A cadeira

Manuela Maria Tognoni D`Ercole

Na casa de minha avó,
Nos fundos do paraíso,
Encontrei-a lá.
Toda trançada
Fio a fio, nó a nó
Numa dança majestosa
Sobre um palco de sentimentos infantis
Debruçados ao infinito
Daqueles que jamais serão esquecidos.

Quando me lembro
De tais gargalhadas
Eu sentada junto ao colo de minha avó
Algo me aperta
Meu peito encolhe
Fica bem miudinho
Doído que só,
Lembrando dos sentimentos
Que jamais serão esquecidos!

A cadeira

Minhas terras

Clarice Ferreira Verano

Minha terra tem rendeiras,
Que bordam o Ceará
Para lá baião de dois,
e feijão com arroz pra cá

Minha terra tem brisa e sol,
Garoa, cidade e mar
Seriguela, Cambuci,
Sapoti e araçá

Nossas terras têm grafite,
Masp e Pinacoteca
Nossas praias têm coqueiros,
Onde tiro uma soneca

Quando estou em SP,
E como uma tapioca
Lembro das minhas avós,
Tricotando com amor

E assim levo a minha vida,
Entre familiares
Ora em Fortaleza e seus verdes mares,
Ora em São Paulo e seus mil lugares

Minhas terras

Sem título

Paola  Taddei de Castro Neves

A   GENTE           PRODUZ MUITO LIXO
COM                 ISSO MALTRATAMOS OS BICHOS
                         OS  BICHOS         NÃO PRODUZEM
SERÁ                QUE TEMOS ALGO A APRENDER COM ISSO?
O                   BICHO É O LUXO QUE A GENTE NÃO TEM
LUXO                É O BICHO QUE NÃO MALTRATA
Sem título

Correntes de pássaros

Luiza Araujo da Costa

Se até o melhor herói pode 
falhar,                                  porque eu não posso chorar?
Porque tenho que esconder minhas lágrimas com um 
sorriso,                  quando, na verdade, eu nunca aceitei isso?

Eu tenho que ser 
forte                                                  Não importa o 
quanto eu suporte                                                Não 
importa o quão longe eu deva ir                               Afinal 
eu só tenho que falsamente sorrir

Mesmo que eu tente 
fugir                                               Ela sempre estará
a sorrir                                                Com sua foice 
a 
carregar          
E suas correntes a arrastar

Elas me 
prendem                                                           As 
pessoas não 
entendem                                               Afinal, todos 
carregam suas correntes                                       Presos, 
dentro de suas gaiolas, contentes

Tic tac tic 
tac                                                           Sempre 
a correr e 
sorrir                                                     Sem poder 
cantar o existir                                              Apenas 
esperando chegar o fim...
Correntes de pássaros