 

Pontos de Vista do Romance Contemporâneo

Nessa disciplina procuraremos identificar linhas de força do romance contemporâneo e compreender como alguns dos principais escritores e escritoras em atuação hoje trabalham o posicionamento do autor, narrador e personagens na escrita ficcional. Investigaremos a questão da interrelação entre ficcional e não ficcional, a autoficção e as tensões presentes na prosa do século 21. Para tanto, leremos oito livros publicados nos primeiros 17 anos deste século, seja no Brasil ou no exterior, da Noruega à África do Sul.
 

“Realismo” Se Escreve entre Aspas

Vladimir Nabokov afirmou que a palavra realidade só poderia ser escrita entre aspas. A ficção popular sempre soube disso, da ficção científica de Julio Verne à literatura fantástica. Essa elástica compreensão do naturalismo também se estendeu às vanguardas da Modernidade: das instabilidades psicológicas surgidas com o fluxo de consciência às manifestações pós-modernas, a técnica colaborou para a expansão daquilo que se convencionou chamar “realidade”. O curso compreende a leitura de autores canônicos do século 19, como Stevenson e Poe, mas também textos de movimentos como o Futurismo, Surrealismo e de representantes do Pós-Modernismo; compreende também a produção e a reflexão a partir de textos produzidos pelos alunos.

Revisando o Próprio Texto

Nesse curso, desenvolvem-se os conceitos básicos da linguística textual, com o propósito de fundamentar o trabalho de revisão e preparação de textos produzidos pelos estudantes. Os alunos são convidados a refletir a respeito do funcionamento da língua, de modo que ampliem o domínio ativo sobre os instrumentos discursivos e linguísticos necessários às diferentes práticas de linguagem.
 

Ser Autor: Processos de Criação

Aqui, procura-se discutir como se constitui a figura do autor na prática da produção de textos para compreender como se dá a criação de textos literários. Por meio de exercícios de criação e da leitura crítica, orienta-se e elabora-se a relação escritor-leitor e se busca compreender o texto como objeto da crítica. Ao tratar dessa temática, a disciplina prepara os estudantes para processos produtivos de criação e leitura crítica, já que esses dois movimentos estarão em jogo durante todo o curso, especialmente nas Oficinas Avançadas.

Tradução Literária

Trata-se de uma oficina de introdução à tradução literária que procura estimular os estudantes à sua prática e explorar os recursos que enriquecem a escrita autoral e os processos de revisão de texto. Os alunos desenvolvem projetos de tradução e aperfeiçoam os textos traduzidos em oficinas com leituras semanais da produção realizada por eles, além de ensaios que tratam da tradução sob diferentes perspectivas. A disciplina é voltada para alunos com algum conhecimento de uma língua estrangeira.