Reflexões sobre os movimentos migratórios e a escola

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Entre os dias 11 e 13 de setembro, o Instituto Vera Cruz, por meio da graduação em Pedagogia, promoveu a 13ª edição do Seminário de Educação e Cultura, que teve como tema central os “Movimentos migratórios e a escola: tão longe, tão perto”.

 

O primeiro dia do evento foi aberto com a palestra de Daniel Vieira Helene, doutor em História pela USP e assessor pedagógico em escolas públicas e privadas. Sob o tema “Entre a política e as intolerâncias: possíveis caminhos e falsos atalhos para os dilemas da escola contemporânea”, Daniel iniciou sua apresentação mostrando uma série de fotos de pontes e muros espalhados mundo afora.

 

“Os muros foram introduzidos na cidade de maneira quase imperceptível, lançando a ideia do privilégio que existe em estar dentro dele e do antiprivilégio que é estar fora”, refletiu o palestrante, trazendo a ideia para os ambientes escolares que não apresentam diversidade. “A escola precisa ser pensada de dentro para fora sobre como ela vai ou pretende se relacionar com o mundo que aí está. O problema está nos muros que a gente constrói, sejam eles de que natureza for”, completou.

 

Dentre os possíveis caminhos para a escola atual, Daniel falou sobre a instituição como lugar da diversidade e que agrega valor àquilo que se pode construir como experiência educativa, em vez de um lugar de padrão e norma. “Também precisamos pensar a escola como o lugar da dúvida e da pergunta como exercício de investigação. Devemos criar uma comunidade de perguntadores e não de respondedores.”

 

Sem fronteiras

“Da escola para o mundo, do mundo para a escola” foi o tema da mesa-redonda do segundo dia do evento. Com participação de Kenarik Boujikian, juíza do Tribunal de Justiça de São Paulo, , e de Carlos Eduardo Fernandes Júnior, pesquisador das políticas de formação continuada dedicada a professores das redes públicas, a discussão foi centrada nos direitos humanos e em como a escola se relaciona com a comunidade.

 

Coordenador pedagógico da Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEF) Infante Dom Henrique, localizada no Canindé, região central de São Paulo, Carlos Eduardo contou um pouco sobre as políticas implantadas na instituição focadas no combate ao racismo e à xenofobia. “Temos 500 estudantes, e 20% são filhos de imigrantes”, explicou. Ele ressaltou: “Como a gente consolida um território educativo? Já percebemos que um bom trabalho pedagógico não pode ficar dentro da escola.”

 

Em sua fala, a juíza Kenarik discutiu os direitos humanos e como eles permeiam o nosso dia a dia. “As pessoas, erroneamente, ligam a questão dos direitos humanos somente ao ambiente prisional, enquanto, na verdade, eles envolvem tudo”, afirmou, frisando a diferença entre migrantes e refugiados: “Os migrantes saem do seu país por opção; os refugiados saem porque são obrigados, por serem perseguidos por causa da sua raça, religião”.

 

O terceiro e último dia do seminário teve uma oficina de prática musical com repertório indígena, conduzida por Magda Pucci e Berenice de Almeida, do grupo Mawaca. A atividade teve o objetivo de estimular a reflexão sobre a diversidade cultural do Brasil. As canções apresentadas receberam uma cuidadosa contextualização, com informações sobre as comunidades indígenas nas quais tiveram origem e o contexto em que são entoadas por esses povos.