Metamorfose da escola

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Em comemoração ao Dia do Educador, a Escola Vera Cruz promoveu no sábado, dia 2 de setembro, um encontro com António Nóvoa, professor catedrático do Instituto de Educação e reitor honorário da Universidade de Lisboa e uma das principais referências mundiais quando os temas são Educação, escola e formação de professores.

 

“Estou interessado em perceber como é que se volta a dar vida à escola, sentido; como é que se consegue revivificar a escola e fazer com que ela seja um lugar de contemporaneidade”, disse o convidado durante sua fala introdutória aos mais de 250 educadores que lotaram o auditório. Ele ressaltou, entretanto, que não é preciso jogar fora tudo o que foi feito até aqui, e sim perceber o que funcionou bem e como se consegue a transformação a partir desse ponto. “As pessoas não se dão conta, mas já existiram começos; muita gente aqui já faz coisas bem feitas. Às vezes, começos modestos, invisíveis, marginais, iniciativas locais – no sentido de encontrar novos rumos para a Educação, para a escola e para a Pedagogia – não se conhecem umas às outras, mas são o viveiro do futuro. O mais importante é a partilha dessas experiências”, pontuou.

 

Para Nóvoa, as novas formas de aprendizagem, de uso da memória e de nos comunicarmos uns com os outros e com o mundo são revoluções que provocaram mudanças profundas na escola. “Contrariamente a tudo que podíamos pensar – que a internet seria a porta de entrada para tudo –, o digital está provocando fenômenos de individualização no sentido de recolhimento. Nós só nos comunicamos com aqueles que têm os interesses iguais aos nossos. E é por causa desse movimento de individualização que a escola tem hoje a tarefa imensa de partilha do comum”, explicou. Para ele, precisamos da escola como espaço comum, mas em um sentido mais amplo, como no defendido por John Dewey, citado pelo educador português: “Comunidade é o que nós fazemos em comum uns com os outros; é a ideia do comum, não do igual, do homogêneo; o comum como o espaço do trabalho, a construção do espaço daquilo que fazemos em comum uns com os outros”.